Bolsas operam em baixa, com reforma bancária nos EUA e à espera de resultados

Obama aperta cerco aos bancos e propõe limites para tomada de risco; Citi eleva projeção do PIB do Brasil para 2010

Publicidade

SÃO PAULO – As bolsas europeias operam em baixa nesta sexta-feira (22), tendência alinhada à vista no outro lado do Atlântico, onde os mercados futuros dos EUA recuam. A cotação do ouro declina, mas a do petróleo sobe, desfavorecendo o dólar, que se valoriza frente às principais divisas do mundo – euro, libra esterlina e iene.

Sem indicadores nos EUA, investidores direcionam o olhar ao Velho Continente. Por lá, os pedidos feitos à indústria na Zona do Euro subiram 1,6% durante novembro último – na base mensal. Já na comparação anual, o declínio foi de 1,5%. Ambas as variações surpreenderam positivamente os analistas.

No Reino Unido, as vendas do varejo avançaram 0,3% no decorrer de dezembro, em relação ao visto no mês antecedente. Na comparação com período igual de 2008, o crescimento foi de 2,1%. Em contrapartida, as duas oscilações decepcionaram as projeções dos analistas.

Nos EUA, as seguintes empresas divulgarão seus resultados operacionais do último trimestre de 2009: General Electric, Kimberly Clark e McDonald’s. O anúncio será realizado antes da abertura dos mercados.

Não pensamos em política
Timothy Geithner, secretário do Tesouro dos EUA, afirmou que a proposta de Obama de limitar a tomada de riscos dos bancos não foi determinada por questões políticas. “O que as medidas procuram é assegurar a redução da tomada de risco, tipos de riscos que podem ameaçar a estabilidade do sistema no futuro”, afirmou Geithner, completando ainda que as reformas serão feitas de forma cuidadosa.

Problemas gregos
Paul Donovan, analista do UBS, acredita que a Grécia enfrenta uma tragédia. “Apesar de não imaginarmos uma saída do milagre do euro pela Grécia, é valido notar que a Grécia ainda pode (muito facilmente) vivenciar um default enquanto permanece membro da Zona do Euro”, completa o analista, em referência às finanças públicas problemáticas do país.

Continua depois da publicidade

Maior crescimento, maior Selic
O Citigroup elevou sua projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro de 2010, de crescimento de 5% para avanço de 5,9%. “Com a recuperação mais forte, prevemos um aumento antecipado da Selic (em março, ao invés de abril)”, completam os analistas, que estimam ainda maior intensidade do aperto monetário, de elevação de 350 pontos-base.

No âmbito fiscal, o banco norte-americano acredita que a arrecadação do governo provavelmente aumentará neste ano, o que será suficiente para cobrir as maiores despesas, “mantendo o superávit primário um pouco acima do visto em 2009”.

Cenário doméstico
Foi divulgado o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), com a mesma metodologia do IPCA, mas medido entre os dias 15 de cada mês. O índice, que direciona seu foco a famílias que ganham de 1 a 40 salários mínimos, mostrou inflação de 0,52% em janeiro.

Continua depois da publicidade

Bush gênio?
Para o analista financeiro Marc Faber, as intervenções do governo norte-americano no setor financeiro não resolverão os problemas e trarão consequências indesejáveis. “Eu tinha um olhar negativo em relação a Bush, mas penso que Obama o faz parecer um gênio”, dispara o autor da “Gloom, Boom & Doom”, em entrevista à rede CNBC, dos EUA. “Basicamente, eu acho que todo mundo concordará que, em um sistema econômico, o mercado é quem melhor resolve os problemas”.

Interesses econômicos prevalecem
Gideon Rachman, redator do Financial Times, acredita que os EUA veem sua geopolítica sucumbir diante dos movimentos de quatro países, Brasil, Índia, África do Sul e Turquia, à medida que a economia chinesa – mesmo com regime autoritário – se sobrepõe à democracia norte-americana, que vive em uma economia decadente.