Bolsas dos EUA seguem em queda, com agenda e discursos pessimistas

Temores sobre double-dip nos EUA e na Europa voltam à tona; no front corporativo, destaque para a continuidade da disputa pela 3PAR

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SÃO PAULO – Entre temores quanto à recuperação econômica dos Estados Unidos e da Europa, as bolsas norte-americanas operam em queda na tarde desta terça-feira (24). O principal indicador da sessão, relativo ao setor imobiliário, veio abaixo das expectativas e inspira cautela. Discursos e o front corporativo também ficam em foco no dia.

O índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia, opera em desvalorização de 1,57% e atinge 2.126 pontos. O S&P 500, que engloba as 500 principais empresas dos EUA, negocia em baixa de 1,45% a 1.052 pontos, enquanto o Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, cai 1,27%, chegando a 10.045 pontos.

% Var Dia Pontos
 Dow Jones -1,27 10.045
 S&P 500 -1,45 1.052
 Nasdaq -1,57 2.126

Agenda
O Existing Home Sales mostrou que as vendas anualizadas de casas usadas nos EUA registradas em julho atingiram o patamar de 3,83 milhões, número inferior às estimativas do mercado, de 4,72 milhões. Além disso, o número ficou também bastante abaixo do registrado em junho, quando o volume anualizado de vendas foi de 5,26 milhões de casas, segundo dados revisados.

Discursos
Declarações feitas sobre a economia europeia pioram ainda mais os ânimos. O ganhador do prêmio Nobel, Joseph Stiglitz, afirmou que a Europa enfrenta um risco de voltar à recessão (o famoso double-dip) enquanto os governos tomam medidas para reduzir os déficits orçamentários. “Cortar os investimentos de elevada rentabilidade, apenas para melhorar a perspectiva para o déficit orçamentário é realmente absurdo”, afirmou o economista.

Acompanhando o sentimento negativo de Stiglitz, Martin Weale, novo membro do BoE (Bank of England), declarou que o Reino Unido corre o risco de retornar à recessão, apontando que as projeções de crescimento do banco central para este ano e o próximo podem estar muito otimistas.

A economia norte-americana também não escapou de previsões negativas. Para David Rosenberg, economista-chefe da gestora Gluskin Sheff, os indicadores do país mascaram uma trajetória na mesma direção da Grande Depressão de 1929. Resenberg diz que os sinais positivos vindos da agenda econômica nos últimos meses são insustentáveis e apenas produzem a falsa sensação de estabilidade.

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Por sua vez, o presidente do Federal Reserve de Chicago, Charles Evans, afirmou que o risco de um double-dip avançou nos últimos seis meses e, embora uma contração na economia seja menos provável, tanto o desemprego como a debilidade do mercado imobiliário deverão levar a uma recuperação bastante frágil.

Cenário corporativo
A percepção negativa em torno do segmento imobiliário é reforçada pelas projeções da CRH, uma grande produtora de materiais de construção. A companhia divulgou que o enfraquecimento do mercado norte-americano tem grande responsabilidade pela retração de 77% em seus lucros do primeiro semestre, comparado com o ano anterior. Seus ADRs (American Depositary Receipts) despencam mais de 15%.

Dentre as empresas, a Dell se destaca por rumores de que irá enviar uma proposta de US$ 1,7 bilhão pela aquisição da 3PAR, dando continuidade à disputa com a HP pela companhia de armazenamento de dados. Com isso, os papéis da Dell e os da HP operam com desvalorizações de 4,5% e de 1,4%, respectivamente, enquanto os da 3PAR têm alta de quase 3%.

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O Burger King surpreendeu o mercado ao divulgar nesta manhã lucro de US$ 0,36 por ação no quarto trimestre fiscal, enquanto analistas previam ganhos de US$ 0,33 por papel. A cadeia de fast food, porém, mostrou receitas abaixo do esperado e afirmou que seus negócios permanecerão pressionados pela queda nas vendas. As ações da empresa sobem 0,8%.

Na disputa pela aquisição da Potash, notícias indicam que a Rio Tinto pode fazer uma oferta pela companhia de fertilizantes, em um parceria com uma empresa chinesa. A Potash, cujas ações recuam 0,5%, negocia com possíveis compradores uma oferta melhor do que os US$ 39 milhões oferecidos pela BHP Billiton.