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SÃO PAULO – Sem um comprometimento conciso do Federal Reserve e certo ceticismo ao redor do pacote de emprego anunciado por Barack Obama na última noite, as principais bolsas internacionais sinalizam nova sessão de perdas nesta sexta-feira (9).
“A falta do anúncio de medidas concretas no pronunciamento do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, já pesou sobre as bolsas norte-americanas, que fecharam no campo negativo na quinta-feira”, explica Marco Melo, head de análise da Ágora Corretora.
Pacote
Já o anúncio de Barack Obama, feito após o fechamento do mercado, só tem seus reflexos sentidos nesta sessão. O plano contempla injeções da ordem de US$ 447 bilhões na economia para estimular o emprego através de investimentos em infraestrutura, subsídios a governos estaduais e municipais e, principalmente, corte de impostos.
Com esse último ponto, Obama pretende não ter problemas para aprovar as medidas no congresso dividido com a oposição republicana, uma vez que o corte de impostos faz parte de um dos dogmas do partido.
Desconfiança?
No entanto, a expectativa gerada desde o início da semana parece já ter precificado o pacote nas principais bolsas internacionais, que digerem o anúncio oficial sem entusiasmo. Além disso, paira sobre o mercado certa desconfiança sobre a capacidade efetiva do governo norte-americano de implantar tais medidas, principalmente em um momento em que o mundo acompanha de perto sua saúde fiscal.
Por ora, os principais índices futuros dos EUA registram leve baixa, enquanto na Europa, já em pregão regular, as perdas são mais extensas, chegando a 1% – mantendo a alta volatilidade que impera nas bolsas desde o início de agosto.
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Outras influências
“Não há influências significativas previstas na agenda”, aponta Arne Lohmann Rasmussen, analista chefe do Danske Bank, o que indica que há poucos eventos previstos, como divulgação de indicadores, capazes de mexer com a trajetória do mercado.
Contudo, a volatilidade do mercado segue diretamente atrelada a mudanças na percepção de risco, principalmente com eventuais notícias sobre a crise na Europa, principalmente acerca da Grécia e do setor bancário de todo o bloco.
Grécia ainda no centro da pauta
Neste sentido, há um forte debate ao redor do envolvimento do setor privado no programa de reestruturação fiscal da Grécia, passando pela rolagem voluntária da dívida pública. Segundo agências internacionais, Atenas já conta com o apoio de 70% do bancos do país, porém, estaria disposta a efetivar o plano quando essa fatia chegasse a no mínimo 90% para evitar uma percepção de operação unilateral junto ao mercado.