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SÃO PAULO – Os mercados de ações passam ao campo negativo nesta sexta-feira (18), corrigindo parte dos ganhos acumulados ao longo da semana, além de sofrerem com a volta de incertezas sobre a Zona do Euro.
Seguindo o movimento negativo dos contratos futuros sobre índices de ações nos Estados Unidos, as principais referências para o mercado acionário europeu marcam leve queda.
Pausa para respirar
Na avaliação da equipe de análise de renda fixa do Credit Suisse, “as ações de países desenvolvidos têm se posicionado para alguma forma de pausa para respirar em março/abril”. Em sua visão, “este período também pode trazer um teste para as ações emergentes e, talvez, algumas commodities”, completou.
“Para os mercados emergentes, prossegue o forte e necessário monitoramento dos preços dos alimentos e petróleo, ainda sujeitos a pressões de curto prazo”, ressaltou Marco Melo, chefe de análise da corretora Ágora.
Nesse contexto, ganha importância o novo movimento de aperto monetário anunciado pela China, que elevou em 0,5 ponto percentual a exigência de reservas para os bancos do país.
“Esse é o segundo aumento do compulsório neste ano e visa conter a expansão do crédito dentro do plano de contenção da demanda e da inflação”, destacou a equipe da consultoria MCM.
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A constância da crise
Neste fim de semana, os ministros de finanças e chefes de autoridades monetárias do G-20 realizarão encontro na cidade de Paris, em meio a propostas do governo francês sobre a regulação nos mercados de commodities. Entretanto, analistas não esperam pelo anúncio de medidas de peso ao seu fim.
“A aversão a risco parece ter impulsionado a elevação dos spreads nos mercados de títulos da Zona do Euro”, destacou Paul Donovan, economista do UBS. Parte desta aversão permanece ligada à expectativa de que Portugal peça ajuda ao Fundo Eeuropeu para Estabilização Financeira – algo novamente negado pelo governo português nesta manhã.
“Os spreads e níveis dos rendimentos dos títulos de Portugal certamente levantam a questão da viabilidade da posição fiscal do governo – que não parece sustentada sob as atuais taxas”, apontou Donovan.
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Outro dado em destaque nesta sessão é a elevada utilização da linha de crédito overnight para bancos junto ao BCE (Banco Central Europeu). Apenas na quinta-feira, cerca de € 16 bilhões foram emprestados – o maior volume desde junho de 2009, ainda sob a influência do congelamento global dos mercados de crédito.
Agenda
Na agenda de indicadores econômicos europeus desta data, ganham destaque o índice de preços ao produtor (Producer Price Index) na Alemanha em janeiro, que registrou uma taxa de inflação de 1,2%, e os números de vendas do varejo (Retail Sales Index) no Reino Unido também no mês passado, que tiveram um crescimento de 1,9%.
Sem indicadores econômicos relevantes, o mercado seguirá atento nos Estados Unidos ao discurso do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, agendado para as 11h00, horário de Brasília.
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“Entretanto, as tensões permanecem elevados no Oriente Médio e temos visto algum voo em direção à segurança com a compra de Treasuries e Bunds, a despeito da alta na inflação”, apontou o analista-chefe do Danske Bank, Jens Peter Sørense.
Internamente, na segunda prévia deste mês, o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) apontou inflação de 0,88%, taxa 0,25 ponto percentual maior do que a apurada no mesmo período do mês anterior.