Efeito pós-eleição

Bolsa argentina cai quase 4% e peso avança após eleição e medidas de controle cambial

Investidores se dividem entre expectativa com nomes da equipe de Fernández e formação do Congresso argentino

(Facebook/Alberto Fernández)
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SÃO PAULO – A eleição da chapa de esquerda formada por Alberto Fernández e Cristina Kirchner na Argentina foi confirmada na noite do último domingo (27) e, a despeito desta vitória de governantes “anti-mercado”, os ativos argentinos abriram de forma relativamente tranquila nesta segunda-feira (28), para só depois registrarem uma sessão mais negativa.

Isso porque os investidores já precificaram em boa parte o resultado do pleito desde agosto, quando aconteceram as primárias. Contudo, há muitas incertezas pela frente.

O Merval, principal índice da bolsa de Buenos Aires, fechou em queda de 3,90%, a 33.177 pontos, virando para fortes perdas após abrir em forte alta de 6% na abertura das negociações.

Peso argentino

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A moeda americana teve queda de 0,8% na Argentina, depois de seis altas consecutivas e fechou a 59,50 pesos argentinos em meio às medidas do BC argentino para conter a alta da moeda. Contudo, a moeda negociada no mercado paralelo chegou a cair 1,95%, para 77 pesos por dólar, um recorde antes de recuperar para 73 pesos por dólar. Com relação ao real, o peso argentino subiu 0,90%, a R$ 0,067.

Operadores apontaram que a autoridade monetária fará leilão de US$ 50 milhões, a 59,999 pesos por dólar, para ajudar a estabilizar a divisa argentina. Guido Sandleris, presidente do BC argentino, afirmou que a autoridade monetária perdeu cerca de US$ 22 bilhões de suas reservas para tentar estabilizar a moeda do país.

O BC do país vizinho ainda determinou um limite de compra de US$ 200 por mês através de contas bancárias e de US$ 100 dólares por mês para compra em dinheiro até dezembro, quando o novo governo toma posse.

O cenário de relativa tranquilidade para os mercados no começo do pregão ocorreu após Mauricio Macri sinalizar cooperação com um governo de transição já na noite de ontem.  Em discurso em que reconheceu sua derrota, Macri disse que deixa o governo com “um país com bases sólidas” que mudou “a cultura do poder”.

“Parabenizo o presidente eleito Alberto Fernández. Acabei de falar com ele pela grande eleição que fez. O convidei para tomar amanhã um café da manhã na Casa Rosada porque deve começar uma transição ordenada que leve tranquilidade aos argentinos”, apontou o candidato derrotado.

Na sua primeira fala como presidente eleito, Fernández destacou ter aceitado o convite: “vamos colaborar em tudo o que possamos porque a única coisa que nos preocupa é que os argentinos deixem de sofrer de uma vez por todas”. Nesta manhã, os dois se encontraram para discutir a transição.

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De acordo com Delphine Arrighi, gerente financeira da asset Merian Global Investors, o próximo governo provavelmente buscará uma reestruturação da dívida favorável ao mercado e um plano econômico que o Fundo Monetário Internacional (FMI) endossará.

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“O mercado está precificando um cenário muito pior”, disse ela à Bloomberg. Delphine reforça que, a partir de agora, os investidores analisarão quem fará parte do novo gabinete e os responsáveis pela renegociação do acordo.

Vale destacar que, em agosto, o então candidato e agora presidente Alberto Fernández havia declarado que o acordo firmado pelo governo Macri para pagamento de dívidas junto ao Fundo é “impossível de cumprir”. Em 2018, o governo local tomou empréstimo de US$ 57 bilhões do FMI.

Os títulos argentinos da dívida em dólar, por sua vez, recuavam nesta segunda-feira, com os investidores também de olho na composição final do Congresso e como isso pode impactar a agenda do governo, além de esperar por detalhes do plano econômico de Fernández.

“Essas são as questões principais a serem observadas”, destacou para a Bloomberg James Barrineau, chefe do setor de dívidas de mercados emergentes da Schroders, gestora com US$ 565,5 bilhões sob gestão.

Segundo ele, um ponto positivo das eleições para os mercados foi o congresso dividido, porque “indica que os peronistas não terão passe livre sobre as principais mudanças na política econômica à frente.” Contudo, a apreensão sobre a formação do gabinete seguirá movimentando o mercado.

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