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Bolsa cai com bancos e siderúrgicas e dólar afunda 1,2% por sinais do Fomc

Fomc indica alta dos juros mais lenta e derruba o dólar, mas Bolsa continuou em queda por preocupações com a Grécia e com o ajuste fiscal do governo brasileiro

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em leve queda nesta  quarta-feira (17) depois da decisão do Fomc (Federal Open Market Comittee), que manteve a taxa de juros dos Estados Unidos inalterada na banda entre 0% e 0,25%. O mais importante, contudo, foi a sinalização de que o BC dos EUA subirá os juros de maneira mais lenta. Ainda impactou o mercado hoje a tensão na Grécia, que deve continuar longe de um acordo de resgate para o pagamento da sua dívida que vence em duas semanas. 

O benchmark da Bolsa brasileira recuou 0,84%, a 53.248 pontos. O volume financeiro negociado na BM&FBovespa foi de R$ 12,086 bilhões. Ao mesmo tempo, o dólar comercial fecheou em queda de 1,21%, a R$ 3,0561 na compra e a R$ 3,0579 na venda. Lá fora, os índices norte-americanos fecharam em alta. 

O Fed vê a sua taxa de referência subindo para 1,625% até o final de 2016, abaixo dos 1,875% de sua previsão de março. O BC dos EUA tem mais quatro reuniões esse ano, mas a maior parte dos analistas assume que o Fed não deve começar a elevar as taxas de juros em julho, o que “coloca na mesa” as reuniões de setembro, outubro e dezembro para a elevação das taxas. O comitê da autoridade monetária destacou ver duas altas na taxa de juros antes do fim do ano, o que deixa na mesa a expectativa que a alta dos juros deve começar em setembro. 

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Segundo o economista da Elite Corretora, Hersz Ferman, há dois pontos importantes a se destacar do comunicado do Fomc: um que ele confirmou que a fraqueza na economia no primeiro trimestre foi passageira e o segundo, que os juros terão um ritmo mais lento de subida. “Na última reunião de março, a média dos membros do comitê esperavam 0,75% ao ano no fim de 2015, agora está em 0,57%”, explica. Ou seja, o movimento óbvio do mercado é uma valorização maior na Bolsa e uma queda maior do dólar. 

O movimento volátil logo após a decisão do Fomc, na opinião de Ferman, é consequência da precipitação de diversos players do mercado, que dispararam ordens antes de ler com atenção todos os pontos importantes do comunicado. Devido ao volume de informações e viés interpretativo do indicador, Ferman acredita que seja normal uma maior volatilidade logo depois da divulgação. 

Ações em destaque
Entre as quedas, após duas sessões de alívio, os bancos voltam a ser pressionados na Bolsa. Ontem, os papéis do Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,94, -1,77%), Bradesco (BBDC3, R$ 27,18, +0,11%; BBDC4, R$ 27,72, -2,08%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 22,55, -2,84%) tiveram forte alta coincide com o vencimento de opções sobre ações da Bovespa, que ocorreu na segunda-feira, já que muitos investidores zeraram suas opções vendidas nesses papéis.

Além disso, o diretor de relações com investidores do Itaú, Marcelo Kopel, destacou que o cenário econômico atual é “desafiador”. Diante das dificuldades, o banco aposta que a inadimplência marcará o ano de 2015, inclusive entre as grandes empresas. Apesar de prever que o restante do ano será melhor do que foi o primeiro trimestre, o Itaú mantém no radar o risco do “calote”. Para se precaver, aumentou a reserva com perdas duvidosas, o que deverá ter efeito direto sobre o spread do banco.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 QUAL3 QUALICORP ON19,94-4,13-27,02
 BRKM5 BRASKEM PNA13,52-4,05-18,65
 GOAU4 GERDAU MET PN7,05-3,42-37,08
 USIM5 USIMINAS PNA4,45-3,26-11,39
 BBAS3 BRASIL ON EJ22,55-2,84+0,18

As ações da Vale (VALE3, R$ 19,47, -1,42%; VALE5, R$ 16,85, -1,00%) operam em queda pelo quarto dia seguido, seguindo a baixa da cotação do minério de ferro na China. Ominério de ferro spot do porto de Qingdao registrou baixa de 2,23%, a US$ 61,51 a tonelada nesta quarta-feira. Em quatro sessões, a baixa da Vale já chega a mais cerca de 7%. As ações das siderúrgicas também registram baixa, caso de Usiminas (USIM5, R$ 4,45, -3,26%), CSN (CSNA3, R$ 5,67, -2,24%) e Gerdau (GGBR4, R$ 7,96, -2,69%). Além da queda do preço do minério de ferro, destaque ainda para as notícias negativas para o setor. 

