Bolsas operam em queda, à espera do Fed e de olho em dados da China

Na véspera, Ibovespa fechou em queda de 0,34%, a 67.862 pontos; o volume financeiro totalizou R$ 4,06 bilhões

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Se no cenário externo a sessão de segunda-feira (9) foi de poucas referências, no aguardo da reunião do Federal Reserve na próxima terça-feira, por aqui não faltaram novidades do cenário corporativo, entre aquisições, resultados e assinatura de acordos. Contrariando o tom positivo lá fora, o Ibovespa fechou em queda de 0,34%, a 67.862 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 4,06 bilhões. 

Mantendo a tendência vista no pregão anterior, as ações da B2W lideraram mais uma vez as perdas, sentindo o momentum negativo provocado pelo resultado abaixo do esperado no segundo trimestre do ano.

Ainda no terreno negativo, as ações da Eletropaulo estiveram entre as maiores quedas do índice. A administração da Eletropaulo garantiu que avaliará a melhor estratégia para comprar energia a partir de 2016, seguindo o fim do contrato bilateral com a AES Tietê.

As ações da Net estenderam sequência de alta após proposta de compra das ações PN pela Embratel, liderando os ganhos do índice. 

O Bradesco e o Banco do Brasil anunciaram assinatura de memorando de entendimentos com o Banco Espírito Santo, de Portugal, para o estabelecimento de uma parceria estratégica visando atuação conjunta no continente africano. Os dois bancos ainda firmaram memorando de entendimentos com a Caixa Econômica Federal, visando a integração da CEF no lançamento da bandeira brasileira de cartões Elo, que poderá ser utilizada por correntistas e não-correntistas dos três bancos. As ações dos bancos subiram. 

No âmbito das aquisições, a Cemig anunciou na noite da última sexta-feira ter comprado participações em três diferentes transmissoras de energia elétrica pelo montante total de R$ 275,47 milhões. Já a Hypermarcas anunciou a aquisição de 100% do capital da fabricante de produtos descartáveis Mabesa por montante estimado em R$ 350 milhões.

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Na última sexta-feira, após o pregão, a Sabesp reportou um lucro líquido de R$ 333,6 milhões no segundo trimestre desse ano, queda de 28,2% na base de comparação anual.

Agenda doméstica
A balança comercial fechou a primeira semana de agosto com um volume de exportações US$ 943 milhões maior do que de importações.

O IPC-S de 7 de agosto voltou a registrar aceleração ao marcar deflação de 0,18%, taxa 0,03 ponto percentual maior que a apurada anteriormente.

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Na mesma linha, o IGP-M apontou inflação de 0,42% no primeiro decêndio de agosto, ante alta de 0,14% no mesmo período do mês anterior.

Projeções
O relatório Focus mostrou que a mediana das projeções do mercado brasileiro diminuiu tanto para o PIB quanto para a taxa básica de juros deste ano. Agora, o crescimento esperado da atividade do País é de 7,12%, enquanto que a Selic estimada para 2010 passou de 11,5% para 11% ao ano.

Dólar e Renda Fixa
Apesar da instabilidade vista na bolsa brasileira, o dólar comercial acentuou suas perdas durante a tarde, fechando com queda de 0,4%, sendo cotado a R$ 1,752 na venda.

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O mercado de juros futuros fechou em queda. O título com vencimento em janeiro de 2011, que apresentou maior liquidez, fechou cotado a 10,77%, queda de 0,01 ponto percentual frente o último fechamento. 

O mercado de títulos da dívida externa fechou em alta. O título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou com valorização de 0,65%, cotado a 138,15% do valor de face. O risco País registrou queda de 13 pontos-base em relação ao fechamento anterior, atingindo 189 pontos-base. 

Bolsas em queda, à espera de decisão do Fed
Se estes fossem tempos comuns, a reunião do Federal Reserve seria apenas mais uma referência na agenda desta terça-feira (10). Mas estes não são tempos comuns: com os crescentes sinais de desaceleração da recuperação econômica e o temor cada vez mais consistente de uma pressão deflacionária nos Estados Unidos, a reunião do banco central norte-americano é o ponto alto da sessão.

