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SÃO PAULO – Se houve euforia nos últimos pregões, no embalo das decisões tomadas pelo parlamento da Grécia e indicadores nos EUA, os mercados de ações devem enfrentar mais dificuldades nesta semana, com o retorno da trajetória instável ou até mesmo um movimento de correção.
“Na semana passada, por exemplo, ocorreram oscilações para cima sem nenhuma razão aparente”, afirmou em relatório a equipe da Rosenberg Consultores Associados, que reforçam o ceticismo: “com base em fundamentos, a bolsa está sem tendência de alta – mais para estabilidade”.
Para muitos analistas, o mercado se deixou embalar pelos sinais positivos sobre o encaminhamento da crise grega, o que levou as bolsas nos EUA a registrarem seu melhor desempenho semanal em dois anos. Ainda assim, estes são elementos insuficientes para a definição de uma trajetória positiva nos mercados globais.
Sem trégua
“A história não acabou”, disse o analista da Cruzeiro do Sul Corretora, Jason Vieira. “A questão europeia está longe de uma solução e o aumento de tensão na Grécia abre espaço para que (…) comecem a buscas problemas em outros países”, completou.
Em sua avaliação, o cenário é de volatilidade para as bolsas a partir desta segunda-feira (4). “A ausência do referencial do mercado americano tende a elevar a volatilidade e iniciar a correção dos ativos”, afirmou Vieira, sobre o feriado de independência norte-americano, que deve limitar o volume de negócios.
Na mesma linha, o analista do Standard Bank Steve Barrow, afirmou que a aversão ao risco tem flutuado ao sabor da “saga da dívida grega”. “A tensão pode ter passado neste momento, mas pode facilmente retornar”, ponderou.
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Oportunidade
Por outro lado, há os que enxergam no atual cenário uma possibilidade para elevação da exposição ao risco. “Ações cíclicas e de commodities capitanearam a lista das mais valorizadas e despontam como uma alternativa para investidores com maior apetite por risco ou que busquem um ajuste (ainda que suave), no beta de sua carteira”, disse em relatório o chefe de análise da Ágora Corretora, Marco Melo.
Mas com a perspectiva para as ações no Brasil tão coladas ao que ocorre lá fora, cabe atentar ao noticiário internacional. “O fator chave para os EUA será o relatório de emprego”, afirmou a equipe do Danske Bank, sobre os dados do mercado de trabalho a serem divulgados pelo governo do país na sexta-feira. “Esperamos por uma surpresa favorável em julho”, concluíram.
Internamente, os investidores devem continuar atentos ao cenário doméstico sobre inflação, um dos principais fatores de pressão sobre a bolsa doméstica em 2011, com foco sobre a divulgação do IPCA (Índice de preços ao consumidor – Amplo) referente a junho.
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“Os índices deverão registrar inflação em torno de zero, mas se o recuo continuar a ser causado pela queda dos preços agrícolas, os dados reforçarão a percepção de que já em julho a inflação deverá voltar a subir”, afirmou a equipe de análise econômica do Banif.