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As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód.AtivoCot R$% Dia% Ano
 TIMP3TIM PART S/A ON9,96+3,32-14,00
 NATU3NATURA ON28,40+2,64-7,46
 POMO4MARCOPOLO PN N22,60+2,36-19,98
 VIVT4TELEF BRASIL PN43,06+1,63-1,48
 HGTX3CIA HERING ON12,34+1,40-37,19

Segundo informações do jornal Valor Econômico, em meio a uma crise profunda, a maior desde 2009, o setor de siderurgia já computa 11,2 mil demissões de funcionários desde junho de 2014, enquanto 1,4 mil trabalhadores entraram em regime de layoff (suspensão temporária dos contratos de trabalho). A Usiminas desativou dois de seus alto-fornos no início do mês. A estimativa é que sejam cortados mais 4 mil postos de trabalho do setor nos próximos meses se a situação de fraca demanda persistir. 

Acompanhando o cenário mais negativo, as ações da Petrobras (PETR3, R$ 14,49, -1,29%; PETR4, R$ 13,19, -1,20%) passaram a registrar baixa nesta quarta-feira. Após chegar a subir 1,80% mais cedo, os papéis viraram para queda no início da tarde. Em destaque, o Senado decidiu ontem acelerar a tramitação do projeto que altera o modelo de exploração de partilha do pré-sal.

As ações da TIM (TIMP3, R$ 9,96, +3,32%) sobem forte, seguidas pelos papéis da Telefônica Brasil (VIVT4, R$ 43,06, +1,63%). Os papéis sobem forte em meio à notícia de que a Vivendi deve expandir sua fatia na Telecom Italia, que controla a TIM, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters.

A Vivendi deve se tornar a maior acionista individual da companhia, devendo usar parte do dinheiro que recebeu com a venda da GVT, concluída em maio. De acordo com as fontes ouvidas pela Reuters, a Vivendi irá aumentar sua participação entre 10% e 15%. 

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 CódigoAtivoCot R$Var %Vol1
 ITUB4ITAUUNIBANCO PN33,94-1,77531,71M
 PETR4PETROBRAS PN13,19-1,20530,40M
 VALE5VALE PNA16,85-1,00330,19M
 BBDC4BRADESCO PN27,72-2,08244,20M
 PETR3PETROBRAS ON14,49-1,29206,57M
 ABEV3AMBEV S/A ON18,69-0,27172,40M
 BRFS3BRF SA ON67,77-0,70172,21M
 ITSA4ITAUSA PN8,80-1,57149,74M
 CIEL3CIELO ON41,22-0,15147,79M
 KROT3KROTON ON12,65-0,08145,34M

* – Lote de mil ações 
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

Preocupações com Grécia
O dia, apesar disso, ainda é de preocupação com a Grécia, que segundo autoridades europeias está distante de conseguir um acordo com os seus credores até a quinta-feira. O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, repetiu nesta quarta-feira sua recusa em aceitar mais cortes de aposentadorias e afirmar que quer uma solução “honrável” para as discussões sobre um acordo de reformas em troca de ajuda. Tsipras afirmou ainda que está pronto para aceitar os custos políticos de fazer isso. Se nenhuma solução for possível, ele dirá não a exigências “catastróficas” dos credores, afirmou Tsipras.

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O banco central da Grécia fez um alerta nesta quarta-feira de que o país pode entrar em um “curso doloroso” na direção do default e da saída da zona do euro se o governo e seus credores internacionais não alcançarem um acordo sobre ajuda em troca de reformas. Também disse que a desaceleração econômica do país deve se ampliar no segundo trimestre deste ano, e que a crise levou a saques de cerca de 30 bilhões de euros de bancos gregos entre outubro e abril.

Do outro lado do mundo, a China vai intensificar os “investimentos efetivos” em setores importantes para sustentar a economia, afirmou nesta quarta-feira o gabinete do governo. O governo irá aumentar o investimento para transformar favelas e casas dilapidadas, ampliar os investimentos em infraestrutura de eletricidade rural e instalações de armazenamento de grãos, informou o Conselho Estatal após uma reunião ordinária.

Rating e responsabilidade fiscal
Ainda no cenário doméstico, o governo já consideraria, em seu cenário, que o País terá seu rating soberano rebaixado pela Moody’s, disse uma fonte da área econômica ao Valor Pro, serviço de notícias em tempo real do Valor. A agência, considerada a mais conservadora das três principais (que inclui a Standard & Poor’s e Fitch), foi a última a conceder o grau de investimento ao Brasil, em setembro de 2009.

Hoje, o Tribunal de Contas da União (TCU) adiou por 30 dias a análise das contas do governo federal relativas a 2014, uma decisão inédita do tribunal segundo avaliaçãos dos próprios ministros. A decisão foi tomada pelo órgão a pedido do presidente Augusto Nardes. As contas voltarão a ser analisadas em 30 dias. “As contas não estão em condições de serem apreciadas”, disse Nardes, que é o relator do processo.

Ainda dentro da questão fiscal, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tenta convencer deputados de que a votação do Projeto de Lei da desoneração é imprescindível e que o governo tem pauta estruturante para encontrar crescimento para o país. Ele explicou que o Brasil precisa se reequilibrar.