Bolsa opera perto da estabilidade entre rali de Vale e temor de petróleo

Forte alta da mineradora volta a contrabalancear temor com o barril do WTI chegando a US$ 48; bolsas norte-americanas caem 1%

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SÃO PAULO – Em dia bastante volátil, o Ibovespa volta a operar em alta nesta terça-feira (6). Os preços do petróleo, com o barril do WTI (West Texas Intermediate) despencando mais 4% para US$ 48,13 disputam com a recuperação do minério de ferro, que vem causando alta nos papéis da Vale para dar o tom da sessão do índice hoje. Preocupações com a situação da Grécia e com a autonomia da nova equipe econômica do governo continuam no radar.

Às 15h47 (horário de Brasília), o índice tinha leve alta de 0,23%, a 47.627 pontos, seguindo o desempenho visto nos EUA, onde após abrirem com leve alta, os principais índices viraram para o negativo, operando no mesmo horário com perdas de cerca de 1%. Por aqui, o índice oscila entre os ganhos da Vale e siderúrgicas, enquanto a Petrobras pressiona para baixo. 

Entre as ações, destaque novamente para a Petrobras (PETR3, R$ 8,12, -1,81%; PETR4), R$ 8,44, -1,97%), que fechou em queda de 8% ontem entre escândalos de corrupção, a possibilidade de que o balanço não auditado do terceiro trimestre de 2014 não seja divulgado no dia 30 de janeiro e a derrocada dos preços do petróleo. Quanto mais cai o valor da commodity, piores ficam as perspectivas para a viabilidade do pré-sal no futuro. Porém, em um movimento de repique, as ações da petrolífera têm alta de cerca de 2% no início da sessão.

As ações da Vale (VALE3, R$ 21,56, +2,86%; VALE5, R$ 19,11, +3,13%) sobem forte hoje junto com Bradespar (BRAP4, R$ 13,79, +3,06%), braço de participações do Bradesco que tem principalmente ações da mineradora na carteira. Ontem, foi a vez da China nos indicadores: o índice PMI, medido pelo HSBC, mostrou melhora no setor de serviços por lá, contribuindo para a melhora do PMI composto no mês de dezembro (o indicador composto avalia também o setor industrial). Enquanto o minério tem forte alta, a mineradora dispara. 

Junto com a Vale, siderúrgicas também subiam forte. CSN (CSNA3, R$ 5,20, +7,22%), Gerdau (GGBR4, R$ 9,53, +9,29%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 11,12, +8,49%) e Usiminas (USIM5, R$ 4,77, +6,00%) ficavam entre as maiores altas das ações que compõem o índice. 

Segundo o analista da Guide Investimentos, Lauro Vilares, os dados de exportações do minério de ferro são os principais faotres para a alta destes papéis hoje, somados ao PMI da China, que “se segurou” após meses de desaceleração contínua. 

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Os papéis do setor de educação voltam a cair pressionadas ainda pelo anúncio do Ministério da Educação de ajustes no programa FIES (programa de financiamento estudantil). Apresentam queda hoje as ações da Kroton (KROT3, R$ 12,47, -10,03%) e da Estácio (ESTC3, R$ 19,45, -6,45%). Essa é a quarta sessão seguida de queda desses papéis. No caso da Kroton, que foi a campeã de ganhos do Ibovespa em 2014 e 2015, a ação desaba 20% no período. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 GGBR4 GERDAU PN 9,52 +9,17 -0,63 77,56M
 GOAU4 GERDAU MET PN 11,12 +8,49 -1,59 11,49M
 CSNA3 SID NACIONAL ON ED 5,20 +7,22 -3,30 37,75M
 USIM5 USIMINAS PNA 4,77 +6,00 -5,54 30,86M
 MULT3 MULTIPLAN ON EJ N2 45,86 +3,29 -3,33 38,33M

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 OIBR4 OI PN EG 6,98 -11,20 -18,93 24,62M
 KROT3 KROTON ON 12,47 -10,03 -19,55 346,25M
 ESTC3 ESTACIO PART ON 19,45 -6,45 -18,35 167,15M
 CSAN3 COSAN ON 25,19 -3,67 -12,69 25,73M
 ALLL3 ALL AMER LAT ON 4,40 -3,30 -13,04 11,60M
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Agenda e nova equipe
Hoje, o dia será de indicadores importantes como o volume de pedidos de bens duráveis e não duráveis na indústria nos EUA, bem como o nível de atividade industrial da maior economia do mundo medido pelo índice ISM (Institute for Supply Management). A cada novo indicador divulgado pelos EUA, crescem os rumores de que o Federal Reserve poderá aumentar os juros básicos por lá mais cedo do que o esperado, causando uma fuga de ativos de risco, principalmente em países emergentes. 

Por aqui, o mercado continua a monitorar os próximos passos do ministro da Fazenda recém empossado, Joaquim Levy, que anunciou ontem a sua equipe econômica. Em seu discurso, o ministro falou em “harmonizar impostos sobre investimentos”. No fim de semana, uma indicação preocupante sobre a autonomia da nova equipe econômica do governo foi dada ao mercado, quando o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, teve de voltar atrás após dizer que mudaria a regra de reajuste do salário mínimo depois de 2016. 

Grécia e PMI na zona do euro
Somando-se ao cenário está a crescente especulação de que a Grécia pode ser excluída da zona do euro se o partido de esquerda que prometeu acabar com as medidas de austeridade e anular uma grande porção de suas dívidas vencer nas eleições de 25 de janeiro, como amplamente esperado.

Entre os dados econômicos europeus, destaque para o PMI composto da zona do euro, que veio a 51,4, levemente abaixo da expectativa de 51,7. 

(Com Reuters)

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