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SÃO PAULO – Nem mesmo a aprovação do voto de confiança parlamentar ao governo grego da véspera é capaz de evitar que os principais mercados de ações voltem a registrar perdas nesta quarta-feira (22), ainda pressionados pelo quadro geral de incertezas sobre a economia global.
Sem empolgar investidores, a notícia de que o governo grego reencontrou suporte político apenas confirmou as expectativas de analistas sobre a aprovação da moção de confiança, o que havia ajudado os mercados a subir no último pregão.
Fato é que os principais índices de ações do Velho Continente operam em leve queda, com a significativa exceção do instável DAX 30 – referência para a bolsa de Frankfurt -, o qual alterna leves ganhos e perdas nesta sessão. Já nos EUA, os contratos futuros sobre os benchmarks de Wall Street apontam para uma nova abertura negativa.
Também a forte agenda de política monetária desta sessão traz cautela aos investidores, ainda em busca de elementos que indiquem com mais clareza a reversão das medidas de estímulo implantadas nos últimos anos. Para isto, atenção à ata do BoE (Bank of England) e à decisão do Federal Reserve.
Nada resolvido
Nesta sessão, os investidores avaliam que o esforço para evitar um calote do país europeu ainda será grande, requerendo a aprovação das impopulares medidas de austeridade fiscal e do apoio dos países europeus, ainda divididos no que diz respeito a repassar custos de uma reestruturação ao setor privado.
“Entretanto, um ponto crucial que ainda precisa ser resolvido é em que medida a reestruturação da dívida grega constituirá um calote, pois isto terá conseqüências para o potencial acionamento dos contratos de CDS (Credit Default Swaps)”, constata Christin Tuxen, analista do Danske Bank.
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Nova rodada de estímulos?
Mais cedo, a autoridade monetária do Reino Unido divulgou a ata de sua última reunião, quando manteve o juro básico e o programa de alívio quantitativo em votação pelo já recorrente placar de 7 a 2, uma vez que dois dos conselheiros do BoE voltaram a sugerir uma alta na taxa básica de juro.
Todavia, os analistas mostraram-se surpresos pela mudança no tom da discussão sobre o programa de compra de ativos, enxergando sinais de uma possível ampliação do pacote tendo em vista a frágil recuperação econômica do país.
Atualmente, o mercado projeta uma suave e paulatina reversão dos estímulos massivos implantados desde a crise financeira global de 2008. Todavia, a dificuldade na retomada de países desenvolvidos pode precipitar um prolongamento destas medidas.
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Após a divulgação da decisão do Fomc (Comitê para o mercado aberto), agendada para as 13H30 (Brasília), o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, deverá conceder uma coletiva de imprensa.
“Nós esperamos que o Fed seja mais cauteloso sobre a perspectiva de crescimento, embora ainda projete uma moderada recuperação no segundo semestre”, disse Tuxen, que ainda sugere uma postura ainda dúbia da autoridade monetária sobre um novo pacote de estímulos quantitativos – chamado de QE3.
Internamente, os investidores avaliam novos indícios de desaceleração da economia. Segundo indicador da Serasa Experian, houve estabilidade da atividade econômica brasileira na passagem de março para abril de 2011, já na série com ajuste sazonal.