Europa e Ásia

Bolsas despencam em meio à proximidade de default grego; mercado de Atenas fica fechado

Na China, os mercados foram atingidos por mais volatilidade numa sessão agitada que levou o índice a cair mais de 7 por cento em um momento; Dax cai mais de 3%

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SÃO PAULO – A semana começa com forte baixa nos mercados mundiais, dando uma prévia da tensão que assola as bolsas em meio à expectativa de que o “Grexit” realmente acontecerá em meio à proximidade do default do país. Enquanto isso, o principal índice da Grécia, da Bolsa de Atenas, ficará fechado até o dia 6 de julho.

Contudo, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou que o “Grexit” nunca irá acontecer. Mesmo assim, o dia é de forte baixa para os mercados asiáticos e europeus. Na Ásia, o Nikkei teve baixa de 2,88%, Shangai caiu 3,29% e o Hang Seng caiu 2,61%.

Na China, os mercados foram atingidos por mais volatilidade numa sessão agitada que levou o índice a cair mais de 7 por cento em um momento. As turbulências do mercado na China vieram apesar de o banco central do país no sábado ter cortado simultaneamente as taxas de juros e de compulsório pela primeira vez desde a crise financeira global no fim de 2008.

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“É um pouco surpreendente que ambos os cortes nas taxas de juros e no compulsório na China tenham acontecido ao mesmo tempo. Isso mostra que as autoridades chinesas sentem uma certa urgência”, disse o chefe de operações de clientes da Saxo Capital Markets, Christopher Moltke-Leth.

“A Ásia está em queda devido ao movimento de se livrar de risco em resposta ao que está acontecendo na Europa, na Grécia”.

Às 08h04 (horário de Brasília), o alemão Dax caiu 3,22%, enquanto o FTSE tinha baixa de 1,65% e o francês CAC 40 registra forte baixa de 3,41%. 

Na abertura do mercado asiático, o euro teve um tombo. O anúncio do referendo feito pelo primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, seguido de notícias de que o Banco Central Europeu não vai aumentar a liquidez de emergência que vem sustentando os bancos da Grécia, preparou o palco para o mergulho do euro no início do pregão na Nova Zelândia, enquanto moedas vistas como refúgios seguros – como o iene e o franco suíço – estão subindo.

“Esperamos um tom de aversão ao risco muito forte nos mercados globais, logo que os asiáticos abrirem para negociação e durante a maior parte da semana”, disse Richard Franulovich, estrategista de câmbio sênior do Westpac Bank.

O nervosismo aumentou depois que a Grécia anunciou que os bancos ficariam fechados nesta segunda-feira, em uma tentativa de evitar um colapso do sistema bancário, uma vez que os gregos aceleraram o ritmo de saques no fim de semana.

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“Não se enganem, os acontecimentos deste fim de semana são “bearish” (pressão de baixa) para o euro, porque representam um choque de confiança para a região, são negativos para as perspectivas de crescimento da região e aumentam as chances de um programa de QE, do BCE, expandido”, disse Franulovich.

O fracasso nas negociações entre gregos e credores internacionais, a realização de um referendo para decidir sobre a ajuda financeira internacional, o congelamento da linha emergencial de liquidez do BCE e o consequente controle de capitais e saques bancários fazem crescer a possibilidade de saída da Grécia da zona do euro, o chamado “Grexit” – expressão que une “Grécia” e “exit”.

Nesta segunda-feira, a consultoria Economist Intelligence Unit atualizou o cenário e agora prevê 60% de chance de saída dos gregos da moeda única. O diretor da consultoria, Robin Bew, explica que “o referendo mudou o jogo”. “Nossa equipe revisou a probabilidade de um Grexit para 60%. Eleitores provavelmente rejeitarão o acordo com credores ou rejeitarão o governo”, diz o economista.

No desenrolar da crise grega, o conselho do BCE  vai se reunir na quarta-feira para decidir se eleva o financiamento emergencial a bancos gregos, disse nesta segunda-feira Ewald Nowotny, membro do Conselho.

Questionado se a liquidez emergencial ELA seria elevada antes do referendo sobre os termos de resgate dos credores da Grécia no próximo domingo, ele disse: “Na quarta-feira temos outra reunião do Conselho do BCE em que isso está na agenda. Não quero antecipar isso…Agora a bola está com a Grécia.”

(Com Reuters e Agência Estado)