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Bolsa fecha em alta puxada por Petrobras antes de balanço; dólar sobe a R$ 2,99

Índice sobe antes da divulgação do resultado do primeiro trimestre de 2015; dados dos EUA, fluxo estrangeiro e resultados estiveram no radar

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SÃO PAULO – Depois de oscilar entre perdas e ganhos durante toda a manhã desta sexta-feira (15), o Ibovespa fechou em alta impulsionado pelos dados fracos da economia norte-americana. Mais tarde será divulgado o balanço do primeiro trimestre de 2015 da Petrobras. O fluxo do investidor estrangeiro também continuou forte e trouxe pressão compradora. 

O benchmark da Bolsa brasileira fechou em alta de 1,04%, a 57.248 pontos enquanto o dólar comercial subiu 0,18%, a R$ 2,9956 na compra e a R$ 2,9981 na venda. Na semana, a Bolsa acabou ficando estável. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2016 caía 0,01 ponto percentual, a 13,77%, ao mesmo tempo em que o DI para janeiro de 2020 caía 0,10 ponto percentual, a 12,57%. O volume financeiro total negociado no pregão foi de R$ 6,330 bilhões. 

Para o analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, houve um movimento técnico de fluxo do investidor estrangeiro que não se baseia em resultados somado ao balanço da Petrobras e uma repercussão do vencimento de opções sobre ações, que será na segunda-feira. 

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Entre os indicadores macroeconômicos, nos EUA, a produção industrial caiu 0,3% em abril, ante expectativas de avanço de 0,1%e a utilização da capacidade das indústrias recuou de 78,6% em março para 78,2% em abril contra previsões de recuo mais leve, a 78,4%. A maior surpresa negativa, no entanto, ficou na conta do índice de confiança do consumidor de Michigan, que despencou de 95,9 pontos para 88,6 pontos na prévia de maio. Economistas previam que ele fosse subir para 96 pontos. 

Além disso, as notícias corporativas, continuam fortes no radar na opinião do analista da Rico Corretora, Roberto Indech. Lembrando que hoje foi o último da temporada de resultados do primeiro trimestre de 2015. “Alguns ativos [de empresas que divulgaram resultados] como BM&FBovespa (BVMF3), Cyrela (CYRE3) e Copel (CPLE3) subiram muito, ao mesmo tempo em que entre as maiores quedas ficaram com Qualicorp (QUAL3), Fibria (FIBR3) e CCR (CCRO3), que também têm notícias específicas no radar”, explica. 

Também impacta os mercados por aqui o boletim em São Paulo que será apresentado pelo diretor do Banco Central, Luiz Awazu. Ele é responsável pela mensagem mais “hawkish” (agressiva) das mais recentes comunicações do BC como visto na última ata do Copom (Comitê de Política Monetária), na qual o BC disse que “permaneceria vigilante” e que teria como objetivo trazer a inflação de volta para o centro da meta até o final de 2016.  

Blue chips oscilam; BM&F Bovespa sobe após balanço
As ações da Petrobras (PETR3PETR4) fecharam em alta. A companhia, de acordo com a projeção de analistas, deve voltar a registrar lucro, mas os dados operacionais não devem vir positivos. Para Roberto Indech da Rico, é difícil cravar se será positivo ou negativo o balanço da Petrobras, uma vez que é o primeiro “normal” da era Bendine, o que foi responável pela volatilidade dos ativos na sessão. 

Entre as poucas altas, a BM&FBovespa (BVMF3) reagiu positivamente aos números do primeiro trimestre. A empresa anunciou um lucro líquido de R$ 279,7 milhões no período, aumento de 9,2% sobre o mesmo período do ano passado, mas um pouco abaixo do esperado pela média do mercado, segundo pesquisa da Reuters.

A receita total subiu 5,9% na comparação anual, para R$ 577,3 milhões, impulsionada por crescimento no faturamento do segmento BM&F e receitas não relacionados a volumes negociados, informou a operadora da bolsa paulista no balanço.

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As ações da Vale (VALE3VALE) tiveram forte osilação e fecharam em leve queda perto da estabilidade. Hoje, o Credit Suisse destacou em relatório que o corte de custos da mineradora é positivo, mas que será parcialmente ofuscado pela queda dos preços de minério de ferro. 

