Bolsa deixou de ser um mercado de commodities, alerta Santander

Mudança estrutural leva ações de empresas cíclicas domésticas ao posto de maior representatividade do Ibovespa

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SÃO PAULO – “O mercado de ações brasileiro não é mais um mercado de commodities.” A declaração é de Marcelo Audi, head de equities do Santander. Audi alerta que o fato passa desapercebido pelos investidores, mas que o Ibovespa agora é concentrado em setores cíclicos domésticos, tais como as instituições financeiras, construtoras, varejistas, entre outras. Elas representam, atualmente, 43% do Ibovespa.

“É uma situação inédita”, diz, em encontro com jornalistas na sede do Santander em São Paulo nesta terça-feira (11). Para ele, essa situação é uma mudança estrutural e acontece, normalmente, a cada dez anos. Nos anos 90, o destaque da bolsa eram as ações de empresas de telecomunicações, que deram lugar às empresas de commodities nos anos 2000.

Essa alteração pode ser vista com base em novos fundamentos. O resultado por ação estimado para as empresas de commodities é de perdas de 12% neste ano, ganhos de 17% no próximo e de apenas 2% em 2014. Por sua vez, a estimativa para as companhias domésticas cíclicas é de ganhos de 12%, 15% e 13%, respectivamente.

Portanto, o analista sugere uma estratégia mais agessiva com relação a esse setor, amparada na recuperação econômica que deverá ser observada a partir desse terceiro trimestre. “A demanda doméstica do país emergente será o grande motor por um bom tempo.”

Aliás, nesse novo cenário Petrobras (PETR3, PETR4) e Vale (VALE3, VALE5) podem perder o posto de ações mais representativas da bolsa, embora o analista não saiba dizer qual seria a empresa que as desbancaria.

No varejo, esperar por um ponto melhor
Para Audi, os setores de varejo e de transporte serão os que apresentarão os maiores avanços, inclusive com novas participantes na bolsa. “Vislumbro, no mínimo, mais cinco anos em um processo consistente de empresas vindo ao mercado”, diz.

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Apesar disso, Audi não recomenda aos investidores entraremo no setor varejista neste momento. “Esperamos um melhor ponto de entrada”, alerta. Apesar das ações do setor não estarem caras, as outras empresas cíclicas domésticas, como Cetip (CTIP3), Random (RAPT4) e construtoras apresentam retornos mais atrativos. “Esperamos uma notícia ruim ou uma revisão para baixo de algum número”, explica.

Essa nova dinâmica torna o mercado mais desenvolvido, ressalta, já que possibilita estratégias alternativas e com liquidez.

Ibovespa aos 70 mil pontos
Para o índice de um modo geral, Audi estima um Ibovespa entre 65 mil e 70 mil pontos nos próximos quatro a seis meses.  No início do ano, a estimativa era que o índice fechasse o ano aos 71 mil pontos, número que foi revisado para baixo por conta do desempenho econômico pior que o esperado no primeiro semestre.

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Por outro lado, o cenário é de otimismo. “Fique posicionado, tenha paciência, na hora que o mercado virar será muito rápido”, recomenda.