Bolsa sobe 0,6% com exterior e notícias de impostos; dólar e DIs caem por leilão do BC

Semana de ata do Copom começa positiva para o mercado em meio a melhora no cenário externo com crescimento maior que o esperado da economia da zona do euro

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira (8), volta de feriado aqui e nos Estados Unidos, em meio a melhora no cenário externo. O índice, no entanto, ficou longe da sua máxima obtida pela manhã, quando bateu 1,6% de alta. No noticiário macro, a China conseguiu dar alguma estabilidade ao seu mercado com o anúncio de medidas como a introdução do circuit break e a isenção de impostos para dividendos de investidores de longo prazo. Isso ofuscou as notícias de queda nas importações da segunda maior economia do mundo. Por aqui, ficaram no radar as possibilidades de aumentos provisórios de impostos sem passar pelo Congresso. Um aumento da Cide sobre os combustíveis, por exemplo, pode render R$ 12 bilhões ao governo. 

O benchmark da Bolsa brasileira subiu 0,57%, a 46.762 pontos. Já o dólar comercial teve queda de 1,07% a R$ 3,8190 na venda, enquanto o câmbio futuro para outubro cai 0,84% a R$ 3,852. Depois da moeda bater R$ 3,84 na sexta, o Banco Central fez leilão de linha de US$ 3 bilhões. Quem seguiu o desempenho da moeda foram os futuros de DI. O contrato para janeiro de 2017 recua 17 pontos-base, a 14,88%, ao mesmo tempo em que o contrato para janeiro de 2021 cai 15 pbs a 14,81%. 

Lá fora, os índices Dow Jones e S&P 500 tiveram ganhos de 2,42% a 16.492 pontos, e 2,49% a 1.969 pontos, respectivamente.

Também teve algum peso por aqui o Relatório Focus, com a mediana das projeções de diversos economistas, casas de análise e instituições financeiras para os principais indicadores macroeconômicos. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 foi de uma retração de 2,26% para uma de 2,44%. Já no caso do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o medidor oficial de inflação utilizado pelo governo, as projeções são de que haja um avanço de 9,29% este ano.

Além disso, saiu a Balança Comercial brasileira, que registrou superávit de US$ 554 milhões na primeira semana de setembro (de 1 a 6). De acordo com dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as exportações somaram US$ 3,166 bilhões e as importações, US$ 2,612 bilhões no período. No ano, a balança comercial brasileira acumula superávit de US$ 7,856 bilhões, resultado de vendas externas que somam US$ 131,513 bilhões e importações de U$S 123,657 bilhões.

Vale lembrar que na quinta-feira (10) será divulgada a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que manteve a taxa de juros Selic inalterada em 14,25% ao ano, mostrando uma preocupação com o crescimento mesmo com a inflação acima de 9%. Ainda fica no radar a possibilidade maior de corte de rating do País devido ao déficit projetado para o Orçamento do governo em 2016 e às conversas sobre a não permanência do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, no cargo. Na quinta também será divulgado o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

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Política
Dentro do ajuste fiscal, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante disse que o governo precisa aumentar impostos provisoriamente. O ministro credita grande parte da crise à economia mundial e reconhece excesso na política anticíclica. “Vamos lutar para cumprir a meta de superávit de 0,7% do PIB em 2016”, disse.

Além disso, no 7 de setembro, a presidente Dilma Rousseff (PT) não fez o tradicional pronunciamento na TV, mas discursou nas redes sociais e admitiu (à sua maneira) a culpa do governo na crise. “Se cometemos erros, e isso é possível, vamos superá-los. É minha responsabilidade apresentar caminhos e soluções”, afirmou. Dilma também disse que o Brasil precisa de alguns ’’remédios amargos’’, porém ’’indispensáveis’’, embora ressalte que não abre mão da “alma e do caráter” do seu governo, com oportunidades iguais para população.

Já o vice-presidente, Michel Temer (PMDB-SP), pôs panos quentes nas suas declarações recentes e disse que não manobra para assumir o cargo de Dilma. “Se eu quisesse ocupar o lugar de Dilma, teria agido subterraneamente”. Na semana passada, Temer afirmou que ela não aguentaria até o fim do mandado com 7% de popularidade.

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Destaques de ações
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 10,05, +1,52%; PETR4, R$ 8,71, +2,35%) operaram em alta. No noticiário da estatal, o governo estuda elevar alguns tributos, e os estudos mais avançados no Ministério da Fazenda são o que envolvem a alta da Cide-Combustíveis, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast. Um aumento da Cide dos atuais R$ 0,22 por litro para algo em torno de R$ 0,60 representaria uma arrecadação extra para a União de cerca de R$ 12 bilhões. O aumento menor para R$ 0,40 é outra opção em estudo.

Além disso, fica no radar a espera pela greve da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que está aguardando o melhor momento para deflagrar a paralisação em todas as unidades da estatal, anunciada na semana passada. Os sindicalistas aguardam a oportunidade em que a paralisação, em plataformas, refinarias e terminais, provoque prejuízo à estatal. Segundo o coordenador-geral da FUP, José Maria Rangel, o movimento poderá ser deflagrado a qualquer momento.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 USIM5 USIMINAS PNA 3,73 +7,80 -25,73
 CSNA3 SID NACIONAL ON 4,26 +5,71 -17,57
 GOLL4 GOL PN N2 4,73 +5,35 -68,84
 BRAP4 BRADESPAR PN 10,15 +5,18 -25,33
 GOAU4 GERDAU MET PN 3,70 +4,52 -66,72

Os papéis da Vale (VALE3, R$ 18,93, +3,78%; VALE5, R$ 15,36, +4,28%) subiram diante do desempenho do minério de ferro. A commodity spot com entrega no porto de Qingdao subiu 1% a US$ 57,42. 