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Na expectativa pela decisão do Fed, as bolsas europeias recuam quase 1%. O mercado futuro de Wall Street acompanha a queda, com os futuros dos índices Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 negociados na CME (Chicago Mercantile Exchange) caindo 0,53%, 0,59% e 0,72%, respectivamente.

Política monetária dos EUA
O consenso permanece sendo de manutenção do juro básico no patamar entre 0% e 0,25% ao ano, o que vem sendo feito há 13 reuniões consecutivas. A dúvida é se haverá novos estímulos na forma de flexibilização quantitativa, com a compra de Treasuries, ou se o Fomc (Federal Open Market Committee) fará mudanças significativas em seu comunicado. As apostas estão na mesa e dividem os analistas, mas, segundo o Bank of America Merrill Lynch, é difícil haver qualquer mudança nos rumos da política do Fed, o que provavelmente trará decepção aos mercados nesta terça-feira.

A decisão deve ser divulgada às 15h15 (horário de Brasília). Enquanto isso, os investidores avaliam outras referências da agenda econômica norte-americana. Serão divulgados durante a manhã o Wholesale Inventories, com informações sobre as vendas e os estoques do setor atacadista norte-americano, e o número preliminar do Productivity & Costs, medindo a produtividade da mão de obra não agrícola dos EUA.

Cenário internacional em foco
Na Ásia, a política monetária japonesa também chama a atenção. O BoJ (Bank of Japan) decidiu por unanimidade manter a taxa básica de juros no país por volta de 0,1% ao ano. A autoridade monetária reconheceu que o Japão enfrenta um “desafio crítico” em relação à deflação e à retomada do crescimento sustentado.

Mas é da China que vêm as piores notícias. A balança comercial do país atingiu a máxima dos últimos 18 meses, terminando julho em US$ 28,7 bilhões. As importações subiram 22,7%, abaixo dos 30% esperados pelos analistas, o que eleva os temores sobre a desaceleração da demanda chinesa. Já as exportações aumentaram 38,1% na base anual.

Outro país que ocupa as manchetes nesta manhã é a Rússia. Com a continuidade dos incêndios e da seca no país, o custo da situação pode chegar a 1% do PIB (Produto Interno Bruto) russo, ou US$ 15 bilhões no total.

Commodities e câmbio
Acompanhando a maior cautela do mercado, as commodities também registram um dia de desvalorização. O petróleo cai cerca de 2% em Londres e Nova York, enquanto o cobre e o trigo são negociados em quedas de mais de 2,5% no mercado londrino.

A aversão ao risco também traz um dia de alta ao dólar, que ganha atratividade como porto seguro diante das preocupações com a recuperação da economia. A divisa norte-americana sobe frente às principais moedas internacionais, como libra esterlina e euro.

Brasil
Por aqui, a agenda trouxe o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) da primeira quadrissemana de agosto, que apontou inflação de 0,20%, taxa 0,03 ponto percentual superior à vista na mediação anterior. Os dados foram publicados pela Fipe (FundaçãoInstituto de Pesquisas Econômicas).

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou ainda que o emprego industrial avançou 0,5% na passagem de maio para junho. Na base anual, o emprego no setor avançou 4,9%, “quinta taxa positiva consecutiva e a mais elevada desde o início da série histórica”.

No plano corporativo, destaque para a GOL, que acumulou um prejuízo líquido de R$ 51,9 milhões no segundo trimestre de 2010. Um ano antes, a empresa aérea havia registrado lucro de R$ 353,7 milhões. Já a ALL Logística viu seu lucro líquido subir 126,9%, para R$ 136,4 milhões no período de abril a junho de 2010, enquanto os ganhos da Itaúsa subiram 17,5%, para R$ 1,185 bilhão.

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