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Bolsa fecha estável e volta à ‘indefinição’ depois de subir com plano de concessões

Notícias do front internacional e indecisão voltaram a pesar no índice; possível compra do HSBC pelo Bradesco domina o cenário doméstico

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou estável nesta terça-feira (9) depois de subir bem pela maior parte do pregão com Petrobras, Vale e educacionais. Com isso, o índice voltou à tendência lateral dos últimos dias, com os investidores cautelosos diante da forte indefinição em questões como a elevação dos juros nos Estados Unidos, a crise da Grécia e o ajuste fiscal aqui no Brasil. Hoje foi anunciado o plano de concessões de infraestrutura do governo, que veio maior do que o esperado, mas os detalhes sobre quão rentável ele será para as concessionárias continuam nebulosos. Os dados fracos da China e a pressão do exterior que afundaram o mercado no pré-market voltaram a fazer efeito. 

O benchmark da Bolsa brasileira fechou estável, com leve variação positiva de 0,01%, a 52.815 pontos. O volume financeiro negociado no pregão da BM&FBovespa foi de R$ 6,744 bilhões. Ao mesmo tempo, o dólar comercial recuou 0,29%, a R$ 3,0998 na compra e a R$ 3,1010 na venda. 

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, começou o discurso para anunciar o plano hoje destacando que é crucial aumentar a produtividade no Brasil. Com mais produtividade, os trabalhadores poderão ter salários maiores, sem pressionar a inflação. E para isso, é crucial aumentar a taxa de investimento do País, afirmou. Os investimentos são divididos em: rodovias, R$ 66,1 bilhões; ferrovias, R$ 86,4 bilhões; portos, R$ 37,4 bilhões; e aeroportos, R$ 8,5 bilhões. A nova etapa de concessões de infraestrutura projeta investimentos de R$ 198,4 bilhões. 

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Segundo o analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, o plano de concessões como um todo parece ter agradado ao mercado com a esperança de que a nova equipe econômica faça a infraestrutura do País avançar mais do que ocorreu em 2012. Já Hersz Ferman, economista da Elite Corretora, explica que apesar da sinalização positiva com o pacote maior do que o esperado, vale prestar atenção em qual será a atratividade dos projetos daqui para frente. 

“Tem que saber como o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) vai ajudar a financiar, alguns projetos dependem de empreiteiras, que estão em dificuldades desde a Operação Lava Jato, então acho que tem que ver os detalhes de cada projeto antes de definir se será bom ou ruim para as concessionárias”, explica o economista.

Outra notícia que teve impacto no mercado hoje é a de que o governo pode arrecadar de R$ 5 bilhões a R$ 18 bilhões com a alteração na tributação que trata dos juros sobre capital próprio e dividendos. O material, a que teve acesso a Agência Estado, foi produzido pela equipe de Levy. 

Ações em destaque
Os papéis de concessionárias, viraram para queda logo pela manhã depois de subir forte antes do plano de concessões anunciado pelo governo. Fecharam em baixa CCR (CCRO3, R$ 15,35, -2,04%), Ecorodovias (ECOR3, R$ 8,09, -3,46%) e Rumo (RUMO3, R$ 1,30, -6,47%). 

Também um dos destaques do cenário corporativo, as ações do Bradesco (BBDC3, R$ 26,12, +0,46%BBDC4, R$ 27,28, -1,09%) fecharam entre perdas e ganhos diante de notícias de que o banco deve comprar o HSBC por R$ 14 bilhões. A equipe de análise da XP Investimentos disse em relatório que se o valor for confirmado, o valor a ser pago pelo Bradesco tenderia a ser elevado, pois o patrimônio líquido do HSBC no Brasil está na faixa de R$ 9,6 bilhões.

Os papéis da Vale (VALE3, R$ 19,98, -0,60%; VALE5, R$ 16,99, -0,35%) fecharam em queda com notícias do exterior. A China teve outra leitura fraca sobre inflação com o índice de preços ao consumidor recuando 0,2% em maio ante o mês anterior, colocando a inflação anual em 1,2%. Os números fracos de inflação alimentaram expectativas de que Pequim vai adotar mais estímulos de política. Investidores mesmo assim ficaram desanimados com este sintoma de demanda fraca e suas vendas tiraram as ações de máximas de sete anos, com o índice de Xangai fechando em queda de 0,4%.

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Já com a Petrobras (PETR3, R$ 14,05, +3,69%; PETR4, R$ 12,97, +3,18%), fizeram preço a alta das cotações do petróleo, que subiram 3,17%, a US$ 64,68. Além disso, companhia pode cancelar o contrato com o consórcio QGI, formado pelas empresas Queiroz Galvão e Iesa Óleo e Gás, para a construção de módulos e integração das plataformas P-75 e P-77, no estaleiro do consórcio no Polo Naval de Rio Grande (RS), afirmou nesta segunda-feira o prefeito da cidade, Alexandre Lindenmeyer.

