Bolsa cai pelo 5º dia seguido, com pesquisa eleitoral e rating do Brasil em risco

Ibovespa acumula perdas de 5,1% nos últimos 5 pregões, após pesquisa mostrar uma menor vantagem de Marina sobre Dilma; Moody's sinaliza que pode cortar rating brasileiro

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SÃO PAULO – O Ibovespa conheceu nesta terça-feira (9) seu 5º pregão seguido de queda, ao cair 0,87%, aos 58.676 pontos, com os investidores avaliando a melhora de Dilma Rousseff na nova pesquisa eleitoral divulgada e o risco de corte de rating da economia brasileira anunciado pela agência Moody’s. Dessa forma, o principal índice da bolsa brasileira acumula perdas de 5,1% nos últimos cinco pregões, se distanciando cada vez mais dos 62 mil pontos. O volume financeiro da Bovespa nesta sessão foi de R$ 8,942 bilhões. Além disto, nesta sessão o dólar subiu 0,91%, a R$ 2,2862 na venda, após atingir R$ 2,2935 na máxima da sessão, sendo o maior patamar de fechamento da moeda em duas semanas.

A pesquisa CNT/MDA mostrou uma menor vantagem de Marina Silva (PSB) sobre Dilma Rousseff (PT) em um eventual 2º turno, o que pressionou as ações do “kit eleições” (estatais, bancos e Cosan), já que o mercado tem reagido com otimismo sempre que a atual presidente cai nas pesquisas e com pessimismo quando ela cresce. Além disso, repercute o anúncio da agência de classificação de risco Moody’s, que rebaixou a perspectiva de rating do Brasil para negativa, deixando em aberto um novo corte na nota brasileira nos próximos meses.

Destaques: eleições, Vale e TIM
Com as novidades eleitorais, as ações do “kit eleições” aparecem com quedas de mais de 1%, prejudicando o desempenho do Ibovespa, tendo em vista o forte peso que elas têm na composição do índice. Dentre as quedas, aparecem Petrobras (PETR3, R$ 20,39, -1,45%; PETR4, R$ 21,48, -1,01%), Eletrobras (ELET3, R$  7,29, -2,80%; ELET6, R$ 10,84, -2,61%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 32,35, -0,43%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 38,90, -1,54%), Bradesco (BBDC4, R$ 39,22, -1,33%) e Cosan (CSAN3, R$ 42,70, -0,93%).

Indo na contramão do mercado, as ações da Vale (VALE3, R$ 28,61, +1,81%; VALE5, R$ 25,13, +1,33%) – que podem se tornar a “nova inimiga” de Marina Silva na Bolsa – subiram mais de 1% e ajudaram a amenizar as perdas do índice, já que a mineradora responde por cerca de 10% de participação na carteira teórica. O minério registrou nova mínima, de US$ 83,20 a tonelada. Contudo, uma boa notícia: a China pode atingir sua meta de crescimento econômico de cerca de 7,5% neste ano embora o país não consiga evitar flutuações de curto prazo na atividade, afirmou o primeiro-ministro, Li Keqiang, segundo a agência de notícias estatal Xinhua. Autoridades também manterão estável a política monetária da China, segundo a agência.

