Bolsas em baixa, divagando sobre confiança e à espera de indicadores nos EUA

BoJ quer recuperar confiança, que cai inesperadamente entre empresários alemães; após dois séculos, capitalismo deu certo?

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SÃO PAULO – As bolsas europeias operam em baixa nesta terça-feira (23), em linha com os mercados futuros dos EUA. As cotações do petróleo e do ouro caem, favorecendo o dólar, que se valoriza frente às principais divisas do mundo: iene, euro e libra esterlina.

Nos EUA, olhos atentos ao Consumer Confidence (12h00) de fevereiro, responsável por medir a confiança dos consumidores em cerca de cinco mil lares norte-americanos. Às 11h00, há o S&P/Case-Shiller Home Price de dezembro, com a trajetória dos preços das casas, medido por meio de uma média móvel trimestral.

Manutenção japonesa, queda alemã
O BoJ (Bank of Japan) declarou que o crescimento das dívidas públicas no mundo elevou a necessidade de políticas para manter a confiança dos investidores, segundo minuta de sua última reunião. “Se tornou mais importante do que tudo a manutenção da confiança do mercado na conduta das políticas fiscal e monetária”.

De Tóquio para Berlim, a confiança dos empresários na Alemanha recuou de forma inesperada durante fevereiro, de 95,8 pontos para 95,2 pontos – a primeira queda em 11 meses, de acordo com o instituto Ifo. Analistas esperavam alta no período, para 96,1 pontos.

Capitalismo não deu certo
Para Joseph Stiglitz, Nobel de Economia e professor da Universidade de Columbia, há dois fatos que provam como o capitalismo deu errado: separação entre o gerenciamento e a posse de uma empresa; e conflitos de agência – segundo entrevista à Forbes.

Quanto ao primeiro problema, o professor cita o exemplo do setor financeiro durante a crise, em que executivos saíram com milhões de dólares e detentores de títulos ficaram sem nada. Já em relação ao segundo, Stiglitz observa que a maioria dos investidores não se preocupa mais com a firma, mas apenas com os retornos.

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Tango entre euro e ouro
Sob condições normais de temperatura e pressão, o dólar se correlaciona negativamente com o ouro. Contudo, diante da pressão fiscal elevada na Grécia e do calor dos receios quanto a um default, o euro vem ocupando o lugar do dólar no último mês, conforme o olhar de Dian Chu, analista e redator do blog Economic Forecasts and Opinions. Diante do cenário avesso ao euro, Chu observa que investidores alocam seus recursos em ouro e em dólar.  

Recorde?
Steven Wieting, analista do Citi, acredita que o último trimestre de 2009 foi favorável às corporações. “Se não fosse pelo pagamento de US$ 14,4 bilhões do Tarp (Troubled Assets Relief Program) no setor financeiro, o avanço no volume agregado de ganhos de 9% no último trimestre seria um crescimento recorde de 19,5%”, completa o analista, ao ressaltar a retomada dos lucros.

Por aqui
No Brasil, destaque para o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), com inflação de 0,94%. Já o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal), divulgado pela FGV (Fundação Getulio Vargas), calcula a taxa mensal de variação dos preços, apesar da periodicidade semanal. O indicador marcou variação positiva de 0,84%.

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Às 10h00, o Banco Central divulga a Nota do Setor Externo, que contém informações sobre o balanço de pagamento e as reservas internacionais. Meia hora mais cedo, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) publica a Pesquisa Mensal do Comércio, que acompanha a evolução da atividade comercial no País.

Resultados em foco
No front corporativo, destaque para o declínio de 40,8% no lucro líquido da CCR (CCRO3)
durante o último trimestre, que somou R$ 111,7 milhões; e para o avanço de 53,4% no lucro líquido das Lojas Renner (LREN3) no mesmo período. Os ganhos da varejista totalizaram R$ 100,3 milhões.

Por último, as seguintes empresas divulgarão seus números nesta terça-feira: Kroton, GVT, TIM, BM&F Bovespa e ABnote.