Também fecharam em alta os papéis de siderúrgicas como CSN (CSNA3, R$ 4,26, +5,71%), Gerdau (GGBR4, R$ 6,27, +3,29%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 3,70, +4,52%) e Usiminas (USIM5, R$ 3,73, +7,80%). De acordo com informações do jornal Valor, os representantes das principais fabricantes de aço do País estiveram com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em busca de medidas para enfrentar a crise.

Participaram do encontro, que durou mais de uma hora e meia, os empresários Jorge Gerdau e Benjamin Steinbruch (CSN), o principal executivo da ArceloMittal e também presidente do conselho do Instituto Aço Brasil, Benjamin Baptista, o presidente-executivo da entidade, Marco Polo de Mello Lopes, Rômel de Souza, que preside a Usiminas, André B. Gerdau Johannpeter, da Gerdau. Os representantes do setor destacaram que a situação precisa de medidas emergenciais, sem tempo para espera de grandes mudanças e efeitos do ajuste fiscal. Isso embora apoiem o ministro em seu plano de ajuste das contas nacionais.

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As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 CCRO3 CCR SA ON 13,10 -6,76 -14,70
 OIBR4 OI PN 2,50 -5,66 -70,96
 CMIG4 CEMIG PN 7,05 -5,11 -44,63
 QUAL3 QUALICORP ON 16,42 -3,64 -39,90
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON 26,41 -3,51 -13,23

Por outro lado, fechou em queda a CCR (CCRO3, R$ 13,10, -6,76%). O governo do Estado de São Paulo já estuda relicitar a exploração do Sistema Anhanguera-Bandeirantes, atualmente à cargo da concessionária CCR AutoBan. Segundo relatório da equipe de análise da XP Investimentos, a decisão foi tomada em razão do juiz da 13ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, Luis Manuel Fonseca Pires, ter acolhido os argumentos do governo paulista e da Artesp, anulando o termo aditivo do contrato de concessão, firmado em 21 de dezembro de 2006 com a CCR AutoBan, que aumentou o prazo de concessão de 2018 para 2026.

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1
 VALE5 VALE PNA 15,36 +4,28 391,66M
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 26,71 +1,10 279,44M
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,61 -1,21 255,68M
 PETR4 PETROBRAS PN 8,64 +1,53 252,44M
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 22,88 +2,33 238,34M
 CIEL3 CIELO ON 36,57 -1,24 178,35M
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON 26,41 -3,51 172,84M
 PETR3 PETROBRAS ON 10,05 +1,52 169,38M
 CCRO3 CCR SA ON 13,10 -6,76 169,29M
 BRFS3 BRF SA ON 71,49 -0,08 159,63M

* – Lote de mil ações 
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

Cenário externo
As bolsas chinesas subiram quase 3% nesta terça-feira à medida que uma onda de compras no final da sessão ajudaram a eliminar perdas de mais cedo, mas os negócios nos mercados de ações e de índices futuros encolheram drasticamente na sequência de uma série de medidas do governo destinadas a reduzir a atividade especulativa.

Na segunda-feira, a China disse que removerá o imposto sobre ganhos com dividendos para investidores que mantiverem ações por mais de um ano em um esforço para encorajar investimentos de longo prazo. O anúncio veio horas após reguladores proporem a introdução de um “circuit breaker” no índice de referência chinês CSI300 para ajudar a estabilizar o mercado. Isso ocorre junto com as medidas que Pequim já introduziu para restringir as operações com índices futuros e opções.

Por outro lado, o dia foi de queda para o Nikkei, de 2,43%, com as exportações de aço da China ficando inalteradas em agosto na comparação com julho, em 9,73 milhões de toneladas, mostraram dados de alfândega divulgados nesta terça-feira. Por outro lado, as importações recuaram 13,8%. Houve queda nas compras de minério de ferro (-14% em agosto ante igual mês do ano anterior), produtos de aço (-9,6%), e petróleo bruto (-13%). Já as importações de cobre permaneceram estáveis. 

Enquanto isso, a economia do Japão encolheu a uma taxa anualizada de 1,2% entre abril e junho, ante uma estimativa inicial de contração de 1,6%, mostraram dados revisados do Produto Interno Bruto (PIB) japonês nesta terça-feira (horário local). A previsão mediana do mercado era de uma contração de 1,8 por cento.

As bolsas europeias subiram cerca de 1%, apesar da sessão volátil na Ásia. Entre os dados econômicos, a economia da zona do euro cresceu mais rapidamente do que o esperado no segundo trimestre, segundo dados divulgados nesta terça-feira, principalmente devido ao crescimento mais rápido na Itália e na Grécia. A Eurostat, agência de estatísticas da União Europeia, informou que o Produto Interno Bruto (PIB) nos 19 países que compartilham o euro cresceu 0,4% na comparação trimestral no período de abril a junho, para uma alta de 1,5% na base anual. Os mercados futuros norte-americanos também sobem, com os principais índices em alta de cerca de 2%.

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