Bolsa mergulha com Cunha rompendo com o governo; dólar dispara a R$ 3,20

Presidente da Câmara diz que defenderá que PMDB se torne oposição e faz Bolsa ter forte queda

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SÃO PAULO – O Ibovespa consolidou queda e da máxima para a mínima já caiu 1,36% logo após as declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de que vai defender que o PMDB vá para a oposição e que vai olhar para os pedidos de impeachment com base na lei. As falas de Cunha aumentam ainda mais a tensão política, que já crescia depois das notícias de que o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, está sendo investigado pela procuradoria do Distrito Federal. 

Às 12h04 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira caía 1,06%, a 52.509 pontos. Já o dólar dispara 1,20%, a R$ 3,1946 na compra e a R$ 3,1960.

Em Brasília, Cunha disse: “eu, como político, vou pregar que o PMDB rompa com o governo”. Ele afirmou ainda: “estou rompido pessoalmente com o governo. O presidente da Câmara a partir de hoje é oposição. Já avisei a Temer”.

Para Hersz Ferman, economista da Elite Corretora, mesmo com o recesso parlamentar, o que o investidor mais deve olhar nos próximos dias é o desenrolar da questão política. “O governo não consegue governar, o Congresso está abertamente contra e isso é uma situação complicada porque nós temos que ajustar as contas públicas para fazer a economia voltar a crescer. As medidas com este fim estão sendo travadas por conta da briga entre governo e Congresso”, explica.

As declarações do presidente da Câmara afastam todo o otimismo que pudesse vir na sessão derivado da aprovação no parlamento alemão do acordo de resgate de três anos e em torno de 86 bilhões de euros para a Grécia. No começo da sessão, a China também ficou no radar, com o governo anunciando mudanças a favor do mercado, o que fez com que a bolsa de Xangai subisse 3,5% neste pregão. 

Ações em destaque
Entre as principais quedas estão as ações da Petrobras (PETR3, R$ 12,86, -3,09%; PETR4, R$ 11,54, -3,19%). Outras estatais como Eletrobras (ELET3, R$ 5,81, -1,19%; ELET6, R$ 8,70, -0,68%). Banco do Brasil (BBAS3), que é um banco de economia mista, também recua forte, registrando perdas da ordem de 2,6%.  

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As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 HGTX3 CIA HERING ON 12,06 -4,21
 FIBR3 FIBRIA ON 40,14 -4,13
 PETR3 PETROBRAS ON 12,81 -3,47
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 14,31 -3,38
 SBSP3 SABESP ON 18,36 -3,22

As ações da Vale (VALE3, R$ 17,34, -1,70%; VALE5, R$ 14,64, -1,28%) operam em queda apesar da alta do minério de ferro. A commodity spot no porto de Qingdao subiu 0,22% a US$ 50,66 nesta sexta. 

As ações das exportadoras do setor de papel e celulose Suzano (SUZB5, R$ 14,31, -3,38%) e Fibria (FIBR3, R$ 40,15, -4,11%) também caem na Bolsa apesar da alta do dólar. Essas ações tendem a acompanhar a variação da moeda americana já que suas receitas são atreladas ao dólar. No entanto, essa é a oitava queda em nove sessões da Suzano, sendo que na única que não caiu encerrou estável. No período, os papéis desabam 14,5%, no menor patamar desde 28 de abril deste ano. Nesses últimos nove pregões, a Fibria, por sua vez, recuou 5,8%.   

Os papéis da Sabesp (SBSP3, R$ 18,36, -3,22%) recuam depois que a companhia negou em comunicado publicado no final da noite de quinta-feira que esteja negociando com a prefeitura da capital paulista repassar a consumidores receitas que atualmente remetem ao Fundo de Saneamento Ambiental da cidade. A negativa foi divulgada ao mercado em referência à notícia publicada na quinta-feira pelo jornal O Estado de S.Paulo, que afirma que a empresa estaria negociando com a prefeitura de São Paulo o repasse aos consumidores dos 7,5% da receita que é obrigada a enviar ao fundo. Ontem, as ações da Sabesp subiram 5,1% com a notícia. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 MULT3 MULTIPLAN ON N2 47,47 +1,00
 EMBR3 EMBRAER ON 24,28 +1,00
 JBSS3 JBS ON 15,97 +0,63
 CTIP3 CETIP ON 36,00 +0,31
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,75 +0,30

Do lado das altas, os papéis da construtora MRV (MRVE3, R$ 8,16, +0,25%) sobem. A construtora e incorporadora mineira divulgou ontem à noite sua prévia operacional do segundo trimestre. A companhia viu suas vendas contratadas entre abril e junho caírem 5,6% ano a ano, mas aumentarem 4,9% na comparação trimestral, encerrando o período em R$ 1,434 bilhão. Segundo o BTG Pactual, os números de vendas e volumes foram fortes no segundo trimestre, apesar dos desafios que vêm sendo enfrentados pelo setor. 

No segundo trimestre, a MRV alcançou a marca de 92,3% das unidades vendidas no projeto “venda simultânea”, que necessita da aprovação de crédito pelo banco antes da conclusão da venda. Normalmente, o banco avalia a possibilidade de financiamento no momento do repasse do imóvel ao cliente. No mesmo período do ano passado esta fatia era de 16,5%, disse o diretor executivo de finanças e relações com investidores, Leonardo Corrêa.

Bolsas entre perdas e ganhos
As bolsas asiáticas subiram nesta sexta-feira com os mercados chineses ampliando sua recuperação, depois de uma séria de medidas de apoio do governo ao mercado. Os papéis subiram com notícia de que agência governamental tem até US$ 483 bilhões para dar suporte à liquidez no mercado.

“Também acreditamos que a ‘equipe nacional’ continuou a comprar ações hoje para evitar que o mercado caia,” disse o analista de ações na Haitong Secreteis de Xangai, Zhang Qi. “Equipe nacional” se tornou um termo coletivo frequentemente adotado na China para designar as agências governamentais, bancos, corretoras e fundos mútuos que estão comprometidos a comprar no mercado até que a confiança dos investidores seja totalmente restabelecida.

Apesar da aprovação na Alemanha do acordo de resgate grego, os índices europeus operam entre perdas e ganhos. Com uma esmagadora maioria de 439 votos a favor e 119 contra, os legisladores do parlamento alemão aprovaram o acordo da Grécia com seus credores internacionais para o início das negociações de um novo pacote de ajuda aos gregos. No entanto, a chanceler alemã, Angela Merkel, viu diversos parlamentares do seu próprio partido votarem contra o acordo. Pelo menos 50 membros da União Democrata-Cristã, ou um em cada seis, se opuseram ao resgate.

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