Bolsas dos EUA fecham em forte queda em meio a indicadores e commodities

Divulgação de dados divergentes no setor imobiliário e volta da Zona do Euro ao foco de preocupações também em pauta

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SÃO PAULO – As bolsas de valores dos Estados Unidos fecharam com forte queda esta terça-feira (22), pressionadas por notícias relativas a exploração do petróleo no Golfo do México. Na sessão, também repercutiram a divulgação de dados divergentes no setor imobiliário norte-americano e a volta dos países da Zona do Euro ao foco de preocupações dos mercados.

O índice S&P 500, que engloba as 500 principais empresas dos EUA, fechou em baixa de 1,61% a 1.095 pontos, acumulando no ano baixa de 1,77%. O Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, encerrou o pregão em desvalorização de 1,43% atingindo 10.294 pontos e caindo 1,29% no ano, enquanto o Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia, apresentou queda de 1,19% chegando a 2.262 pontos e acumulando no ano leve baixa de 0,32%. 

% Var Dia Pontos %Var 30D %Var Ano
 Nasdaq -1,19 2.262 +1,47 -0,32 
 Dow Jones -1,43 10.294 +0,98 -1,29 
 S&P 500 -1,61 1.095 +0,70 -1,77 

Agenda
O número de vendas de casas usadas nos EUA caiu para 5,66 milhões em maio, na taxa anualizada. As expectativas do mercado eram de um aumento para 6,10 milhões, enquanto os dados de abril foram revisados para 5,79 milhões.

Já, os preços dos imóveis norte-americanos subiram 0,8% em abril, resultado acima da previsão de analistas de avanço de 0,3% e do aumento de 0,1% em março.

O secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, disse em depoimento ao Congresso nesta terça-feira que a disponibilidade de crédito está melhorando e as empresas estão acumulando significativas reservas de dinheiro. Tais sinais, para Geithner, mostram que a economia dos EUA está em recuperação, preparando-se para retomar o crescimento.

Além disso, teve início nesta sessão a reunião de dois dias do Federal Reserve, que decidirá os rumos da política monetária norte-americana. A taxa básica de juro do país é mantida há meses em seu menor nível histórico, na faixa entre 0 e 0,25% ao ano.

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Destaques corporativos
Entre incertezas, após a decisão do juiz de New Orleans de suspender a moratória de seis meses para exploração do Golfo do México e a promessa do governo Obama de recorrer da decisão, as ações de petrolíferas fecharam em queda. Os papéis da Chevron perderam 2,27%, enquanto as ações da Exxon Mobil caíram 1,89%. As cotações de petróleo também encerraram o dia em baixa. 

Ainda no setor, a BP viu seus ADRs recuarem 2,14%. O CEO (Chief Executive Officer) da empresa, Tony Hayward, se afastou da gestão do derramamento de óleo no Golfo do México. Bob Dudley, que gere os problemas da empresa na Rússia, deve tomar as rédeas da situação.

Após a venda de casas usadas ter diminuído nos EUA, a Home Depot viu suas ações caírem 2,61%. As mineradoras também estão entre os destaques de queda da sessão, com recuos de 1,36% e 1,62% dos ADRs da Anglo American e da Rio Tinto, respectivamente, além da queda de 3,67% dos papéis da Alcoa. 

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Os democratas da Câmara e do Senado empenham-se em concluir até este final de semana, quando acontece a reunião do G20, a revisão da reforma financeira. O objetivo é chegar a um acordo quanto a decisões que vão desde a regulação bancária até a proteção do consumidor. As ações do setor ficaram no vermelho. Os papéis do Goldman Sachs perderam 2,14%, enquanto os ativos do Morgan Stanley recuaram 1,68%. 

No setor farmacêutico, os papéis da Walgreen despencaram 6,54%, após os lucros do terceiro trimestre da empresa terem retraído 11% e decepcionado as expectativas dos analistas.

Na ponta positiva, as ações da Apple subiram 1,36%, após o anúncio da venda de mais de 3 milhões de iPads até 21 de junho, apenas 80 dias após o lançamento do produto. O Deustche Bank elevou a estimativa dos preços das ações da empresa de US$ 350 para US $ 375, afirmando que a demanda por iPhones e iPods pode exceder as expectativas.

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Europa
O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, anunciou a criação de um imposto sobre os bancos e o aumento da taxação sobre as vendas, além da redução da previsão de crescimento do país. As medidas fazem parte de um pacote de austeridade fiscal que inclui o congelamento de salários de funcionários públicos e cortes em programas de estímulo ao mercado imobiliário. O objetivo é reduzir o déficit orçamentário do país.

Ainda no continente, a agência de classificação de risco Fitch reduziu a nota do banco francês BNP Paribas para AA-, ante AA, citando uma piora na qualidade dos ativos e o nível de capital levemente abaixo da média. A notícia reacendeu as preocupações do mercado acerca da Europa, colocadas de lado na véspera com o ânimo gerado pela sinalização da China de flexibilizar o yuan.

Na Espanha, um relatório da agência Moody’s afirmou que a saúde financeira dos bancos do país está bem melhor do que o mercado financeiro pode supor.