Bolsas mostram indefinição antes de bancos centrais e dados econômicos

Membros do Federal Reserve se encontram nessa tarde, enquanto uma série de indicadores nos EUA podem movimentar o pregão

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SÃO PAULO – Em um dia marcado pelo encontro dos membros do Federal Reserve, a trajetória não é clara para os mercados nesta quarta-feira (1). Enquanto nos EUA os contratos futuros variam entre ganhos de 0,3% e 0,4%, na Europa as bolsas alternam entre ganhos e perdas.

Isso acontece em um pregão marcado por eventos importantes, principalmente nos EUA. Por lá, além do pronunciamento sobre a política monetária do país durante esta tarde – analistas estimam que qualquer decisão importante ficará apenas para o encontro de setembro -, os investidores acompanham uma série de indicadores econômicos.

Ainda antes da bolsa brasileira abrir para negociações, será publicado o ADP Employment de julho, que traz números sobre a criação de vagas no setor privado e é visto como uma sinalização de como será o Relatório de Emprego, a ser divulgado na sexta-feira. Depois de abrir o pregão, o país anuncia o ISM Index, com os números de atividade industrial para julho, assim como os gastos no setor de construção em junho e os estoques semanais de petróleo.

Por aqui, o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) fechou julho com alta de 0,22%, abaixo dos 0,28% na leitura da semana anterior, mas os dados mais relevantes para o mercado são a balança comercial do mês passado, o fluxo cambial semanal e a produção industrial de junho.

Indústria global permanece fraca
Aliás, a indústria é tema no restante do mundo também. Segundo números finais publicados pelo HSBC, a produção na China mostrou elevação pela primeira vez em cinco meses. Apesar disso, o PMI Composto, que mede a atividade tanto do setor de serviços quanto da indústria, continuou no campo da contração, aos 49,3 – valores abaixo de 50 mostram recuo na atividade.

“O número final do PMI da manufatura apenas confirmou uma modesta melhora das condições graças aos efeitos iniciais de medidas de alívio. Mas isso está longe de ser inspirador”, alerta o economista-chefe do HSBC, Hongbin Qu, em relatório.

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Já os números oficiais, divulgados pelo governo chinês, mostram um crescimento da atividade, aos 50,1. Apesar disso, o número é pouco abaixo do consenso dos analistas, que previam um número em torno de 50,5, e está na mínima em oito meses.

Na Europa, o número final do PMI da manufatura sofreu uma leve revisão para baixo sobre os números prévios – passou de 44,1 para 44,0, no pior patamar em 37 meses. “A pesquisa de julho se caracteriza por taxas mais rápidas de declínio na produção e em novos pedidos, levando as manufaturas a cortarem vagas e estoques e sugere um medo entre as empresas em direção a um enfraquecimento nos próximos meses”, escreve Chris Williamson, economista-chefe da Markit Economics.

Todos os caminhos levam à Frankfurt
Mas a atenção mesmo por lá deve ser o encontro do BCE (Banco Central Europeu) na manhã de quinta-feira, em Frankfurt, antes mesmo das bolsas brasileira e norte-americanas abrirem. Depois de uma forte expectativa por medidas decisivas, já há quem questione. “O mercado espera que o BCE tome medidas decisivas para combater a crise do euro, mas reportagens nos últimos dias sugerem que a quinta-feira pode ser cedo demais pra qualquer grande ação do BCE”, frisa Allan von Mehren, analista-chefe do Danske Research.

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Aumenta o temor dos investidores a posição da Alemanha sobre medidas mais radicais. Em uma entrevista à revista interna do banco central alemão, o Bundesbank, o presidente da instituição e membro do conselho do BCE, Jens Weidmann, voltou a reforçar que a autoridade monetária europeia deve respeitar seu mandato – jogando mais dúvidas sobre a promessa de Mario Draghi em fazer o que for necessário para salvar o euro.