Como maior alta do dia, aparece a TIM (TIMP3, R$ 13,56, +2,11%), digerindo a notícia de que a Telecom Italia calcula levantar US$ 16,8 bilhões com a venda de sua fatia na companhia, segundo informações da Bloomberg. Ainda vale mencionar que os papéis da Oi (OIBR4, R$ 1,56, -4,88%) caíram forte com o que pode ser uma reavaliação do mercado sobre os benefícios da fusão da companhia com Portugal Telecom. João Pedro Brugger, analista da Leme Investimentos, disse que este é “um papel que sempre teve muitos problemas de governança, e agora com fusão aprovada pode ter ganhos de sinergia a longo prazo, mas isto deverá vir depois”.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Ibovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 OIBR4 OI PN 1,49 -6,29 -58,50 111,83M
 CPLE6 COPEL PNB 37,40 -4,47 +26,00 31,15M
 PDGR3 PDG REALT ON 1,38 -4,17 -23,76 16,04M
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 10,33 -3,37 -2,28 13,31M
 CYRE3 CYRELA REALT ON 13,31 -2,99 -5,77 31,55M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Ibovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 TIMP3 TIM PART S/A ON 13,56 +2,11 +13,11 112,31M
 QUAL3 QUALICORP ON 26,62 +1,99 +18,31 73,49M
 VALE3 VALE ON 28,61 +1,82 -17,63 197,55M
 VALE5 VALE PNA 25,13 +1,33 -20,86 372,52M
 NATU3 NATURA ON 39,51 +0,79 +0,39 38,52M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 21,48 -1,01 1,54B 1,20B 64.161 
 PETR3 PETROBRAS ON 20,39 -1,45 660,41M 398,15M 38.758 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 38,90 -1,54 527,98M 424,44M 25.158 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 39,22 -1,33 385,37M 312,89M 20.512 
 BBAS3 BRASIL ON 32,35 -0,43 373,09M 302,74M 22.941 
 VALE5 VALE PNA 25,13 +1,33 372,52M 484,52M 33.018 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 13,39 -2,90 298,53M 213,90M 38.364 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 15,70 -0,38 215,84M 180,35M 36.834 
 VALE3 VALE ON 28,61 +1,82 197,55M 139,43M 21.860 
 ITSA4 ITAUSA PN ED 10,53 -1,03 188,88M 150,83M 24.354 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

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Noticiário do dia
Ao contrário da pesquisa anterior, Marina Silva (PSB) e Dilma Rousseff (PT) subiram na intenção de voto no primeiro turno, apontou a CNT/MDA. Dilma, que antes tinha 34,2% das intenções, obtém 38,1% das respostas dos entrevistados. De 28,2%, Marina vai para 33,5%. Já no segundo turno entre Dilma e Marina, a candidata do PSB leva vantagem: Marina fica com 45,5% dos votos, e Dilma, com 42,7%, uma diferença de 2,8 pontos percentuais, menor do que da última pesquisa.

Como temos visto desde março, quando teve início o “rali eleitoral”, os investidores têm mostrado otimismo à medida que as intenções de voto para Dilma caíssem: de lá pra cá, o Ibovespa subiu quase 40%, com as estatais e bancos – as ações mais “sensíveis” a essas novidades – chegando a dobrar de valor nesse período. A “reprovação” do mercado para o governo petista deve-se à maneira intervencionista que a atual gestão tem atuado em importantes setores da economia e também com a Petrobras. Dessa forma, uma nova pesquisa mostrando “melhora” de Dilma Rousseff na corrida presidencial acaba sendo um bom gatilho para que os investidores vendessem suas ações.

Desde ontem, correram rumores de que pesquisas feitas pelo PT e PSDB mostravam o início de uma queda nas intenções de voto de Marina Silva. Já nesta terça-feira, o próprio comando da campanha do PSB já está prevendo esta perda da vantagem. Com isso, os planos agora são apenas de conseguir chegar no segundo turno, o que deve levar Marina a manter uma postura defensiva diante dos ataques que tem sofrido.

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Ainda no meio eleitoral, Luis Stuhlberger, do Fundo Verde, disse que chances de Marina ganhar são de 70%. Se antes o gestor do fundo apontava que Dilma deveria vencer as eleições, Stuhlberger vê agora uma chance de oposição vença, através de Marina Silva.

Corte de rating?
Partindo para o campo econômico, a Moody’s Investors Service alterou hoje a perspectiva do rating Baa2 dos títulos do governo brasileiro para negativa, de estável. A alteração da perspectiva aplica-se a todas as classes de rating para “Brasil, Governo do”, ou seja, ratings de emissor, ratings de títulos do governo e shelf ratings. O teto soberano em moeda estrangeira e moeda local permanece inalterado. Os determinantes para a redução da perspectiva foram a redução sustentada do crescimento econômico, a deterioração acentuada do sentimento do investidor e os desafios fiscais que os obstáculos econômicos impõem.

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