Bolsas externas instáveis, entre resultados e expectativa com agenda

EUA anunciam apoio a oposição na Líbia; atenção passa para balanços corporativos e indicadores econômicos

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SÃO PAULO – A agenda econômica e corporativa volta a dominar o noticiário nesta segunda-feira (28), guiando também o comportamento dos mercados externos. As bolsas asiáticas, por exemplo, fecharam em alta, enquanto os principais índices na Europa apresentam instabilidade, referenciados por resultados corporativos. 

Os futuros norte-americanos, por sua vez, indicam abertura em baixa. Com a cotação do petróleo próxima à estabilidade, em US$ 97 por barril, o foco desloca-se das tensões na Líbia e em outros países árabes e fica concentrada na expectativa pela agenda econômica do dia, que traz dados sobre gastos e renda pessoais, além de vendas pendentes de imóveis. 

Rebeldes ganham espaço
Embora a situação na Líbia continue sem solução próxima, a coordenação entre as potências globais para elevar a pressão sobre o governo de Muammar Khaddafi e forçar a saída do ditador do poder contribuiu com a diminuição da aversão ao risco. Nesta segunda-feira, a expectativa fica com a reunião da Comissão de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) em Genebra, na Suíça. A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, é uma das presenças mais aguardadas.

Hillary disse a agências internacionais que os Estados Unidos irão fornecer “qualquer tipo de ajuda” aos manifestantes líbios que visam derrubar o Khaddafi. A oposição vem ganhando espaço e organização. De acordo com o The New York Times, manifestantes guardam a cidade de Zawiyah, próxima à Trípoli, com tranques e armas, e oficias desertores contribuem para aumentar o contingente de rebeldes. 

Na Líbia, o governo convidou jornalistas para uma coletiva de imprensa em Trípoli, a capital do país, que visou mostrar que as forças leais ao governo não têm o que esconder. Um porta-voz, Musa Ibrahim, declarou que não houve bombardeio e nem violência displicente contra civis. 

Investidores olham resultados
Ainda que as tensões estejam no radar, de olho no comportamento do petróleo, a pauta no noticiário econômico europeu foi dominada por resultados. O HSBC divulgou seus números do ano passado. Pressionado pela queda no desempenho do banco de investimentos, o resultado, com lucros de US$ 13,2 bilhões, decepcionou os analistas ao ficar abaixo das projeções. 

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Por outro lado, os números reportados por outras empresas impulsionam as ações para o campo positivo. Com lucro em 2010 três vezes maior que o apurado no ano anterior, a inglesa Pearson fica em destaque, assim como os papéis da montadora Volkswagen.

Entre os indicadores econômicos divulgados, a inflação ao consumidor na Zona do Euro em janeiro teve, segundo a Eurostat, agência oficial de estatísticas da Comissão Européia, taxa anual de 2,3%.

Detalhes do corte no Orçamento
Por aqui, o destaque também segue com a temporada de balanços. Na noite de sexta-feira (25), a Petrobras (PETR3, PETR4) mostrou lucro líquido de R$ 35,9 bilhões em 2010, na comparação com o ano anterior, superando em 18,6% a média das estimativas compiladas pela InfoMoney. Já o Ebitda e a receita líquida do trimestre vieram 12,3% e 5%, respectivamente, abaixo do que foi projetado.

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A TAM (TAMM4), por exemplo, anunciou que no quarto trimestre registrou lucro líquido de R$ 150 milhões, alta de 8% em relação ao mesmo período do ano passado, com receita líquida operacional de R$ 3,2 bilhões. Em contrapartida, no ano de 2010 o lucro recuou 49% em relação a 2009, apesar de um aumento de 16,5% na receita no período.

Após o fechamento, também divulgam seus balanços relativos ao quarto trimestre a M. Dias Branco (MDIA3), Multiplan (MULT3) e Tegma (TGMA3).

Ainda assim, vale destacar a Sondagem Industrial do mês de fevereiro, divulgada pela FGV (Fundação Getulio Vargas). O ICI (Índice de Confiança da Indústria) teve redução de 0,3% na passagem mensal, passando de 112,8 para 112,5 pontos – já com ajuste sazonal. O relatório Focus do Banco Central, por sua vez, mostrou nova redução da expectativa para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2011, de 4,5% para 4,3%. 

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A projeção para a inflação, por sua vez, continuou em alta, e alcançou estimativa de 5,8% para o final do ano. Assim, ganha relevância a entrevista coletiva dos ministros da Fazenda e do Planejamento, Guido Mantega e Miriam Belchior, às 12h30 (horário de Brasília), quando irão detalhar o corte de R$ 50 bilhões no Orçamento, conforme anunciado no início do mês.