Bolsa fecha em queda de 0,57% com exterior e de olho na junta orçamentária; Vale cai 4%

Mercado fica de olho em reunião de Dilma com junta orçamentária e em dados fiscais do governo; dia foi de cautela na maior parte das bolsas mundiais

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou esta segunda-feira em queda, em dia de baixo volume de negociação a poucos dias do encerramento do ano. O tom foi de cautela nas principais bolsas mundiais, em dia de agenda econômica esvaziada pelo mundo, mas de olho na China, com Xangai em baixa de 2,5% com os dados fracos do lucro industrial e com a reforma iminente e questões de como as companhias serão listadas pesando sobre os mercados. 

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O Ibovespa fechou em queda de 0,49%, a 43.779 pontos, enquanto o dólar teve forte queda de 2,33%, em dia de baixo volume e movido por entrada de recursos pontuais. Os juros futuros tiveram um dia misto, com o DI de janeiro de 2017 em leve queda e o com vencimento em 2021 em alta, em meio aos rumores de que o governo poderia elevar o centro da meta da inflação para 5,5% ao ano, enquanto luta para que o Banco Central não tenha que elevar os juros para conter os preços, em meio ao cenário recessivo. Ao mesmo tempo, indicaria uma maior propensão do governo a não mostrar tanto compromisso com as metas e ser mais complacente com a inflação.

Voltando para a Bolsa, Petrobras e Vale foram os destaques de baixa, com queda de 3% para a petroleira em meio à baixa do petróleo e de 4% para a mineradora. 

O noticiário econômico também chama a atenção. A presidente Dilma Rousseff está reunida nesta tarde  com a equipe econômica para discutir os projetos prioritários para o começo de 2016 e também para fechar as contas de 2015. A presidente discute o fechamento das contas deste ano, incluindo os R$ 57 bilhões em pedaladas, diz o jornal O Estado de S. Paulo. As manobras estão no centro do pedido de impeachment da presidente.

O encontro começou por volta das 15h e não havia terminado até o final da tarde. Participam da reunião os ministros da Fazenda, Nelson  Barbosa, da Casa Civil, Jaques Wagner, e do Planejamento, Orçamento e Gestão, Valdir Simão. O chefe da Secretaria de Governo, ministro Ricardo Berzoini, que não faz parte da junta orçamentária, também está presente.

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Dados sobre o resultado primário do governo central ainda endossaram apreensões com o quadro político e econômico do país, que vêm minando o desempenho do pregão. O governo central registrou um déficit primário recorde de R$ 21,3 bilhões, bem acima das expectativas do mercado. 

O secretário interino do Tesouro Nacional, Otávio Ladeira, afirmou nesta segunda-feira que o governo avalia ser estratégico quitar integralmente neste ano as pedaladas fiscais de 57 bilhões de reais, sendo que deve anunciar até quarta-feira feira um balanço desse pagamento.

Ainda no noticiário econômico, destaque para o Focus: economistas elevaram mais uma vez a expectativa para a taxa básica de juros no fim de 2016, mantendo a perspectiva de início de aperto monetário já em janeiro, após o Banco Central reforçar a possibilidade de novo aumento no começo do ano. A projeção para a Selic no fim do próximo ano é agora de 15,25 por cento, ante 14,75 por cento na semana anterior. Já em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), os economistas continuam vendo contração de 3,7 por cento em 2015. Para 2016 a retração prevista chegou a 2,81 por cento, ante recuo de 2,8 por cento no relatório anterior.

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Noticiário corporativo
As ações da Petrobras fecharam em queda juntamente com os preços do petróleo no mercado internacional e notícias de que a companhia poderia reajustar para baixo o preço da gasolina no ano que vem. Lá fora, o petróleo brent, usado como referência pela estatal, recuava 3,11%, a US$ 36,71 o barril, indo para perto da mínima de 11 anos, sob pressão do excesso de oferta que reduziu em mais da metade o valor da commodity desde meados de 2014. O movimento do petróleo hoje refletia afirmação do Irã de que aumento da exportação da commodity é prioritário.

