Bolsas europeias têm maior queda em sete meses, avaliando temor sobre Dubai

Bancos europeus, que podem ter US$ 40 bilhões de exposição ao Dubai World, registraram as maiores baixas da sessão

Por  Equipe InfoMoney

SÃO PAULO – As principais bolsas europeias encerraram em forte queda nesta quinta-feira (26), avaliando o pedido de extensão do prazo para pagamento das dívidas do Dubai World, fundo de investimento gerido pelo governo de Dubai. Com uma exposição dos bancos ao fundo de até US$ 40 bilhões, o sistema financeiro registrou baixas na sessão.

O índice FTSEurofirst 300 perdeu 38 pontos, com desvalorização de 3,2%, a maior queda percentual em sete meses, e ficou no menor patamar em três semanas, com 991 pontos.

Com o mercado norte-americano fechado por causa do feriado de Ação de Graça, a principal referência da sessão ficou com o default de Dubai, que propôs aos credores atraso de seis meses para o pagamento de títulos da dívida.

Setor financeiro

Segundo analistas do Credit Suisse, a exposição dos bancos europeus ao fundo pode chegar a US$ 40 bilhões. Em estimativa da instituição, uma perda de 50% na exposição dos bancos pode levar a um aumento da provisão para perdas de 5% no próximo ano.

Não à toa, as instituições financeiras estiveram entre as maiores perdas da sessão. Em Frankfurt, o Deutsche Bank recuou 5,65%, segunda maior desvalorização no índice DAX 30, e o Commerzbank viu suas ações caírem 3,71%. Em Paris, os papéis do Société Générale recuaram 5,48% e os do Credit Agricole fecharam em baixa de 5,19%.

Em Londres, o Barclays – que afirmou que a exposição do banco ao fundo não é significativa – liderou as perdas no FTSE 100, com os papéis em baixa de 7,97%. As ações de Royal Bank of Scotland (-7,74%), London Stock Exchange (-7,37%) também estiveram no topo das desvalorizações. Os bancos Lloyds e HSBC também encerraram em queda.

Setor automotivo também é afetado

Os papéis ds Porsche caíram 7%, com o temor de que o Qatar corte sua participação de 10% das ações da empresa para conseguir liquidez após o anúncio de Dubai. As ações da Volkswagen também recuaram, encerrando com a maior desvalorização no DAX 30, em baixa de 6,13%.

Já a Daimler viu seus papéis recuarem 4,7%, também devido a temores quanto a cortes na participação acionária por parte de fundos da região. Neste caso, o Kwait possui 6,9% das ações e o fundo de investimentos de Abu Dhabi tem 9,1% de participação.

Commodities também recuam

Os preços dos metais, sobretudo do cobre, e as cotações do petróleo recuaram no pregão, levando a baixas das empresas de matérias-primas e energia. As ações da mineradora Xstrata caíram 6,84%, enquanto a empresa de metal Kazakhmys viu os papéis recuarem 6,40%.
Pane em Londres

Por fim, vale ressaltar que as operações na Bolsa de Londres ficaram interrompidas durante cerca de três horas, devido a problemas técnicos.

Cotações de fechamento


O índice CAC 40 da bolsa de Paris apresentou desvalorização de 3,41% a 3.679 pontos, acumulando no ano forte alta de 14,33%, enquanto
o FTSE 100 da bolsa de Londres encerrou em forte baixa de 3,18%, atingindo 5.194 pontos e sua variação no ano acumula forte alta de 17,14%.

A Bolsa de Frankfurt, apresentou uma forte baixa de 3,25% , atingindo 5.614 pontos, acumulando uma forte valorização de 16,71%.

%Var DiaPontos%Var 30D%Var Ano
FTSE 100-3,185.194-0,13+17,14
DAX 30-3,255.614-0,37+16,71
CAC 40-3,413.679-1,73+14,33
SMI-2,166.283-1,33+13,53
FTSE MIB-3,6021.922-3,97+12,65
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