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SÃO PAULO – As bolsas europeias operam em alta nesta segunda-feira (18), em linha com as cotações do petróleo e do ouro. No mercado de câmbio, o dólar se valoriza face ao iene e ao euro, mas sucumbe à libra.
Sem indicadores na agenda norte-americana, em resposta ao feriado para comemorar o surgimento do líder ativista Martin Luther King, investidores direcionam o olhar ao maior continente do mundo.
Por lá, o ministro das Finanças do Japão, Naoto Kan, pediu ao parlamento para que aprove o orçamento o mais rápido possível, a fim de sustentar uma recuperação ameaçada por desemprego e pela deflação.
Duplo mergulho
Dominique Strauss-Kahn, economista-chefe do FMI (Fundo Monetário Internacional), enxerga o risco de um novo tombo na economia mundial, caso os países retirem precocemente as medidas de estímulos. A recuperação da demanda privada e do nível de emprego são premissas para que os governos removam seus estímulos, embora o tempo correto para isto varie de país para país, segundo o economista.
“A recuperação nas economias avançadas está lenta”, disse Strauss-Kahn, completando que se deve “estar cauteloso, pois a retomada tem sido frágil”. Em adição, o economista alerta para a falta de munição dos países, se a recessão voltar à tona. Conforme o olhar do economista, a prioridade dos governos será gerenciar os altos níveis das dívidas públicas, geradas em reflexo das políticas de impulso ao crescimento.
S&P com 10% de valorização
Com base nos indicadores econômicos recentes e nas condições de crédito, o analista do Citi Tobias Levkovich afirmou que os resultados do quarto trimestre podem ser fortes, dando suporte de curto prazo ao S&P 500. Conforme suas projeções, o índice deverá chegar à casa de 1.250 pontos no final do ano. Adicionalmente, Levkovich destaca três fatores possíveis que devem desanimar Wall Street neste ano: fim das compras de securitizações de hipotecas pelo Federal Reserve; aperto monetário na China; e maior otimismo nas projeções de ganhos, o que diminui a incidência de surpresas positivas.
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Banqueiros
Para Robert Lenzer, redator da revista Forbes, o testemunho dos CEOs (Chief Executive Officers) dos bancos Goldman Sachs, JPMorgan, Morgan Stanley e Bank of America Merrill Lynch no Congresso dos EUA foi “patético”. A despeito disto, Lenzer avalia que o mais chocante para seus olhos foi a admissão irônica do CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, de que a equipe de pesquisa do banco nunca pensou que os preços dos imóveis poderia cair e que os valores de imóveis não faziam parte da análise de risco do banco.
Lixo dos títulos, luxo do ouro
Em artigo intitulado “Títulos públicos – o novo lixo?”, o redator da revista Barron’s – ligada ao The Wall Street Journal – Randall Forsyth, alerta para o risco crescente de default ao redor do mundo, da Califórnia ao Japão, com escala na Grécia. Mais adiante o autor ressalta pesquisa da Syandatr and Poor’s, na qual a agência de classificação de risco conclui que a procura crescente por ouro reflete “o nervosismo e a inconstância” dos investidores, além de levantar receios sobre a não utilização de outros portos seguros, como o próprio mercado de títulos públicos.
Rainha endividada
Ainda no cenário de endividamento, o colunista do Financial Times Gillian Tett alerta para o patamar elevado das dívidas pública e privada do Reino Unido. “Se os analistas da McKinsey estiverem certos, o gigante alavancador – pelo menos dentre as economias grandes do Ocidente – é o Reino Unido”, diz Tett, citando projeções da consultoria que mostram o nível bruto das dívidas britânicas públicas e privadas próximo a 449% do PIB (Produto Interno Bruto). No começo da década, a relação era de 350% do nível de produto.
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Brics não se ajudam
“Há muita evidência de que os países membros do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) colaboram atualmente em termos práticos”, questiona Jim O’Neill, analista do Goldman Sachs que inventou o termo Bric. O’Neill diz que não há colaboração explicita, “mas que isso pode mudar no futuro – é só olhar como o Brasil oferta commodities que a China precisa, ou o fato que eles [Brics] detêm ideias similares sobre como gerenciarem suas economias”.
Cenário interno
No Brasil, o Banco Central divulgou o tradicional Relatório Focus, com a opinião das instituições financeiras sobre os principais índices macroeconômicos do País. A FGV (Fundação Getulio Vargas) anunciou seu IPC – S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal), referente à segunda quadrissemana do mês, com inflação de 0,78% no período.
Mais tarde, às 11h00, o Ministério do Desenvolvimento publicará a Balança Comercial. Por último, vale ressaltar que a sessão conta ainda com vencimento de opções sobre ações.