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SÃO PAULO – O ritmo das bolsas internacionais nas primeiras horas desta segunda-feira (22) já dão um indicativo de como a volatilidade e o nervosismo devem seguir pautando o mercado nesta semana, visto que a situação, tanto dos EUA quanto na Europa, ainda é muito delicada, com risco real de recessão no curto prazo.
Por enquanto, os índices do pré-market norte-americano indicam abertura com alta próxima a 1%, enquanto na Europa, já em pregão regular, as bolsas caminham com ganhos ligeiramente superiores a Wall Street, recuperando parte das fortes quedas acumuladas na última semana.
Eurobonds ganham a pauta
Como principais referências, temos para esta sessão a expectativa crescente ao redor da criação dos Eurobonds (títulos comuns à Zona do Euro), acerca do qual a chanceler alemã, Angela Merkel, segue reticente.
Em entrevista no último final de semana, Merkel afirmou a uma rede de tv de seu país que mudanças na União Europeia poderiam levar anos e uma eventual adoção de eurobons poderá ir contra a constituição da Alemanha. Entretando, apesar da chanceler seguir declarando oposição aos títulos comuns, já há sinais claros de que ela está disposta a discutir o tema, tendo tocado neste ponto recorrentemente nas última semanas.
A proposta dos eurobonds já ganha força dentro da Alemanha, uma vez que partidos de oposição afirmam defender a adoção dos títulos.
Boa vontade
Ainda pelo velho mundo, Elena Salgado, ministra das finanças da Espanha, afirmou no último final de semana que seu país não irá exigir tantas garantias da Grécia quanto a Finlândia tem defendido, promovendo um certo alívio sobre as perspectivas de uma saída menos dolorosa para a economia grega.
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“Finalmente, vemos um pouco de boa vontade restante na Zona do Euro”, avalia Arne Lohmann Rasmussen, analista do Danske Bank.
Enquanto isso, nos EUA, a agenda escassa de indicadores e resultados corporativos trimestrais reforça a influência da crise na Europa, bem como eventuais notícias sobre a sua própria crise e o risco de recessão.
Queda de Gaddafi
Além disto, cabe ainda citar a baixa que o petróleo acumula em função da queda iminente do presidente Muammar Gaddafi na Líbia. Segundo agências internacionais, após meses de conflitos, forças de oposição já controlam 95% da capital Trípoli e o fim do regime de Gaddafi, no poder desde 1969.
Por aqui, como é de praxe as segundas-feiras, atenção ao Relatório Focus do Banco Central, que oferece as expectativas relativas aos principais indicadores macroeconômicos foram reajustadas para cima.
Inflação no radar local
Destaque para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) semanal, que apontou incremento de 0,03 ponto percentual neste relatório, ficando em 0,30%. O IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) por sua vez, sofreu elevação de 0,07 ponto percentual, passando de 0,37% na última semana para 0,44% nesta. No mesmo sentido, o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) passou para 0,35% nesta semana, frente a 0,31% na anterior.
Em um momento de foco sobre a inflação, cabe citar também a divulgação da segunda prévia IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) de agosto. O índice variou 0,33%, enquanto em julho, no mesmo período, o indicador registrou taxa de -0,21%.