Bolsa foge da instabilidade de Wall Street e volta a subir após tombo da véspera

Ibovespa tem alta de 0,64% com volume forte, ajuda das blue chips e Cosan como destaque de alta; dólar cai para R$ 1,981

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SÃO PAULO – Depois do tombo da véspera, o mercado conseguiu ignorar a instabilidade de Wall Street e registrou uma terça-feira (23) de relativa recuperação. Sustentado pelo fôlego dos ativos ligados ao mercado de matérias-primas, o Ibovespa fechou o pregão com alta de 0,64%, atingindo 49.813 pontos.

Com a agenda de indicadores deixando maior apreensão para a próxima quarta-feira, com o resultado da reunião do Fed, esta sessão destacou a apresentação de um Existing Home Sales levemente abaixo das expectativas e a realização de um leilão de venda de Treasuries pelo Tesouro norte-americano. Foram leiloados US$ 40 bilhões em notas com vencimento em dois anos, com boa procura.

Ainda sob os esforços do governo dos Estados Unidos na tentativa de melhorar as condições de liquidez dos mercados, o presidente Barack Obama afirmou durante a tarde que apesar da insistência da taxa de desemprego do país, que deve superar 10% este ano, uma nova rodada de estímulos fiscais não é necessária.

Wall Street dividida

Estas referências dividiram as atenções com o cenário corporativo, o que responde pela instabilidade das bolsas norte-americanas. Destaque para a recuperação das ações de bancos como Goldman Sachs (+3,05%) e Bank of America (+2,43%), além da expressiva desvalorização dos ativos da Boeing (-6,46%), que adiou pela quinta vez o primeiro voo do jato comercial 787 Dreamliner, alegando ter detectado uma fraqueza na estrutura do avião.

Referências internas

Com as ações divididas lá fora, o Ibovespa assumiu referências isoladas do noticiário corporativo. O volume financeiro do pregão totalizou R$ 6,9 bilhões, inflado pela Oferta Pública de Aquisição de Ações de Brasil Telecom e Brasil Telecom Participações, que movimentou R$ 2,56 bilhões.

Paralelamente, a Vale voltou às manchetes com a possibilidade de retomar as conversas para aquisição da Xstrata após o fracasso da proposta da rival na tentativa de uma fusão com a Anglo American. As ações da mineradora ajudaram a puxar a alta do Ibovespa, assim como os papéis da Petrobras, que avançaram com a recuperação dos contratos de petróleo no mercado internacional.

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Ainda assim, o grande destaque positivo do dia ficou por conta da Cosan, cujas ações lideraram os ganhos do Ibovespa em resposta ao projeto para renegociação de dívida da companhia, com rumores de que pode lançar títulos no mercado internacional para captar recursos.

Na outra ponta, a maior baixa do índice ficou para os papéis da Copel, após a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) autorizar reajuste médio de 12,98% para as tarifas da companhia. Cabe lembrar que a empresa recentemente declarou que não repassará o reajuste.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

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Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
CSAN3 Cosan ON 14,30 +7,52 +27,22 24,46M
USIM3 Usiminas ON 37,40 +5,29 +47,48 18,96M
TCSL3 TIM Part ON 6,89 +5,19 +40,33 1,57M
GOAU4 Gerdau Met PN 25,10 +3,98 +25,43 29,05M
GGBR4 Gerdau PN 19,79 +3,88 +31,85 131,95M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
CPLE6 Copel PNB 27,45 -3,85 +18,76 34,98M
RDCD3 Redecard ON 29,20 -3,15 +16,92 90,73M
BBDC4 Bradesco PN 27,70 -2,46 +23,15 217,72M
CPFE3 CPFL Energia ON 31,07 -2,30 +7,45 13,00M
SBSP3 Sabesp ON 26,89 -2,25 +0,33 9,15M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :

Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg
PETR4 Petrobras PN 31,40 +1,75 599,65M 643,96M 17.461
VALE5 Vale PNA 30,19 +0,87 443,74M 628,00M 15.574
ITUB4 Itau Unibanco PN 29,75 -2,07 224,03M 174,83M 9.775
BBDC4 Bradesco PN 27,70 -2,46 217,72M 126,89M 9.300
PETR3 Petrobras ON 38,72 +1,36 198,73M 180,63M 7.794

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

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Dólar cai

Após ter fechado a sessão anterior com forte alta, o dólar comercial fechou a terça-feira com queda de 2,08%, cotado na venda a R$ 1,981. Mesmo com a queda acentuada da moeda norte-americana frente ao real, o Banco Central do Brasil não realizou nenhuma intervenção, seja através de leilões de swaps ou de compra de dólares no mercado à vista para formação de reservas.

Em sua Nota de Mercado Aberto referente ao mês de maio de 2009, o Banco Central revelou que o estoque total da DPMFi (Dívida Pública Mobiliária Federal Interna) teve aumento de quase R$ 13 bilhões, ou 0,98%, na comparação com o mês anterior. Segundo o documento, o estoque da DPMFi encerrou o quinto mês do ano em R$ 1,274 trilhão.

Destaque também para a Pesquisa de Emprego e Desemprego, divulgada pela fundação Seade (Fundação Estadual de Sistema de Análise de Dados) e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). De acordo com os dados, a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou praticamente estável entre abril e maio, pelo segundo mês consecutivo, ficando em 15,3% da PEA (População Economicamente Ativa).

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Renda Fixa

No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em queda. O contrato com vencimento em janeiro de 2010, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 8,80%, baixa de 0,03 ponto percentual frente à apresentada na sessão anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 127,30% de seu valor de face, o que representa uma alta de 0,71%.

O risco-País, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 307 pontos-base, queda de 2 pontos em relação ao fechamento anterior.

Bolsas dos EUA com sinais opostos

Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas , teve leve baixa de 0,19% e atingiu 8.323 pontos.
Seguindo esta tendência, o índice Nasdaq Composite desvalorizou-se 0,07%, a 1.765 pontos.
Por outro lado, o S&P 500, que engloba as 500 principais empresas norte-americanas, registrou leve alta de 0,23%, atingindo 895 pontos.


Na Europa, o

índice CAC 40 da bolsa de Paris registrou leve baixa de 0,21% e atingiu 3.117 pontos.
No mesmo sentido, o índice FTSE 100 da bolsa de Londres desvalorizou-se 0,10%, para 4.230 pontos.
Por outro lado, o DAX 30 da bolsa de Frankfurt teve leve alta de 0,29%, atingindo 4.707 pontos.

Veja os indicadores previstos para a quarta-feira

Na quarta-feira (24), a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisa Econômica) apresenta o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) referente à terceira quadrissemana de junho. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revela o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15) de junho.

Por meio do IPCA – E (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – Especial), o instituto mede a inflação nacional ao consumidor baseando-se nos meses de abril, maio e junho.

O Banco Central publica a Nota do Setor Externo de maio, contendo informações sobre o balanço de pagamentos e as reservas internacionais computadas no período.

Nos Estados Unidos, o Departamento de Comércio do país revela o Durable Good Orders de maio, que avalia o volume de pedidos e entregas de bens duráveis no período.

Sairá também o New Home Sales, índice que mostra o número de casas novas com compromisso de venda realizado durante o mês de maio.

Será apresentado ainda o relatório de Estoques de Petróleo norte-americano, semanalmente organizado pela EIA (Energy Information Administration).

O grande destaque, porém, vai para o Federal Reserve, que revela o novo patamar do juro básico do país.