Bolsas operam em alta, com correção do mercado, bons resultados e à espera do Fed

Lucro do Société Générale anima investidor, que vê perdas listadas na véspera como excessivas; Fed decide rumo da política monetária

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SÃO PAULO – Após as perdas da véspera, as bolsas europeias operam em forte alta nesta quarta-feira (4), em linha com os mercados futuros dos EUA, que permeiam o campo positivo. No mercado de commodities, ouro e petróleo sobem e desfavorecem o dólar, que se desvaloriza frente ao euro, à libra e ao iene.

Na maior economia do mundo, olhos atentos ao ADP Employment (11h15), que avalia o nível de emprego do setor privado em outubro. Além desse indicador, ênfase ao ISM Services (13h00), trazendo o desempenho da atividade não-industrial norte-americana no último mês. Como de costume, também haverá a divulgação dos estoques semanais de petróleo (13h30).

Dos indicadores econômicos para a política monetária, destaque para o segundo dia da reunião do Federal Reserve, que decidirá o rumo da taxa básica de juro nos EUA. “O consenso é de que não haverá mudanças, mas há uma possibilidade de alterações no comunicado”, disse Rick Klingman, analista do BNP Paribas.

Resultados de Paris a São Paulo

Na França, o Société Générale listou lucro líquido de € 426 milhões no terceiro trimestre, 133% maior do que o visto no mesmo período do ano passado. O avanço expressivo no lucro deve-se, em parte, ao desempenho positivo da divisão de investimentos, que reverteu o prejuízo de € 240 milhões entre julho e setembro do ano passado para mostrar ganhos de € 133 milhões.

No Brasil, o Bradesco (BBDC4) registrou lucro líquido de R$ 1,81 bilhão no terceiro trimestre, uma baixa de 5,2% em relação ao resultado apresentado em igual período do ano anterior. Frente ao desempenho revelado no trimestre passado, o recuo foi de 21,2%. A carteira de crédito total do banco atingiu R$ 215,53 bilhões nos nove meses deste ano, apresentando evolução de 10,2% em relação a 2008.

Ainda no País, a CSN (CSNA3) divulgou seu resultado operacional do terceiro trimestre deste ano, com lucro líquido de R$ 1,15 bilhão , avanço de 2.775% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando lucrou R$ 40 milhões. No entanto, tanto o Ebitda (geração operacional de caixa) quanto a receita líquida se mostraram declinantes, com quedas respectivas de 53% e 26%.

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“Mercados vulneráveis a notícias ruins”

À luz da recente tendência de forte realização de lucros nos mercados, o estrategista da RBS Securities Alan Ruskin acredita que “há um risco, pois as pessoas que ganharam dinheiro com as negociações estão se retraindo, à medida que chega o final do ano”. Nesse sentido, Ruskin observa que, “mercados sob correção, assim como agora, estão vulneráveis a notícias ruins e é difícil que notícias boas consigam impulsionar um rali”.

Mundo colado na Ásia

Para o Société Générale, embora haja a ampla disseminação da tese de descolamento na economia mundial, o crescimento da Ásia deverá refletir positivamente sobre os países do Ocidente – movimento reverso ao visto antes da crise financeira. “O que acontece agora é que a causalidade do acoplamento está agora do outro lado”, completam os analistas, que destacam também a demanda doméstica como um dos impulsos à expansão asiática.

Inflação e restrição orçamentária

Na agenda econômica brasileira, a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) divulgou o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) de outubro, com inflação de 0,25% – variação 0,09 ponto percentual acima da vista em setembro. Além disso, há a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, no qual se avalia o valor do salário mínimo necessário para a manutenção de uma família.