Comentário diário

Bolsas mundiais caem com incertezas políticas na Itália

Premiê italiano pode deixar o cargo em breve; abismo fiscal nos EUA colabora para o sentimento negativo

SÃO PAULO – A cautela dá o tom às bolsas mundiais no pregão desta segunda-feira (10). Tanto os mercados europeus, quanto os principais índices acionários dos EUA registram queda nesta manhã, indicando a preocupação dos investidores com a situação política da Itália.

O primeiro-ministro italiano, Mario Monti afirmou no sábado que pretende deixar o cargo logo que o parlamento aprove a legislação orçamental para o próximo ano. Esta decisão surgiu no mesmo dia em que Silvio Berlusconi anunciou que vai se candidatar nas próximas eleições legislativas.

O orçamento deve ser aprovado até o fim do ano, isso significa que a renúncia do premiê pode vir logo em seguida. Nesse cenário, as eleições poderiam acontecer um mês depois.

Recompra de dívida
Também no Velho Continente, a Grécia estendeu até terça-feira a operação de compra de dívida pública. O governo lançou a oferta há uma semana com prazo marcado até a última sexta-feira.

Mas, nesta segunda-feira, o país anunciou a decisão de estender o prazo para participar na recompra de títulos até às 12h00 (horário de Londres) do dia 11 de dezembro. A operação é essencial para que a Grécia possa receber a próxima parcela da ajuda acordada com os credores internacionais. O valor da recompra ronda os € 10 bilhões.

Abismo fiscal
Nos EUA, as negociações para evitar o abismo fiscal continuam no foco. No domingo, o presidente norte-americano, Barack Obama, e o presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner, se encontraram na Casa Branca para um debate sobre o orçamento. Mas, segundo a imprensa internacional, as linhas de negociações continuam abertas.

Economia chinesa
Na Ásia, por outro lado, os mercados acionários fecharam em alta, depois de números positivos sobre a economia da China. A produção industrial do país, bem como as vendas no varejo superaram as previsões no mês passado. O índice da indústria subiu 10,1% em novembro ante o ano anterior, contra estimativa de 9,8%. Já o crescimento das vendas foi de 14,9%.

Mesmo assim, as exportações chinesas aumentaram apenas 2,9% em novembro contra o ano passado, em comparação com a expectativa de alta de 9%. Em outubro, o avanço foi de 11,6%. As importações permaneceram estáveis no confronto anual.