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SÃO PAULO – Os pequenos investidores costumam entrar quando a bolsa está subindo e fogem dela quando o preço dos papéis cai. Nada mais errado, de acordo com o gestor do fundo de small caps da Victoire Investimentos, Werner Roger. Segundo ele, este comportamento é responsável por grande parte das perdas desses investidores no mercado acionário. “O pequeno investidor tende a ter o pé trocado. Quando vê no jornal que a bolsa está ‘bombando’, ele compra. E esta é a hora que o investidor profissional está vendendo”, afirma Roger.
O fundo Victoire Small Caps Ações FI rendeu 50,43% nos últimos 12 meses (até 7 de dezembro) e figura na terceira posição do Ranking InfoMoney de fundos de ações.
O gestor lembra que este ano a bolsa (representada pelo Ibovespa) está praticamente no zero a zero e no ano passado teve ligeira queda. Em 2010, a desvalorização foi mais expressiva: 18%. “Se a gente olhar a bolsa hoje e lembrar maio de 2008, ela está 10% mais barata. E em 2008, o Brasil ainda não era nem investment grade. Ou seja, estamos em uma posição bem melhor do que a 4 anos, e a bolsa está em um nível inferior”, pontua Roger.
Por isso, ele enxerga que, no geral, a bolsa brasileira pode ser considerada barata. “Ela está relativamente barata e descontada. Nem vou dizer em relação ao lucro das empresas este ano. Mas se você olhar que a economia deve voltar a crescer, eu diria que a bolsa está barata em relação às perspectivas da economia”, acredita.
Queda dos juros
Com a queda dos juros para os menores níveis históricos, o gestor lembra que grandes investidores institucionais, como os fundos de pensão, vão precisar tomar mais risco para conseguirem cumprir as suas metas atuariais. E com a entrada desses players, o fluxo na bolsa tende a aumentar, o que pode beneficiar a cotação dos papéis. “Os fundos de pensão vão ter que buscar alternativas fora da renda fixa. Com mais investidores comprando ações, a tendência é valorizar o mercado, é a lei da oferta e demanda”, pontua.
No entanto, ele insiste que o pequeno investidor, na maioria das vezes, acaba perdendo este movimento. “Ele olha muito o passado recente e como não consegue avaliar muito bem economia, acaba ficando com medo. No final, só investe quando se sentir tranqüilo novamente porque a bolsa está subindo. Mas era pra ser o contrário”, conclui.