Bolsas operam em baixa, com fraco volume e tom de correção

Commodities como petróleo e ouro caem e desanimam investidores, à espera do fim do ano; EUA em xeque

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SÃO PAULO – As bolsas europeias operam em baixa nesta quarta-feira (30), tendência semelhante à vista no outro lado do Atlântico, onde os mercados futuros dos EUA recuam. Em linha, as cotações do petróleo e do ouro caem, favorecendo o dólar, que se valoriza frente às principais divisas do mundo – euro, libra esterlina e iene.

Nos EUA, olhos atentos ao Chicago PMI (12h45), com a atividade industrial na região norte-americana durante dezembro. Analistas estimam melhora em relação ao último mês. Mais tarde, haverá o relatório semanal de estoques norte-americanos de petróleo, que será anunciado às 13h45.

Sem falência na Ásia, com ativos na Europa
A maioria dos credores da Japan Airlines se opôs à proposta de falência da companhia, em encontro realizado na última terça-feira (29) com agência do governo do Japão, segundo notícia do jornal local Yomiuri. Nesse cenário, as ações da aérea despencaram 25% em Tóquio, dando o tom negativo das bolsas ao redor do mundo.

Da Ásia ao Velho Continente, a unidade europeia do Lehman Brothers começará em breve a devolver US$ 11 bilhões de ativos de clientes, presos no banco desde o colapso de setembro do ano passado. O movimento é um pequeno avanço em meio ao complexo sistema de operações da instituição.

Mercados baratos, não se preocupe muito com o Fed
Os economistas da First Trust Advisors, Brian Wesbury e Robert Stein, acreditam que os mercados acionários ainda estão muito baratos, mesmo com a valorização relatada neste ano. “Esperamos que o índice Dow Jones chegue aos 13.000 no final de 2010, com mais ganhos ainda para 2011”, discorrem os analistas.

Além disso, a dupla enxerga que há preocupação excessiva do mercado em torno de um aperto monetário pelo Fed. Para tranquilizar os receosos, Wesbury e Stein lembram de 2004, quando o Federal Reserve contraiu a política monetária e Wall Street sofreu apenas um leve recuo.   

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Lucros maiores, ações se valorizam
Tobias Levkovich, estrategista chefe de ações do Citigroup nos EUA, vê crescimento de 16% nos ganhos do próximo ano. “Os lucros são os principais drivers e a produção industrial tende a ter a correlação mais alta com as tendências dos lucros”, diz o economista, ao ressaltar a trajetória positiva da produção industrial. “No primeiro trimestre deverá haver de 30% a 40% de avanço nos lucros”, completa Levkovich, prevendo valorização no período.

Hegemonia em xeque
Para Laurence Tisch, professor de História de Harvard, essa década pode ter marcado o fim de 500 anos do domínio ocidental sob o mundo, dada a ascensão chinesa como credora dos EUA, que vivem em plena decadência. “O PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA era oito vezes o da China no começo da década. Hoje em dia, é quase quatro vezes maior”, afirma Tisch, que cita a projeção de Jim O’Neill, economista-chefe do Goldman Sachs, para 2027, com a China ocupando o posto de maior economia do mundo.

Cenário interno
No Brasil, o Banco Central divulgará a Nota de Política Fiscal (10h30), que contém, entre outros dados, a relação entre a dívida e o PIB (Produto Interno Bruto) e o superávit primário do País em novembro. Em adição, a FGV (Fundação Getulio Vargas) anunciou a Sondagem Industrial referente ao mês de dezembro.

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Tempestade revolucionária em 2010?
Para a The Economist, se o mundo passou por 2009 sem revoltas sociais, o ano que virá tem tudo para ser revolucionário. “A despeito da recuperação global, para muitas pessoas no mundo as condições econômicas e sociais deverão piorar em 2010”, discorre o periódico, citando que a taxas de pobreza deverão continuar crescendo, com cerca de 200 milhões de pessoas se unindo ao grupo que sobrevive com menos de US$ 2,00 por dia.

“Esse ano pode ter sido a calmaria antes da tempestade”, completa a revista, que divulgou projeções sobre a probabilidade de revoltas sociais no mundo: muito alta em países africanos e no Oriente Médio e em alguns países africanos e alta na China, Rússia e Europa Oriental. Na América Latina, enquanto o Brasil tem um baixo risco de revoltas sociais, a Bolívia aparece com uma probabilidade muito alta.