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Bolsa despenca 2% puxada por Petrobras e Vale após exercício de opções; dólar sobe 1%

Índice virou para queda depois de abrir em alta com ganhos da petroleira; investidores embolsam lucros pós-exercício de opções

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SÃO PAULO – O Ibovespa opera em forte queda nesta segunda-feira (18) e acelerou perdas perto das 14h (horário de Brasília). O mercado fica pessimista com rumores de mais tributações e impostos pesando ao mesmo tempo em que investidores realizam ganhos com as vendas de ações após o exercício de opções. O que explica os desempenhos negativos principalmente de Petrobras e de Vale. 

Às 15h46, o benchmark da Bolsa brasileira caía 2,22%, a 55.975 pontos, enquanto o dólar comercial subia 1,02%, a R$ 3,0279 na compra e a R$ 3,0287 na venda. 

O exercício de contratos de opções sobre ações movimentou R$ 2,92 bilhões na Bovespa, informou a BM&FBovespa na tarde desta segunda-feira (18). Desse montante, R$ 2,166 bilhões foram de opções de compra e R$ 758,3 mil foram de opções de venda. 

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As “calls” (opções de compra) de ações preferenciais da Petrobras (PETR4) foram o principal destaque no exercício, ocupando as três primeiras posições em volume movimentado. As opções para comprarem PETR4 a R$ 14, R$ 13 e R$ 11 giraram R$ 179,22 milhões, R$ 93,71 milhões e R$ 78,27 milhões, respectivamente.

Logo atrás, aparecem dois contratos com ações preferenciais da Vale (VALE5): as “puts” (opções de venda) ao preço de R$ 17,84, que movimentaram R$ 72,1 milhões, e as “calls” de R$ 16,84, cujo giro foi de R$ 66,24 milhões, informa a BM&FBovespa.

É bom ter em mente que o quando um investidor tem uma opção de compra no dia de vendimento, ele deve exercê-la assim que possível e depois vender a ação para impedir que ela vire pó, como costuma ser dito no mercado financeiro. Como os papéis da Petrobras abriram perto de R$ 14,60, alguns investidores correram para exercer sua opção para comprar a R$ 14 e vender imediatamente para embolsar este lucro de R$ 0,60 por ação. 

Dentro do cenário político-econômico, preocupa um pouco no mercado os rumores de que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tem estudado propostas para elevar a arrecadação. E com duas medidas que podem agradar a esquerda: “um imposto sobre herança e outro sobre os dividendos de aplicações no mercado de capitais”.

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) foram de disparada de 4% na abertura a queda de 4% esta tarde. A estatal anunciou que aprovou a emissão de até R$ 3 bilhões em debêntures. Esse montante poderá ainda ser acrescida de um lote adicional de debêntures equivalentes a até 20% do inicial ofertado e/ou um lote suplementar equivalente a até 15% do inicialmente ofertado. Em teleconferência, a companhia ressaltou que poderá voltar a pagar dividendos no ano que vem se o resultado voltar a ficar positivo.

Além disso, deve impactar a estatal neste pregão a alta do petróleo, que sobe 1,02% no caso do barril do WTI (West Texas Intermediate), a US$ 60,30 e 0,33% no caso do barril do Brent, a US$ 67,03. A tensão geopolítica com o avanço do Estado Islâmico no Iraque é responsável pela valorização dos preços do combustível. O EI teria conseguido tomar o controle da cidade de Ramadi, a pouco mais de 100 quilômetros de Bagdá, de acordo com informações da BBC. 

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Na mesma direção, os bancos caem após menção a aumento na CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) nas instituições financeiras em artigo do Valor Econômico. “Dilma se reúne com ministros; emendas devem responder por cerca de 30% do corte… A equipe do Ministério da Fazenda já tem pronta uma lista de impostos que podem ser aumentados, e a elevação da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos de 15% para 17% está praticamente decidida”. De acordo com o Credit Suisse, o impacto que poderia ser causado no Itaú Unibanco (ITUB4), no Bradesco (BBDC3; BBDC4) e no Banco do Brasil (BBAS3) gira em torno de 2% a 2,5% do lucro líquido nos próximos dois anos. 

Do lado negativo também ficam as ações da Vale (VALE3; VALE5) que registravam fortes perdas depois do exercício de opções. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 GOLL4 GOL PN N27,97-4,55-47,505,84M
 POMO4 MARCOPOLO PN N23,05-4,39-6,135,69M
 VALE3 VALE ON20,35-4,37-4,04160,51M
 KROT3 KROTON ON ED11,87-4,12-23,06306,71M
 PETR3 PETROBRAS ON14,44-4,05+50,57215,83M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA15,64+0,97+40,2234,22M
 FIBR3 FIBRIA ON43,09+0,82+33,3864,05M
 MRVE3 MRV ON8,15+0,12+14,0319,64M
 DTEX3 DURATEX ON8,44+0,12+5,987,05M
 CCRO3 CCR SA ON15,52+0,06+1,0646,29M
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

 

 

Preocupação com os EUA
O mercado acionário europeu subiu nesta segunda-feira uma vez que aumentou o otimismo em relação a um acordo sobre a dívida grega, embora os resultados das empresas de energia e vendas de ações do setor bancário tenham pesado sobre o apetite de investidores.

O índice FTSEurofirst 300, que reúne os principais papéis do continente, fechou em alta de 0,43 por cento, a 1.579 pontos.

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Os papéis do grupo de energia austríaco OMV recuarám 8,3 por cento, após ter divulgado queda pela metade do lucro que desconsidera itens extraordinários e ganhos ou perdas de estoques, uma vez que os preços baixos do petróleo pesaram sobre seu negócio de exploração e produção.

As ações na Grécia se recuperaram após uma queda inicial, com o índice ATG fechando em alta de 1,6 por cento. A União Europeia disse que Atenas está sendo “mais construtiva” nas negociações, embora tenha negado uma notícia citada por operadores de que a Comissão Europeia estaria se preparando para se comprometer em relação a um acordo sobre a dívida grega.

“A saída da Grécia (da zona do euro) ainda tem probabilidade baixa este ano, em nossa visão… Mas a volatilidade pode aumentar uma vez que as negociações de resgate continuam e a falta de dinheiro fica mais intensa”, escreveram analistas do RBS em nota a clientes.

(Com Reuters)