Bolsas dos EUA invertem tendência e fecham em alta no dia e na semana

Principal foco de atenção foi a alta inesperada na taxa de desemprego em novembro, mas pessimismo acabou sendo diluído

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SÃO PAULO – As bolsas norte-americanas inverteram a tendência no final do pregão para terminar esta semana com altas superiores a 2%. Antes mesmo do início do pregão, a divulgação do Relatório de Emprego dos Estados Unidos decepcionou as expectativas do mercado sobre a recuperação econômica do país. 

O índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia, fechou em leve alta de 0,47% a 2.591 pontos, acumulando no ano forte alta de 14,20%. O S&P 500, que engloba as 500 principais empresas dos EUA, encerrou o pregão em leve valorização de 0,26% atingindo 1.225 pontos e subindo 9,83% no ano, enquanto o Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, apresentou alta de 0,17% chegando a 11.382 pontos e acumulando no ano forte alta de 9,15%.

% Var Dia Pontos %Var 30D %Var Ano
 Nasdaq +0,47 2.591 +2,02 +14,20 
 S&P 500 +0,26 1.225 +2,23 +9,83 
 Dow Jones +0,17 11.382 +1,49 +9,15 

No centro das atenções, o Relatório de Emprego mostrou que a taxa de desemprego subiu para 9,8% em novembro, surpreendendo o mercado, que previa a estabilidade do desemprego na casa de 9,6%. Ademais, foi mostrada a criação de 39 mil vagas de trabalho, abaixo das 130 mil esperadas.

Os ganhos por hora trabalhada mantiveram-se estáveis, contrariando as projeções dos analistas, de alta de 0,1%. Por fim, a média de horas trabalhadas por semana (Average Workweek) se apresentou em 34,3 horas, em linha com as expectativas dos analistas.

Para os analistas da LCA Consultores, o aumento da taxa de desemprego pode ter sido influenciado pelo procedimento de ajustamento sazonal do indicador, uma vez que o mesmo foi na direção inversa à sugerida pela redução recente dos pedidos de seguro-desemprego no país.

A LCA aponta que pode haver alguma aceleração no ritmo da criação de empregos nos próximos meses, particularmente durante o primeiro semestre de 2011, mas ressalta que o crescimento será “em ritmo insuficiente para reduzir de maneira significativa a taxa de desemprego ou para estimular uma aceleração relevante do consumo das famílias”.

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Também em destaque
O Factory Orders apresentou recuo de 0,9% em novembro – melhor do que o previsto pelo mercado, que esperava uma perda de 1,3%. Já o ISM Services, que mede o nível da atividade do setor de serviços, apontou 55 pontos na medição de novembro, enquanto o previsto girava ao redor de 54,5 pontos. 

No plano político, a Comissão de Dívida do governo Barack Obama rejeitou um plano para cortar em US$ 3,8 bilhões o déficit público, que incluiria aumento de impostos e cortes em programas como Previdência Social e Seguro Médico.

Por fim, a Standard & Poor’s anunciou que ter colocado o rating de crédito de longo prazo da Grécia, atualmente em “BB+”, em revisão, com perspectiva negativa, enquanto avalia as possíveis implicações para as contas gregas da aprovação, pelo Conselho Europeu, do Mecanismo de Estabilidade Europeia. Para a agência, alguns bancos poderão sofrer com o possível rebaixamento do rating do país.

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Cenário corporativo
Entre os destaques corporativos, empresas ligadas à exploração de ouro como a Newmont Mining (+3,06%) e Barrick Gold (+1,33%) registraram fortes altas, enquanto o setor bancário revertou as perdas durante o dia e fechou em alta. As ações do JP Morgan e Wells Fargo recuaram 0,76% e 0,94%, respectivamente.

Entre as varejistas, a Amazon viu suas ações em queda de 0,48% após anunciar investimentos de US$ 175 milhões no website LivingSocial, que oferece descontos em mercados locais. Os papéis de empresas do setor, como EBay (-1%) e Wal-Mart (-0,24%) também fecharam em queda.

Entre os motivos para a queda dos papéis do eBay, o Citigroup reduziu a recomendação de “compra” para “manutenção”, notando a recente valorização das ações da companhia.