Bolsas operam em baixa, com projeções sóbrias, recuo de commodities e realização

Petróleo e ouro caem, em sessão marcada por palavras negativas de Bernanke; há bolha na China? Cinco razões descartam hipótese

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SÃO PAULO – As bolsas europeias operam em baixa nesta terça-feira (17), trajetória semelhante à vista no outro lado do Atlântico, onde os mercados futuros dos EUA recuam. As cotações do petróleo e do ouro também caem, favorecendo o dólar, que se valoriza frente às principais divisas do mundo – euro, libra e iene.

Nos EUA, às 11h30 (horário de Brasília), serão divulgados o PPI (Producer Price Index), responsável por medir o preço cobrado pelos produtores, e o núcleo Core PPI, formado com exceção aos preços de alimentação. Durante a manhã, serão anunciados também o Industrial Production (12h15), índice que avalia o produto das fábricas e minas dos EUA; além do Capacity Utilization (12h15), que mede a capacidade industrial utilizada.

Desafios significativos
Embora confiante na retomada da economia norte-americana, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, enxerga desafios significativos a serem superados no processo de recuperação. “O fluxo de crédito mantém-se contraído, a atividade econômica está fraca e a taxa de desemprego está muito alta”, afirmou o chairman do Fed.

De Washington a Londres, o CPI (Consumer Prices Index) mostrou avanço de 1,5% no Reino Unido durante outubro, acima da alta de 1,1% relatada em setembro, sugerindo uma retomada do consumo no Reino Unido. Além disso, os preços de commodities impulsionaram o índice, segundo analistas.

Investidores fogem das ações
Conforme análise de Prieur du Plessis, presidente da instituição Plexus, a proporção do portfólio de investimentos em ações dos norte-americanos está abaixo da média dos últimos 22 anos, o que sugere uma maior exposição à frente. “Em adição, a última pesquisa da AAII (American Association of Individual Investors) indicou que apenas 38,62% dos respondentes estão otimistas com o mercado”, completa o analista, que enxerga uma reversão deste quadro no futuro.

Cinco razões
Para Romeo Dator, gestor do fundo China Region Fund, há cinco razões que descartam a formação de uma bolha na China: (i) continuidade da forte expansão do consumo; (ii) mudanças estruturais na economia doméstica, dada à transição para uma economia mais baseada no setor de serviços; (iii) existência da estratégia de saída dos estímulos estatais – criar a base necessária para o setor privado investir, uma vez que o mesmo se encontra propenso a isso; (iv) controle dos fluxos monetários pelo governo; e (v) consonância entre os objetivos de longo prazo e de curto prazo.

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300%
Se o momentum atual da economia norte-americana preocupa, o horizonte é alarmante. Em artigo intitulado “Uma dose sóbria de realidade”, o economista Steve Keen faz um comparativo entre a crise financeira atual e a Grande Depressão, prevendo que será mais difícil para os EUA se reerguerem. “A relação entre dívida pública dos EUA e PIB (Produto Interno Bruto) estava em 170% antes da Grande Depressão; no momento, a mesma relação chega a 300%”, completa Keen.

Inflação
No Brasil, a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) divulgou seu Índice de Preços ao Consumidor, referente à segunda quadrissemana de novembro, com inflação de 0,34% no período – avanço de 0,03 ponto percentual sobre a medição anterior. Também houve a divulgação do IGP- 10 (Índice Geral de Preços – 10) pela FGV (Fundação Getulio Vargas), que marcou inflação de 0,07% na medição de novembro.

No âmbito corporativo, destaque para o encerramento de processo de Bookbuilding e da fixação do preço por ação da Direcional Engenharia, referentes à sua oferta primária de ações.

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Ainda não
Diante das incertezas à frente, a Vale ainda não começou a negociar com seus clientes o preço do minério de ferro para 2010, conforme ressaltado pelo presidente da mineradora, Roger Agnelli. Embora não iniciadas, Agnelli já alerta os investidores para a dificuldade nas negociações que, segundo seu viés, “nunca são tranquilas”.