Bolsas alternam entre perdas e ganhos nesta terça-feira

Atividade industrial da China melhora em julho, mas a europeia piora e a Moody's alerta que Alemanha pode perder o rating triplo A

Publicidade

SÃO PAULO – No início da semana as bolsas internacionais já sinalizavam que o dia seria de fortes perdas. Já nesta manhã de terça-feira (24) não há uma trajetória clara para o pregão, apesar de todas mostrarem ligeiras perdas. Entre dados sobre a atividade industrial ao redor do mundo e o corte na perspectiva do rating da Alemanha, mais cedo os mercados alternavam entre perdas e ganhos.

A exceção fica por conta de Madri, onde o principal índice acionário cai 2,50%. Também em forte queda está o índice FTSE MIB, de Milão, que se retrai em 1,11%. Por sua vez, a sessão em economias mais sólidas apresentam apenas uma ligeira baixa. O DAX 30, de Frankfurt, e o CAC 40, de Paris, mostram estabilidade, enquanto os contratos futuros nos EUA variam entre perdas de 0,2% a 0,3%.

Na última noite a agência de classificação de risco Moody’s indicou que pode retirar a nota Aaa da Alemanha por conta das incertezas na Zona do Euro – como a maior chance de que a Grécia saia do bloco da moeda única. “Mesmo se tal evento for evitado, há uma crescente possibilidade que um maior apoio coletivo para outras soberanias da Zona do Euro, mais notadamente Espanha e Itália, será necessário”, justifica a agência. Holanda e Luxemburgo, com ratings Aaa, também receberam o mesmo aviso e tiveram a nota colocada em revisão negativa.

Indústria chinesa melhora, mas a europeia…
Por outro lado, saíram dados sobre a atividade industrial na Europa e na China. O PMI (Purchasing Manager’s Index) do país oriental continua em retração, mas alcançou seu nível mais alto em cinco meses, publicou o HSBC. O indicador passou de 48,2 em junho para 49,5 em julho, segundo números prévios. Valores acima de 50 indicam expansão. Ainda por lá, o dado que mede a produção industrial passou para a expansão, no ritmo mais elevado em nove meses. 

Já na Europa o PMI da manufatura caiu para sua mínima em 37 meses, ao passar de 45,1 para 44,1. “Essa queda está sendo liderada por uma crescente deterioração na manufatura, onde a produção está caindo a uma taxa trimestral de cerca de 1%”, escreve Chris Williamson, economista-chefe da Markit, responsável pela publicação do indicador.

Grécia e Espanha em foco
Enquanto os investidores digerem esses dados, eles também devem permanecer alertas para qualquer anúncio da Troika – grupo formado por FMI (Fundo Monetário Internacional), BCE (Banco Central Europeu) e Comissão Europeia. Na véspera, o FMI confirmou que chegará a Atenas nesta terça-feira para acompanhar os progressos realizados pelo país, em meio a rumores de que a Grécia não conseguirá alcançar as metas propostas anteriormente.

Continua depois da publicidade

Também vale atenção o encontro entre o ministro de finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, com o ministro de Economia da Espanha, Luis de Guindos. 

Para aumentar a tensão nos mercados, a Espanha realizou um leilão de títulos públicos de curto prazo, no qual conseguiu captar os € 3 bilhões que pretendia, mas teve que arcar com o segundo maior rendimento da história para essas linhas de papéis, que variavam entre três e seis meses. Enquanto isso, o juro no mercado secundário continua a bater novos recordes: dessa vez, o título de dez anos chegou à taxa de 7,62%.

Agenda fraca no Brasil
Por aqui, a agenda de indicadores é pouco movimentada, sendo que o dado mais relevante é a nota do setor externo. Contudo, a temporada de resultados corporativos já começa a ganhar força: entre o último fechamento e o pregão desta terça-feira foram divulgados os números do Grupo Pão de Açúcar (PCAR4) e do Itaú Unibanco (ITUB4).