Bolsas estrangeiras acendem sinal de alerta para queda do Ibovespa

Em meio à expectativa por fracasso em encontro da UE, bolsas, commodities e mercados futuros indicam queda

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SÃO PAULO – Os mercados internacionais enviam um sinal para os investidores por aqui: o Ibovespa deve dar continuidade às perdas nesta segunda-feira (25). Na semana anterior, o índice caiu 1,19% e fechou aos 55.439 pontos.

Nos EUA, os principais contratos futuros sinalizam que o pregão por lá abrirá no negativo – as perdas variam entre 0,6% e 0,8%. Na Europa, os principais índices acionários amargam perdas superiores a 1,5%. Na Espanha, o índice Ibex 35 parece sofrer mais, em uma queda de 2,4%.

Espanha pede resgate, mas de quanto?
Por lá, o ministro de Economia Luis de Guindos apresentou formalmente o pedido de resgate, mas não apresentou nenhum valor. O país acertou no início do mês um empréstimo de até € 100 bilhões, mas no final da última semana a auditoria dos bancos revelou a necessidade de € 62 bilhões. Dessa forma, mais uma data, dessa vez para mais detalhes, foi fornecida: 9 de julho.

Nesse meio tempo ocorre o encontro de cúpula da União Europeia, marcado para iniciar na quinta-feira e se encerrar na sexta-feira. Mas, depois de tantos encontros sem resoluções concretas – e com o bloqueio da Alemanha para diversas medidas -, o clima é de pessimismo.

Fracasso de encontro pode ser fracasso da UE
Em entrevista à Bloomberg TV, o megainvestidor norte-americano George Soros alertou que um fracasso no encontro pode levar a moeda comum à morte. Para ele, a Europa deveria dar início a um fundo para comprar títulos públicos italianos e espanhóis – que, após dias de queda, voltam a apresentar forte alta nesta manhã.

A visão negativa sobre o encontro é reforçada após a mídia grega anunciar que tanto o primeiro-ministro do país quanto o ministro de Finanças não comparecerão por problemas de saúde. O país enviará o ministro de relações exteriores, que terá a missão de negociar a suavização dos termos do pacote de € 130 bilhões concedido aos gregos.

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O pessimismo também é visto nos mercados de commodities, onde a sinalização é a mesma: negativa. O barril do petróleo negociado nos EUA cai, mais uma vez, para abaixo de US$ 80, em uma sinalização para o fraco crescimento global.

Pedidos por estímulos e Chipre
Parte desse clima negativo decorre das revisões negativas para a economia chinesa. Dessa vez, foi a vez do Citi cortar projeção de crescimento para o país oriental, passando 8,1% no ano para 7,8%.

Além do mais, medidas de estímulo geram controvérsia em diversas partes do globo. Enquanto na China se espera uma atitude mais agressiva do governo, no Reino Unido David Miles, um dos membros do BoE (Bank of England), defendeu em entrevista ao Financial Times uma injeção adicional de £ 50 bilhões na economia, já que apenas uma rodada substancial de recursos faria com que o país apresentasse alguma recuperação.

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Para concluir, a Fitch cortou o rating de Chipre de BBB- para BB+. Isso é, o país deixou de ser grau de investimento. A agência de classificação de risco alertou que o anúncio incorpora a forte exposição das instituições financeiras do país à Grécia.

Forte agenda de indicadores nacionais
Por fim, a agenda de indicadores no cenário internacional é pouco relevante, mas por aqui alguns dados podem dar uma sinalização melhor da economia brasileira. O destaque fica por conta do PIB de abril, medido pela Serasa Experian, mas a Nota de Mercado Aberto e a balança comercial também podem atrair atenção. 

O Relatório Focus, tradicionalmente publicado às segundas-feiras, mostrou pela sétima semana seguida uma piora nas expectativas de crescimento. Segundo o levantamento com o mercado, o PIB (Produto Interno Bruto) deverá crescer 2,18% no ano, enquanto a inflação aparece pela primeira vez abaixo de 5,00%, aos 4,95%. A produção industrial, que há quatro semanas era estimada em 1,58%, também preocupa, já que a estimativa passa para um crescimento de apenas 0,50% nesse relatório.

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Além do mais, já foram divulgados, mais cedo, o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor), que mostra mais uma vez a desaceleração na alta dos preços: elevação de 0,16% na última semana, contra 0,28% no período imediatamente anterior e a menor variação desde a primeira semana de agosto. No entanto, a confiança do consumidor recuou em junho, mostrou o índice medido pela FGV (Fundação Getulio Vargas), em uma queda de 2,8% sobre o mês anterior, pressionado principalmente pelas expectativas futuras, que retraíram 5,9%.