Bolsa sobe 2% com disparada de blue chips e rumores do Planalto; dólar volta a R$ 3,25

Agência classificadora de risco irá anunciar rating do Brasil nas próximas semanas; Petrobras cai com notícia de que a estatal deixará o Dow Jones Sustainability Index World

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SÃO PAULO – O Ibovespa disparou nesta terça-feira (17) depois do almoço. O dia que era de leve alta à espera da decisão do Fomc (Federal Open Market Comittee) na quarta mudou completamente de figura em pouco tempo. Fonte procurada pelo InfoMoney falou em reforma ministerial do governo Dilma Rousseff (PT). Gestores falaram em indicações positivas no combate à corrupção, mudanças na economia pela presidente e possíveis novos anúncios de medidas para o ajuste fiscal. 

Às 15h19 (horário de Brasília), o benchmark tinha alta de 2,53%, a 50.085 pontos. Ao mesmo tempo, o dólar comercial, amenizava ganhos para 0,15%, a R$ 3,2493, na venda. Com dólar em alta, o Ibovespa na moeda norte-americana fica mais barato, de modo que o investidor estrangeiro, que tem uma participação de 52% no volume de negociação da Bovespa, começa a exercer pressão compradora.

O gestor da AZ Investimentos, Ricardo Zeno disse que a presidente, em suas últimas declarações, se mostrou disposta a lutar contra a corrupção e a mudar a política econômica. “Essa disposição que ela sinalizou foi assimilada de forma positiva pelo mercado”, afirma. 

Já o gestor da H.H. Picchioni, Paulo Henrique Amantea, todas estas indicações da presidente são positivas, mas já estavam no radar. Para ele, isso não explica a alta tão forte em tão pouco tempo. “Deve ter saído algum rumor de ajuste fiscal no Congresso”, disse. 

Fato mesmo é que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, realizará uma reunião com o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, às 16h30 (horário de Brasília). Ainda não se sabe a pauta do encontro, mas diante do cenário tenso na política, começam especulações sobre os ajustes e possíveis novos anúncios por parte do governo.

Além disso, destaque também para a fala do ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, que disse não acreditar que as mudanças promovidas pelo governo após a reeleição da presidente Dilma Rousseff representam uma mudança no discurso em relação às promessas feitas durante a campanha eleitoral. Ele também afirmou que o foco do governo no ajuste fiscal foi ajustar impostos e tributos já existentes, e não criar nova carga tributária. “O que o governo fez foi a correção sobre impostos que já existem, não tem imposto novo”, disse.

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Uma notícia que mexe especificamente no mercado brasileiro é que a Fitch divulgou que o anúncio sobre rating do Brasil deve vir nas próximas semanas. “Brasil está sob pressão em termos globais, juntamente com a deterioração dos preços das commodities”, disse Tony Stringer, diretor-gerente de soberanos e super nacionais globais da Fitch, em conferência em Hong Kong. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy irá se reunir com a agência de risco amanhã. 

Durante a manhã saíram os dados do número de casas que começaram a ser construídas nos Estados Unidos, registrando uma queda de 17%, para 897 mil e o de autorizações para a construção de novos imóveis nos EUA, que ficou um pouco acima das expectativas, em 1,092 milhões em fevereiro. 

Ações em destaque
Quem puxava a alta do índice eram as ações da Vale (VALE3; VALE5) e de siderúrgicas, que mantinham o movimento de ontem, quando subiram graças a expectativas de estímulos na China. CSN (CSNA3), Gerdau (GGBR4), Metalúrgica Gerdau (GOAU4), Usiminas (USIM5), viam valorização. O analista da WinTrade, Bruno Gonçalves, diz que dados como a compra de aços planos pela Inda ficaram abaixo do guidance projetado, porém, a desvalorização cambial tende a reduzir as importações e sustentar os preços. Além disso, especulação de novos estímulos na China colaboram para a alta.

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Também na ponta positiva, os papéis de exportadoras como Fibria (FIBR3) e Suzano (SUZB5) registravam alta beneficiadas pelo dólar, que sobe novamente hoje. Com receita na moeda norte-americana e despesas em reais, estas empresas ganham mais dinheiro quando o câmbio está depreciado. 

As ações da Petrobras (PETR3; PETR4), ganharam força, impulsionando o índice, deixando para trás a notícia de que a companhia deixará o Dow Jones Sustainability Index World (DJSI World), do qual fazia parte desde 2006. De acordo com o comunicado, a decisão do comitê foi baseada nas denúncias de corrupção investigadas no âmbito da Operação Lava Jato. O comitê informou que irá monitorar a evolução das investigações e o posicionamento da Petrobras ao longo deste ano, podendo reconsiderar a participação da Companhia a partir de 2016.

A fiscalização maior na Petrobras levou o preço dos CDS (Credit Default Swap) da companhia para níveis históricos de alta, segundo a análise da Fitch Solutions. Quanto maior o CDS (uma espécie de seguro contra calote da empresa) pago, maior o risco da companhia quebrar: e o CDS da estatal avançou 24% na última semana. A liquidez dos CDS também aumentou.

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As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 10,56 +6,02
 MRVE3 MRV ON 7,40 +5,26
 PETR3 PETROBRAS ON 8,68 +5,21
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON 31,52 +4,89
 VALE3 VALE ON 19,78 +4,66

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 PDGR3 PDG REALT ON 0,39 -2,50
 HGTX3 CIA HERING ON 16,49 -1,85
 LIGT3 LIGHT S/A ON 13,54 -1,02
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 9,09 -0,87
 OIBR4 OI PN 6,54 -0,30
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Cenário externo
As ações asiáticas subiram nesta terça-feira (17) seguindo a direção de Wall Street, com especulações de que dados mais fracos da economia norte-americana façam com que o Federal Reserve demore mais antes de elevar os juros para lá. A utilização da capacidade industrial ficou em 78,9%, ante 79,5% esperado, enquanto a produção manufatureira no estado de Nova York ficou em 6,9 pontos ante 9 previstos. 

As ações chinesas fecharam em alta de 1,58 por cento, ampliando ganhos por esperanças de que o governo chinês afrouxe a política monetária para impulsionar sua economia em desaceleração.

O Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) deve iniciar sua reunião de dois dias sobre política monetária nesta terça-feira, e muitos analistas esperam que o Fed descarte a palavra “paciente” de seu comunicado formal sobre o momento da primeira elevação da taxa de juro desde 2006. Economistas consultados pela Reuters estavam praticamente divididos entre a possibilidade de um aumento do juro ocorrer em junho ou mais tarde neste ano.

No entanto, dados negativos sobre o setor industrial, a produção industrial e moradias nos EUA na segunda-feira ofereceram um motivo para que o Fed adote uma postura cautelosa sobre a política monetária.

“Esperamos que o Fed descarte a palavra ‘paciente’ mas ao mesmo tempo diga que a política monetária vai depender de dados econômicos para manter sua mão livre para que possa elevar o juro quando quiser, seja em junho ou setembro”, disse o chefe de estrategia de macroeconomia do HSBC Securities em Tóquio, Shuji Shirota.

Europa
No velho continente, investidores esperam pelo Fomc e ficam cautelosos com mais uma queda nos preços do do petróleo. O barril do Brent caía 2,25%, a US$ 53,44, derrubando as ações de empresas do setor energético. 

(Com Reuters)

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Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.