Bolsas da Europa têm forte baixa, puxadas por alta dos rendimentos com temor fiscal

O rendimento do Gilt britânico de 30 anos atingiu nesta terça máxima desde 1998, aumentando a pressão para que o governo eleve impostos no orçamento de outono

Estadão Conteúdo

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Imagem mostra gráfico do índice de preço das ações alemão DAX na bolsa de valores em Frankfurt, Alemanha, em 8 de julho de 2024. REUTERS/Staff
Imagem mostra gráfico do índice de preço das ações alemão DAX na bolsa de valores em Frankfurt, Alemanha, em 8 de julho de 2024. REUTERS/Staff

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As bolsas da Europa fecharam em forte baixa nesta terça-feira, 2, em uma sessão na qual foram pressionadas pela disparada dos rendimentos dos títulos públicos da região, que atingiram suas máximas em anos. Os temores com a questão fiscal e as potenciais medidas para fazer ajustes orçamentários levaram os mercados a operar com aversão a riscos. Nesta terça, houve ainda a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro, com a leve aceleração dificilmente alterando os planos para a política monetária do Banco Central Europeu (BCE).

O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em baixa de 1,50%, a 543,17 pontos. Em Londres, o FTSE 100 caiu 0,87%, a 9.116,69 pontos. Em Frankfurt, o DAX recuou 2,21%, a 23.505,26 pontos. Em Paris, o CAC 40 cedeu 0,70%, a 7.654,25 pontos. As cotações são preliminares.

O rendimento do Gilt britânico de 30 anos atingiu nesta terça máxima desde 1998, aumentando a pressão para que o governo eleve impostos no orçamento de outono. O juro do Bund alemão equivalente alcançou máxima desde 2011, enquanto o do francês OAT avançou ao patamar mais alto desde 2009.

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“Estamos vendo um círculo vicioso de lenta evolução: crescentes preocupações (fiscais) impulsionam os rendimentos, piorando a dinâmica da dívida, o que, por sua vez, impulsionam os rendimentos de novo”, disse o Deutsche Bank.

No âmbito macroeconômico, a taxa anual do CPI da zona do euro acelerou para 2,1% em agosto, contrariando previsão de que permaneceria no nível de 2% de julho. A pequena aceleração faz pouca diferença para as autoridades do BCE, que parecem determinadas a manter as taxas de juros inalteradas na reunião de setembro e “provavelmente por vários meses depois disso”, na avaliação da Capital Economics.

O dirigente do BCE Gediminas Simkus sugeriu que um corte nos juros de 25 pontos-base (pb) pode acontecer em dezembro, mas, dependendo das informações recebidas, uma redução pode ser discutida já na reunião de outubro.

Entre as empresas, o Banca Monte dei Paschi di Siena aumentou sua oferta de aquisição pelo Mediobanca, adicionando um componente em dinheiro de até 750 milhões de euros. O prazo final para a oferta termina na segunda-feira, 8 de setembro. As ações dos bancos recuaram 3,01% e 2,85% em Milão, respectivamente, onde o FTSE MIB caiu 1,61%, a 41.727,58 pontos. Em Madri, o Ibex 35 recuou 1,57%, a 14.704,20 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 cedeu 1,71%, a 7.677,58 pontos.

O Conselho de Administração da Nestlé anunciou que Philipp Navratil foi nomeado como CEO da companhia, após a demissão de Laurent Freixe. A saída ocorre após uma investigação sobre um relacionamento romântico considerado inapropriado, que viola o Código de Conduta Empresarial da companhia. Em Zurique, as ações da companhia recuaram 0,74%.