Bolsas dos EUA amenizam perdas, mas fecham com queda de mais de 3%

Possível erro de ordem e temores quanto à expansão da crise europeia impulsionaram movimento vendedor

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SÃO PAULO – Os principais índices acionários norte-americanos terminaram o dia no vermelho, apesar de terem conseguido amenizar a forte pressão vendedora vista durante a tarde desta quinta-feira (6). Em meio a um ambiente já incerto devido à situação fiscal europeia e a reforma financeira nos EUA, um erro de ordem em uma das grandes firmas de investimento pode ter desencadeado um efeito manada dos mercados.

Durante a sessão, os índices despencaram quase 10% – o Dow Jones atingiu sua maior perda no intraday desde a quebra do mercado em 1987. Apesar da melhora no final da sessão, nenhuma ação do índice registrou alta no pregão. A declaração pessimista da agência Moody’s acerca do cenário europeu foi outro fator que impulsionou as fortes trajetórias de queda.

O índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia, fechou em forte baixa de 3,44% a 2.320 pontos, acumulando no ano alta de 2,23%. O S&P 500, que engloba as 500 principais empresas dos EUA, encerrou o pregão em forte desvalorização de 3,24% atingindo 1.128 pontos e subindo 1,17% no ano, enquanto o Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, apresentou queda de 3,20% chegando a 10.520 pontos e acumulando no ano alta de 0,88%.

% Var Dia Pontos %Var 30D %Var Ano
 Dow Jones -3,20 10.520 -4,10 +0,88 
 S&P 500 -3,24 1.128 -5,15 +1,17 
 Nasdaq -3,44 2.320 -4,81 +2,23 

Reforma financeira
O Senado americano aprovou, por unanimidade, uma proposta que permitirá a pequenos bancos pagar uma contribuição menor para o FDIC (Federal Deposit Insurance Corp), o fundo garantidor de depósitos do sistema bancário dos Estados Unidos. A mudança fixa o valor das contribuições com base nos riscos assumidos pelos bancos.

Também durante a sessão, a proposta de regulamentação do setor financeiro foi discutida no Congresso dos Estados Unidos. Democratas e republicanos divergiram quanto aos termos de proteção aos clientes. Os democratas sugeriram uma agência independente dentro do Federal Reserve para formular e observar regras relativas ao crédito, enquanto os republicanos sugeriram uma agência dentro do FDIC. 

Pela manhã, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, em depoimento à Comissão de Investigação sobre a Crise Financeira, reiterou seu apoio à reforma financeira no país e afirmou que a causa principal da crise foi a impotência das autoridades reguladoras em controlar o risco, em um sistema de instituições que operavam fora das regras dos bancos tradicionais.

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Europa
No ínicio da sessão, houve a reunião do BCE (Banco Central Europeu). A expectativa do mercado era que fosse sugerida alguma nova medida contra a grave situação fiscal em que diversos países europeus, como Portugal, Grécia e Espanha estão inseridos. Entretanto, o presidente da autoridade monetária, Jean-Claude Trichet, pouco falou sobre o assunto.

Após o BCE manter a taxa básica de juro da região em 1% ao ano, Trichet afirmou que a política é “apropriada” e que a economia deve continuar se expandindo em um ritmo moderado. Em relação à possibilidade de compras de títulos de países do bloco, o presidente do banco limitou-se a informar que a questão não havia sido discutida.

O Parlamento Grego aprovou nesta quinta-feira o pacote de medidas para combater a crise fiscal, abrindo caminho para o recebimento da ajuda financiada por outros 15 países membros da União Europeia e pelo FMI. Prevendo ações impopulares, como o congelamento de salários dos funcionários públicos, cortes nos fundos de pensão e o aumento de impostos, o plano de reestruturação das contas fiscais foi recebido com novos protestos na capital grega, que voltou a presenciar cenas de violência entre policiais e manifestantes.

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Agenda
O Departamento de Trabalho divulgou que o número de pedidos de auxílio-desemprego reportados nos EUA na última semana ficou em 444 mil, pior do que as expectativas do mercado, que giravam em torno de 440 mil. No entanto, o indicador ficou abaixo do número registrado na semana anterior, de 451 mil solicitações nos números revisados.

O departamento divulgou ainda que a produtividade no mercado de trabalho norte-americano, excluindo o setor agropecuário, avançou 3,6% no primeiro trimestre, superando as estimativas de analistas, que esperavam expansão de 2,4%. Na última medição, houve avanço de 6,3%, segundo dados revisados.

Destaques Corporativos
A DirectTv, maior provedora de televisão via satélite dos Estados Unidos, reportou lucro no primeiro trimestre acima das expectativas dos analistas. A demanda por serviços de alta definição e gravação digital de vídeo aumentou, assim como o número de assinantes na América Latina. Seu lucro líquido subiu para US$ 558 milhões, ou US$ 0,59 por ação, ante a previsão de US$ 0,46. Seus papéis caíram 0,82%, influenciados pelo contexto de altas vendas durante a tarde.

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As financeiras foram duramente afetadas pela sessão instável. Figurando entre as maiores perdas do dia, os papéis do Bank of America despencaram 7,13%. Por sua vez, os ativos do JP Morgan e Goldman Sachs caíram 4,27% e 3,96%, respectivamente. Os papéis do Citigroup também recuaram 3,35% na sessão, e os do Morgan Stanley amargaram perdas de 5,63%. Os ADRs (American Depositary Receipts) do Barclays, por sua vez, despencaram 10,6%. 

Completando as maiores perdas do dia, as ações da General Electric se desvalorizaram 4,36% e os ativos da Boeing recuaram 4,27%. assim como as demais empresas do setor.

Na contramão, a mineradora Titanium reportou lucro no primeiro trimestre de US$ 0,09 por ação, mais que o triplo da estimativa média dos analistas. Seus ativos dispararam 12,1%, mesmo com o cenário pessimista.