Segundo informações do jornal O Globo, a forte queda nos preços internacionais do petróleo pode levar a Petrobras a reduzir os preços da gasolina e do óleo diesel no início do ano que vem. Segundo uma fonte próxima à estatal disse à reportagem, a companhia vai realizar no final do mês avaliação das cotações internacionais de petróleo e de demais variáveis que compõem a fórmula dos preços de combustíveis no mercado interno, como câmbio. Apesar da queda do petróleo, uma outra fonte da estatal disse ao jornal que seria muito difícil a Petrobras reajustar os preços agora, já que mantê-los elevados seria a única forma da companhia melhorar seu caixa. 

Na mesma linha, a equipe de análise da XP Investimentos disse hoje, em nota a clientes, que considera difícil uma redução dos preços, lembrando que, se por um lado, a companhia ganha com os preços de derivados, por conta do prêmio em relação aos preços internacionais; de outro, perde por conta do petróleo com preço mais baixo no segmento de exploração e produção. Segundo cálculos da corretora, atualmente, os preços de combustíveis e gasolina está com um prêmio de 25% e diesel de 40% em relação aos preços internacionais. Os analistas acrescentam ainda que, com os custos de extração, participação governamental e royalties, alguns blocos podem não se tonar viáveis com o petróleo nesse patamar.

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Já as ações da Vale caíram nesta segunda-feira, contrariando a alta do preço do minério de ferro. O contrato mais ativo da commodity, o maio, subiu 1,5% na bolsa de Dalian, fechando em 309 iuanes (ou US$ 47,64) por tonelada, após encerrar em alta pela segunda semana consecutiva na sexta-feira. Acompanharam o movimento de queda as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 4,91, -5,94%), holding que detém participação na Vale. 

Em entrevista à Folha de S. Paulo, o diretor presidente da Samarco, joint venture entre Vale e BHP Billiton, Ricardo Vescovi, disse que, mesmo que a mineradora volte a operar em Mariana, Minas Gerais, nos próximos anos, a barragem que ruiu em 5 de novembro, deixando ao menos 17 mortos, não deverá ser reerguida.  

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

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Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 BRAP4 BRADESPAR PN 4,91 -5,94
 VALE3 VALE ON 12,64 -4,39
 VALE5 VALE PNA 10,09 -4,09
 PETR4 PETROBRAS PN 6,70 -3,32
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 5,03 -3,27

Já as ações da Oi amenizaram ganhos depois de ter disparado 13% nesta manhã, fechando em alta de 4,69%, em meio a rumor de que a operadora poderá apresentar proposta à Telecom Italia no começo do ano que vem para realizar a fusão com a TIM Brasil, com apoio do fundo russo LetterOne, segundo informações do Valor.

A reportagem diz que o conselho de administração da Oi vai aprovar a contratação de uma instituição financeira para atuar junto com o BTG Pactual na assessoria financeira para a operação com a Telecom Italia e o fundo russo LetterOne na compra da TIM Brasil. Paralelamente, a companhia vai buscar empréstimos em meio à sua corrida financeira, com vencimentos de R$ 11,4 bi previstos para 2016.  Nesta tarde, o conselho de administração da companhia aprovou, com ressalvas, a proposta do fundo russo de fazer aporte de até US$ 4 bilhões (cerca de R$ 15,6 bilhões) na Oi com o objetivo de possibilitar a fusão com a TIM. Segundo fonte que pediu anonimato disse ao jornal O Globo, foram pedidas mudanças quanto ao tempo de conclusão da oferta de fusão e às garantias. 

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 LAME4 LOJAS AMERIC PN 19,00 +5,79
 CESP6 CESP PNB 13,52 +5,13
 OIBR4 OI PN 2,01 +4,69
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 42,75 +3,79
 MRVE3 MRV ON 8,84 +2,79
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
Autor avatar
Lara Rizério
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Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.