Bolsas em alta, com avanço das exportações na China e maior produção britânica

Volume de exportações sobe 21% em janeiro, enquanto produção vê alta de 0,9%; "especuladores precisam de uma lição", diz Nobel

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SÃO PAULO – As bolsas europeias operam em alta nesta quarta-feira (10), tendência semelhante à vista no outro lado do Atlântico, onde os mercados futuros dos EUA sobem. As cotações do petróleo e do ouro avançam, desfavorecendo o dólar, que se desvaloriza frente às principais divisas do mundo – euro, libra esterlina e iene.

Nos EUA, olhos atentos ao Treasury Budget (17h00), com o orçamento do Tesouro de janeiro. Mais cedo, às 11h30, será divulgada a Trade Balance, que medirá a balança comercial de dezembro. Já às 13h30, destaque para a medição dos estoques de petróleo.

Vale ressaltar ainda os discursos de Daniel Tarullo, membro do Federal Reserve; do presidente regional do Fed da Filadélfia, Charles Plosser; além das anotações de Ben Bernanke, presidente do Fed, que teve sua apresentação postergada no Congresso devido ao mau tempo. 

Exportações chinesas, manufatura inglesa
Na China, as exportações relataram avanço de 21% em janeiro, na relação mensal. A variação positiva ocorre pelo segundo mês consecutivo e ajuda a reduzir temores de uma nova queda, dados os 13 declínios anteriores à sequência ascendente. Quanto às importações, essas relataram alta recorde de 85,5% em comparação ao mês anterior.  

De Pequim a Londres, a produção da manufatura no Reino Unido cresceu 0,9% durante novembro último, na base mensal, acima do esperado por analistas. Contudo, na comparação ano a ano, a queda foi de 1,9%. No acumulado em 2009, a produção da manufatura mostrou contração de 10,5%.

Lição do Nobel
Joseph Stiglitz, Nobel de Economia e atual conselheiro informal do governo da Grécia, negou que o país helênico necessite de um resgate e clamou por intervenção estatal nos mercados, para “ensinar os especuladores uma lição”.

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Nesse sentido, o professor da Universidade Nova York se espelha na Ásia e no modelo adotado por Hong Kong, que interveio no mercado acionário e elevou a taxa básica de juros.

Remetendo à máxima de Keynes (quando a realidade econômica muda, minha convicção acadêmica também o faz), Stiglitz afirmou: “eu penso que as coisas mudaram. Dez anos atrás minha visão seria bastante diferente”.

Crise soberana de crédito
Para Jamie Searle, analista do Citigroup, a crise soberana de crédito deverá se acentuar em 2010, tendo a Grécia como protagonista e outros países, como Portugal e Irlanda, no papel de coadjuvantes (podendo aspirar para atores principais). “O final do jogo deverá ser provavelmente com os países da Zona do Euro dando suporte à Grécia”, completa o analista, que recomenda a venda de títulos do tripé Portugal, Irlanda e Espanha, contra os títulos públicos de países mais sólidos, como Holanda, Finlândia e Áustria.

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Consumo em xeque nos EUA
Mark Smitha, autor do blog Fund My Mutual Fund – que foi criado para captar recursos e conta atualmente com ativos de US$ 3 milhões –, acredita que o principal fator para a não decolagem da economia norte-americana é o fraco nível de consumo. Conforme seu olhar, a timidez da demanda final deve-se ao declínio nos salários reais e à política monetária do Federal Reserve, responsável por corroer o poder de compra do dólar. “Estamos indo a uma longa e franca recessão”, conclui Smitha.

Não é suficiente
Jaime Caruana, presidente do BIS (Bank for International Settlements), acredita que a quantia de capital detida pelos bancos não é suficiente para assegurar uma estabilidade financeira. Diante da alavancagem, o chairman defende uma maior vigília. “A resposta não é para reprimir os mercados financeiros”, disse, completando: “é para reconhecer que os mercados precisam de regras, restrições e monitoramento cuidadoso para que as falhas sejam menos frequentes e menos onerosas”.

Cenário interno
No Brasil, foi divulgado pela FGV (Fundação Getulio Vargas) a prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) deste mês, que relatou inflação de 0,98% no primeiro decênio de fevereiro.

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No âmbito corporativo, destaque para os resultados da NET (NETC4), com lucro líquido de R$ 306 milhões; e da Vivo (VIVO4), que mostrou lucro líquido de R$ 221,6 milhões.

Além disso, as seguintes empresas farão teleconferência com seus acionistas, referentes aos resultados divulgados na véspera: NET (10h00), Indústrias Romi (10h30), Itaú Unibanco (11h00) e BrasilAgro (12h00).