Bolsa potencializa quedas externas, despenca e atinge menor nível em 3 meses

Ibovespa recua 4,73%, rompe suportes importantes e atinge 63.934 pontos; bolsas desabam pelo mundo e dólar sobe forte

Publicidade

SÃO PAULO – Uma combinação de resultados e indicadores decepcionantes, com novos temores com relação à Europa trouxe pessimismo aos mercados nesta quinta-feira (4). Acompanhando os mercados asiáticos, europeus e norte-americanos, o Ibovespa atingiu o menor patamar desde 4 de novembro, chegando a 63.934 pontos, rompendo suportes importantes segundo analistas técnicos. O índice teve desvalorização de 4,73%, com forte volume financeiro, que totalizou R$ 7,96 bilhões. Dentre as ações que compõem o índice, nenhuma integrante encerrou no terreno positivo.

Noticiário
As notícias da Europa contribuíram para o mau humor dos mercados. A dívida pública de Portugal irá representar 91% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2011, contra 77% no ano passado, segundo previsão da Comissão Europeia. Já a da Grécia irá representar 135% e a da Espanha irá aumentar de 54% para 74% do Produto do país.

As principais bolsas do continente encerraram em forte queda, com destaque para o Ibex, da Espanha, que teve a maior desvalorização desde novembro de 2008, avaliando um possível rebaixamento do rating do país.

Continua depois da publicidade

Agenda
A agenda também não trouxe alívio. Apesar da produtividade no mercado de trabalho norte-americano, excluindo o setor agropecuário, ter avançado no quarto trimestre de 2009, foi ofuscada pelo Initial Claims: o número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA na última semana ficou muito acima das projeções traçadas anteriormente pelo mercado. Na próxima sessão, será divulgado o Relatório de Emprego, com a taxa de desemprego da maior economia do mundo.

O Factory Orders mostrou que o volume de pedidos à indústria norte-americana aumentou em 1,0% em dezembro, superando as estimativas de 0,5%. Já na esfera de resultados, Visa, Cisco Systems, Deutsche Bank e Santander trouxeram números melhores do que o esperado. Contudo, os dados foram ofuscados pelos balanços decepcionantes de MasterCard, Kellogg, Boeing, Royal Dutch Shell e Unilever.

Ainda nesta sessão, os bancos centrais europeu e da Inglaterra optaram por manter seus juros básicos em 1,0% ao ano e 0,5% ao ano respectivamente. Já no Brasil, a ata da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) revelou uma autoridade significativamente mais preocupada quanto a um eventual aumento das pressões inflacionárias no cenário macroeconômico brasileiro.

Bolsa
A maior queda foi registrada pelas ações da LLX, que mostrou forte desvalorização na sessão. As ações da mineradora MMX, também controlada por Eike Batista, mostraram forte recuo no pregão.

Os papéis da Multiplus foram precificados a R$ 16,00 cada, ficando abaixo das projeções dos coordenadores da oferta. As ações da TAM, controladora da empresa, tiveram o segundo pior desempenho do benchamrk.

Na noite passada, a Votorantim Cimentos anunciou dois acordos pelos quais elevou sua participação na Cimpor: o primeiro foi uma operação de permuta de ações com a Lafarge, que lhe rendeu uma fatia de 17,3%; outros 9,6% foram obtidos em acordo com os acionistas da Caixa Geral de Depósitos, com o objetivo de travar a oferta da CSN pela cimenteira portuguesa.

Continua depois da publicidade

Com a forte desvalorização do petróleo e das commodities, as petrolíferas também aprofundaram as perdas, com OGX e Petrobras mostrando desvalorizações maiores que o índice brasileiro.

 As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
 LLXL3 LLX LOG ON 8,00 -8,57 -20,87 38,11M  
 TAMM4 TAM PN N2 32,57 -7,86 -14,39 50,74M  
 MMXM3 MMX Miner ON 13,20 -7,82 +6,88 53,76M  
 RSID3 Rossi Resid ON 13,39 -7,66 -12,48 34,56M  
 ELET3 Eletrobras ON 25,16 -7,50 -3,33 95,42M  

Nenhuma ação que compõe o Índice Bovespa fechou em alta.

Continua depois da publicidade

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 Vale PNA 41,25 -5,22 1,14B 727,12M 24.228 
 PETR4 Petrobras PN 32,30 -5,11 798,05M 636,53M 23.120 
 OGXP3 OGX Petróleo ON 17,65 -7,11 488,00M 326,30M 14.883 
 PETR3 Petrobras ON 36,45 -4,81 200,11M 142,03M 7.365 
 VALE3 Vale ON 47,56 -5,41 197,60M 140,16M 6.345 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Dólar
O dólar comercial seguiu a trajetória vista na véspera e chegou à sua segunda valorização consecutiva, fechando o dia cotado na venda a R$ 1,887 – maior patamar desde 1 de setembro do ano passado. A alta de 2,17% é a maior valorização percentual diária registrada pela moeda norte-americana desde 17 de dezembro do ano passado, ocasião em que avançou 2,34%.

Continua depois da publicidade

O Banco Central do Brasil realizou um leilão de compra de dólares. A operação de captação no mercado à vista ocorreu entre 15h38 e 15h48 (horário de Brasília), com uma taxa de corte aceita em R$ 1,8855.

Bolsas Internacionais
O índice S&P 500, que engloba as 500 principais empresas norte-americanas, fechou  em baixa de 3,11% e atingiu 1.063 pontos. Seguindo esta tendência, o índice Nasdaq Composite desvalorizou-se 2,99%, a 2.125 pontos, da mesma forma, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, caiu 2,61%, a 10.002 pontos.

Na Europa, o índice CAC 40 da bolsa de Paris apresentou desvalorização de 2,75% a 3.689 pontos, enquanto o FTSE 100  da bolsa de Londres encerrou em baixa de 2,17%, atingindo 5.139 pontos Já o DAX 30, principal índice da bolsa de Frankfurt, apresentou uma baixa de 2,45%, atingindo 5.533 pontos.

Continua depois da publicidade

Renda Fixa
No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em baixa na BM&F Bovespa nesta quinta-feira. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,25%, queda de 0,10 ponto percentual em relação ao fechamento anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 132,75% de seu valor de face, queda de 0,59% frente ao fechamento anterior.

O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 241 pontos-base, alta de 18 pontos em relação ao fechamento anterior.