Bolsas dos EUA perdem força no final da tarde e encerram com sinais opostos

Apesar da forte alta do setor bancário, expectativa negativa da Moody´s em relação ao rating norte-americano acelera realização

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SÃO PAULO – Os principais índices das bolsas norte-americanas encerraram esta terça-feira (7) com sinais opostos, com o Dow Jones revertendo seu viés positivo nos últimos minutos do pregão, em pregão marcado pela repercussão ambígua com relação ao plano de isenções de impostos proposto por Obama.

O índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia, fechou em leve alta de 0,14% a 2.598 pontos, acumulando no ano forte alta de 14,51%. O S&P 500, que engloba as 500 principais empresas dos EUA, encerrou o pregão em leve valorização de 0,05% atingindo 1.224 pontos e subindo 9,74% no ano.

Por outro lado, o Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, apresentou queda de 0,03% hoje, chegando a 11.359 pontos e acumulando no ano forte alta de 8,93%.

% Var Dia Pontos %Var 30D %Var Ano
 Nasdaq +0,14 2.598 +0,76 +14,51 
 S&P 500 +0,05 1.224 -0,17 +9,74 
 Dow Jones -0,03 11.359 -0,74 +8,93 

Corte de impostos
Pela manhã, o presidente norte-americano, Barack Obama, anunciou um acordo com o partido Republicano para estender todos os cortes de impostos implantados na era Bush por mais dois anos. A saída negociada mostrou-se como resultado direto das eleições recentes para o Congresso, em que os republicanos obtiveram maioria na Câmara dos Deputados.

Entre os itens propostos, estão a manutenção dos dividendos, o corte de dois pontos percentuais sobre impostos sobre os salários por um ano, a prorrogação por mais 13 meses dos benefícios ao desemprego, um corte de um ano nos impostos sobre o seguro social e um imposto de 35% para as propriedades cuja isenção é de US$ 5 milhões.

Pela tarde, Steven Hess, da Moody’s, em entrevista para a Reuters afirmou que a classificação da dívida soberana dos Estados Unidos no longo prazo poderia ser prejudicada pelas medidas. Ele disse que não está preocupado com a extensão dos cortes fiscais da era Bush nos próximos 18 meses a dois anos, mas sim com o que pode acontecer depois desse prazo, quando as isenções devem expirar novamente.

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Por outro lado, o Consumer Credit foi divulgado no final da tarde e revelou alta ajustada sazonalmente de US$ 3,4 bilhões no montante de crédito concedido ao consumidor norte-americano na passagem entre setembro e outubro. O resultado veio acima das projeções, que indicavam queda de US$ 2,5 bilhões no período.

Setor bancário
O departamento do Tesouro norte-americano vendeu o restante das ações do Citigroup (+3,82%) em posse do governo, que totalizaram 2,4 bilhões de papéis ordinários a US$ 4,35 cada. Desta forma, foi encerrado o ciclo implementado pelo governo norte-americano durante a crise financeira para o resgate do banco.

Ainda no setor, o Bank of America (-0,6%) concordou em pagar US$ 317 milhões para liquidar as investigações sobre seu envolvimento em uma conspiração para manipular a oferta em 88 contratos de títulos municipais, segundo a SEC (Comissão de Valores Mobiliários) e o Departamento de Justiça dos EUA.

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Cenário corporativo
O plano de corte de impostos nos Estados Unidos também contribui para a formação de um bom cenário para a alta no preço das commodities metálicas. Os ADRs (American Depositary Receipts) das mineradoras Rio Tinto, BHP Billinton e ArcelorMittal subiram 1%, 0,14% e 0,76%, respectivamente.

Já os ativos da Talbots, que atua no setor de vestuário feminino, despencaram 22,65% após a empresa ter divulgado a redução de sua estimativa de lucro por ação neste ano de US$ 0,92 para US$ 0,78 por papel.

No mesmo sentido, apesar de ter elevado as estimativas de vendas para 2011 para US$ 30,5 bilhões e superar as estimativas de analistas, as ações da 3M recuaram 3,1%.