Bolsas norte-americanas fecham em forte queda; crédito bancário preocupa investidor

Conteúdo do Portal InfoMoney – Editoria Mercados

Por  Equipe InfoMoney

As bolsas norte-americanas fecharam o último pregão da semana em queda generalizada. Segundo alguns analistas, o mercado acionário fechou em baixa porque os investidores esperavam uma nova redução de 0,5 ponto percentual nos juros norte-americanos, mas que após os números divulgados hoje pelo Departamento de Trabalho dos EUA dificilmente ocorrerá, pelo menos nessa magnitude. Segundo o órgão governamental que divulga os números relativos ao mercado de trabalho dos EUA, descontados os empregos criados em dezembro pelo setor público, o número de vagas criadas foi de 49.000, bem inferior aos 105.000 gerados no total. Além disso, o salário médio cresceu 0,4%, acima dos 0,3% esperados pelo mercado, o que tornará difícil para o Fed tomar uma postura agressiva perante sua política monetária.

Outro fator que está deixando os investidores pessimistas são os rumores de que estaria aumentando o risco de inadimplência dentro do sistema financeiro norte-americano. Os temores são direcionados principalmente às empresas de energia elétrica do estado da Califórnia, que passam por sérias dificuldades, e à repercussão que a inadimplência dessas empresas poderia causar dentro do sistema bancário. Assim, as empresas do setor financeiro tiveram um desempenho ruim no pregão de hoje, juntamente com os setores de tecnologia, varejista e telecomunicações. O setor farmacêutico, por outro lado, foi o destaque positivo do dia, assim como empresas fabricantes de bens de consumo não duráveis.

O Dow Jones Industrial, índice que concentra as blue chips, fechou em baixa de 2,29%, a 10.662,01 pontos. A HP foi a maior queda, com desvalorização de 11,55% após ter suas estimativas de lucro para 2001 reduzidas em quase 6% pela Goldman Sachs. Outros destaques de queda foram os bancos JP Morgan (-5,89%) e Citigroup (-3,59%), as varejistas Wal Mart (-4,00%) e Home Depot (-3,75%) e a 3M (-3,73%), que teve sua expectativa de lucro por ação reduzida pela Lehman Brothers. Já entre os destaques positivos, vale citar as fabricantes de bens de consumo Procter & Gamble (+3,63%) e Johnson & Johnson (+1,29%) e IBM (+0,87%), mesmo havendo sofrido uma pequena redução em suas projeções de lucro pela Goldman Sachs.

O Nasdaq Composite, índice que reúne os papéis das empresas do setor de tecnologia, encerrou o pregão em queda de 6,20%, a 2.407,65 pontos. Entre as empresas que se destacaram negativamente, vale citar as gigantes Cisco Systems (-12,54%), JDS Uniphase (-12,01%), Sun Microsystems (-9,68%) e Oracle (-7,49%). Outro destaque de queda foi as empresas de telecomunicações Qualcomm (-6,57%) e WorldCom (-5,14%). Por outro lado, a Microsoft, que amanhã apresentará seu novo console de videogame Xbox em uma feira de artigos eletrônicos de Las Vegas, fechou em alta de 1,42%. Há rumores de que a maior fabricante mundial de software estaria desenvolvendo um protótipo de seu próprio microcomputador, na tentativa de mostrar aos fabricantes de PCs que ela pode entrar no mercado de hardware se desejar. Essa seria uma suposta estratégia para reconquistar parte da exclusividade perdida com os fabricantes desses equipamentos no fornecimento de sistemas operacionais.

O S&P 500, índice que reflete o desempenho das ações das 500 maiores empresas dos EUA, fechou em queda de 2,62%, a 1.298,35 pontos. Entre as empresas que mais se desvalorizaram, destaque para a Texas Instruments (-9,12%), a Nortel Networks (-8,62%) e o Bank of America (-7,65%), após rumores de que ele estaria preste a sofrer um grande calote de uma empresa californiana para a qual concedeu empréstimos. Por outro lado, os papéis das varejistas K-Mart (+5,05%) e Toys R Us (+3,31%) conseguiram sair do pregão valorizadas. Outros destaques positivos foram as fabricantes de bens de consumo Colgate Palmolive (+3,18%) e Pepsico (+2,11%) e a farmacêutica Bristol Myers (+1,98%).

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