A alta dos papéis, afirmam os analistas do banco, refletem uma percepção do mercado que não necessariamente corresponde aos fundamentos, já que não deve haver mudança estrutural na China e que os maiores players de mercado não vão conseguir reduzir a sua produção. 

A Cyrela também reagiu positivamente à divulgação do balanço do primeiro trimestre. A incorporadora encerrou o primeiro trimestre com queda de 38,5% no lucro líquido do primeiro trimestre sobre o mesmo período do ano passado, para R$ 101 milhões.

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou R$ 154 milhões nos três meses encerrados em março, queda de cerca de 37% sobre o primeiro trimestre do ano passado.

Já as ações da Fibria registraram uma das maiores quedas do Ibovespa. O Conselho de Administração da companhia aprovou nesta quinta-feira a construção de uma nova linha de produção de celulose em Três Lagoas (MS), com investimento estimado em R$ 7,7 bilhões. A aprovação do projeto de expansão, após meses de estudos, ocorreu cerca de uma semana depois que a Fibria anunciou um acordo comercial com a Klabin para a compra de pelo menos 900 mil toneladas anuais de celulose a partir de 2016.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 POMO4 MARCOPOLO PN N23,19+7,41-1,82
 MRVE3 MRV ON8,14+5,17+13,89
 GOLL4 GOL PN N28,35+5,16-44,99
 RUMO3 RUMO LOG ON1,34+4,69-23,26
 KROT3 KROTON ON ED12,38+4,56-19,75

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 RENT3 LOCALIZA ON34,16-2,73-3,28
 QUAL3 QUALICORP ON24,97-2,08-8,61
 BRKM5 BRASKEM PNA14,60-1,88-12,16
 CCRO3 CCR SA ON15,51-1,84+0,99
 FIBR3 FIBRIA ON ED42,74-1,50+32,30

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 PETR4 PETROBRAS PN ATZ14,06+1,22736,93M
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN38,72+1,87305,09M
 VALE5 VALE PNA17,79-0,50297,94M
 PETR3 PETROBRAS ON15,05+1,62252,69M
 CIEL3 CIELO ON42,90+1,42185,74M
 UGPA3 ULTRAPAR ON73,85+2,17185,17M
 ABEV3 AMBEV S/A ON19,58+0,72180,06M
 BBDC4 BRADESCO PN32,28+2,09177,80M
 KROT3 KROTON ON ED12,38+4,56168,03M
 VALE3 VALE ON21,28-0,23115,61M

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* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

Europa fecha em queda
A alta do euro na esteira de dados fracos dos Estados Unidos afetou as ações europeias nesta sexta-feira, apesar de os mercados de títulos terem se estabilizado após as recentes vendas. O índice FTSEurofirst 300, que reúne os principais papéis do continente, fechou em queda de 0,53%, a 1.573 pontos – com as ações alemãs, focadas em exportações, entre as mais afetadas – após o euro atingir máxima da sessão contra o dólar.

A produção industrial dos Estados Unidos caiu pelo quinto mês seguido em abril, enquanto forte recuo da confiança do consumidor norte-americano no início de maio destacou a dificuldade que a economia dos EUA enfrenta para retomar a força após um primeiro trimestre fraco.

As ações das empresas de petróleo e gás Technip e Statoil recuaram cerca de 3 por cento uma vez que os preços do petróleo foram abaixo de 66 dólares por barril.

“As pessoas estão tirando algum risco da mesa”, disse o presidente da SteppenWolf Capital Phoebus Theologites. “‘Venda em maio e vá embora’ tem funcionado até agora neste ano.”

Já os índices acionários asiáticos fecharam em alta, marcando ganhos sólidos na semana, enquanto investidores aguardavam a divulgação de mais indicadores econômicos sobre os Estados Unidos após o fechamento, em busca de mais pistas sobre quando o Federal Reserve, banco central do país, elevará a taxa de juros.

A bolsa chinesa recuou depois que o presidente da agência reguladora de mercados de capitais da China, Xiao Gang, disse que a recente medida do órgão para acelerar a aprovação de ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) não terá um grande impacto no mercado – o que alguns interpretaram como um sinal de que a atividade de IPOs pode aumentar ainda mais.

Ainda assim, o índice de Xangai saltou mais de 2% na semana.

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Entre os dados previstos para serem divulgados nos EUA nesta sexta-feira estão o resultado da produção industrial em abril e a leitura preliminar de maio da Universidade de Michigan sobre confiança do consumidor.

(Com Reuters)