Bolsa de Xangai: compreenda como funciona o maior mercado de ações da China

Mercado, além de altamente especulativo e com pouca transparência, é dominado por empresas estatais

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SÃO PAULO – Estopim do conturbado movimento de ajuste vivido pelos mercados financeiros globais no fim de fevereiro e basicamente liderando a expressiva tendência de valorização verificada nas últimas semanas, a Bolsa de Títulos e Valores Mobiliários de Xangai, a principal da China, ganhou forte visibilidade entre os investidores.

Após subir mais de 130% em 2006 e acumular alta superior a 40% em 2007, o principal índice da Bolsa chinesa começou a apresentar maior instabilidade. Sob os rumores de que o governo do gigante asiático iria criar um imposto sobre os ganhos de capital, o índice recuou 9% no dia 27 de fevereiro, impelindo forte turbulência aos principais índices acionários mundiais.

Passado o pânico e com os rumores sobre o controle de capitais se mostrando inverídicos, a Bolsa chinesa voltou a apresentar resultados positivos. Nesta quarta-feira (23), o mercado de Xangai acumulou o seu terceiro pregão seguido de valorização. O índice Shangai Composite, que já acumula expressivos ganhos de 56% neste ano, registrou alta de 1,54%, encerrando o dia a inéditos 4.174 pontos.

Mercado especulativo e com pouca transparência

Até então noticiados de forma tímida pela mídia brasileira, o que pouca gente sabe é que movimentos especulativos são usuais na principal Bolsa da China. Com aproximadamente 850 empresas listadas, governança corporativa parece não ser o forte das companhias que negociam suas ações naquele mercado.

Além de oferecerem informações econômico-financeiras e operacionais em sua maioria não confiáveis, o que dificulta e até inviabiliza o trabalho dos analistas fundamentalistas, a maior parte das empresas é controlada pelo Governo. Muitas vezes, os investimentos destas instituições são balizados por interesses econômico-sociais, com o retorno financeiro ficando em segundo plano.

Como conseqüência, o perfil dos cerca de 40 milhões de investidores pessoa-física da China é em sua maioria especulativo e o foco: ganhos de curto prazo. O mercado chinês é quase totalmente dominado pelos investidores locais e ainda pouco representativo na poupança interna do país.

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Outras peculiaridades

Diferente dos mercados de ações brasileiro, onde as ações são listadas basicamente como preferenciais e ordinárias e classificadas por grau de governança corporativa, na Bolsa de Xangai existem ações cotadas em moeda local e em dólares, além de papéis negociáveis e não-negociáveis.

As ações classe A, as mais líquidas da Bolsa, são cotadas em moeda local e, em tese, só podem ser adquiridas por chineses. O governo da China, no entanto, criou em 2003 um meio para que os investidores qualificados pudessem adquirir estes papéis. Entretanto, o mecanismo ainda é muito pouco utilizado.

O segundo tipo de ações é o de classe B. Os papéis são destinados aos investidores estrangeiros e cotados em dólar. Já o terceiro tipo de ações é o de classe H, que representam empresas chinesas que abriram capital na Bolsa de Hong Kong.

Existem ainda ações negociáveis e, de forma controversa para uma bolsa de valores, não-negociáveis. Os papéis não-negociáveis estão na mão do Governo. Outra diferença interessante em relação aos principais mercados do globo, é que na Bolsa de Xangai, o vermelho indica que uma ação está em alta e o verde em baixa.