Por fim, o plano de negócios da Petrobras de 2015 a 2019 caminha para ser aprovado pelo conselho de administração da empresa no próximo dia 26, data marcada para ocorrer a próxima reunião do colegiado. A pauta do encontro ainda não foi divulgada, o que deve acontecer no dia 19, com uma semana de antecedência. Mas, conselheiros ouvidos pelo Broadcast disseram que foram avisados pela diretoria que, neste dia, vão analisar o orçamento da petroleira para este e os próximos quatro anos. Oficialmente, a Petrobras, por meio de sua assessoria de imprensa, não confirma a data.

Os papéis do setor educacional registraram alta nesta sessão após o anúncio do Ministro da Educação, Renato Janine, de que o Fies será reaberto no 2º semestre de 2015. Kroton (KROT3, R$ 11,90, +2,15%), Estácio (ESTC3, R$ 18,95, +4,12%) também registram expressiva alta.

Serão adotados novos critérios para o Fies, entre eles de renda. A prioridade será para as regiões Norte e Nordeste e para cursos de saúde, engenharia e formação de professores. Conforme destaca a Elite Corretora, das empresas de capital aberto, a que possui maior exposição as regiões Norte e Nordeste é a Ser Educacional.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 ESTC3 ESTACIO PART ON18,95+4,12-19,03
 PETR3 PETROBRAS ON14,05+3,69+46,51
 BRKM5 BRASKEM PNA13,51+3,29-18,71
 PETR4 PETROBRAS PN12,97+3,18+29,44
 KROT3 KROTON ON11,90+2,15-22,87

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 RUMO3 RUMO LOG ON1,30-6,47-25,55
 CYRE3 CYRELA REALT ON10,26-4,74-4,03
 ECOR3 ECORODOVIAS ON8,09-3,46-20,17
 BBSE3 BBSEGURIDADE ON33,60-3,09+7,27
 CPFE3 CPFL ENERGIA ON19,20-2,09+7,16

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 PETR4 PETROBRAS PN12,97+3,18565,90M
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED32,80-0,64405,38M
 ITSA4 ITAUSA PN ED8,65+0,23317,18M
 VALE5 VALE PNA16,99-0,35311,95M
 PETR3 PETROBRAS ON14,05+3,69289,68M
 ABEV3 AMBEV S/A ON EJ18,46-0,38289,36M
 BBDC4 BRADESCO PN EJ27,28-1,09266,34M
 BRFS3 BRF SA ON66,95+0,98191,65M
 BBAS3 BRASIL ON22,52+1,30182,15M
 KROT3 KROTON ON11,90+2,15157,44M

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

HSBC em austeridade
Dando continuidade ao movimento pessimista dos investidores nos principais mercados na véspera, as bolsas europeias registraram leves quedas nesta terça. No noticiário corporativo, destaque para o HSBC. Em um comunicado à bolsa de Hong Kong, o banco anunciou que planeja cortar custos em até US$ 5 bilhões em dois anos, demitindo cerca de 50 mil funcionários e reduzindo seus ativos ponderados pelo risco em estimados R$ 290 milhões. Também faz parte da estratégia vender operações no Brasil e na Turquia e focar esforços na Ásia.

“Nós reconhecemos que o mundo mudou e precisamos acompanhar esse processo”, afirmou o CEO (chief executive officer) do HSBC, Stuart Gulliver, no comunicado. As ações da instituição financeira abriram com ganhos, mas logo viraram para o campo negativo nesta sessão. A iniciativa mostra uma sinalização negativa para os investidores sobre a percepção de um importante player do mercado mundial sobre a conjuntura, provocando incertezas em outros investidores.

No plano geopolítico, destaque para a Grécia, que segue mexendo com o humor do mercado. Credores internacionais do país sugeriram que se estenda o programa de resgate até o fim de março de 2016, porém as condições para o firmamento do acordo e projeções sobre o futuro divergentes dificultam o processo, conforme informou a agência Reuters nesta manhã.

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Importações chinesas caem
Os índices acionários asiáticos fecharam em queda nesta terça-feira conforme especulações sobre a elevação da taxa de juros nos Estados Unidos já em setembro afetaram mercados emergentes em geral. A China teve outra leitura fraca sobre inflação com o índice de preços ao consumidor recuando 0,2 em maio ante o mês anterior, colocando a inflação anual em 1,2%.

Os números fracos de inflação alimentaram expectativas de que Pequim vai adotar mais estímulos de política. Investidores mesmo assim ficaram desanimados com este sintoma de demanda fraca e suas vendas tiraram as ações de máximas de sete anos, com o índice de Xangai fechando em queda de 0,4%.