Publicidade
SÃO PAULO – O Ibovespa acelera perdas e o dólar voltou a operar no terreno negativo nesta terça-feira (24). No radar estão as declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante a audiência do CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado. Operadores de mercado demonstram ceticismo com a possibilidade do BC manter o programa de swaps cambiais.
Às 14h49 (horário de Brasília), o índice de ações recuava 1,06%, a 51.355 pontos, após chegar a subir 0,6% na máxima do dia. Já os contratos futuros do dólar caíam 0,57%, a R$ 3,127, recuperando-se de uma queda de quase 1,5% na mínima desta manhã. Enquanto isso, o dólar comercial tinha leves baixa de 0,43%, para R$ 3,1314 na compra e R$ 3,1317 na venda.
Para o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, Tombini mostrou em sua nova fala que tem sido um elemento destoante na equipe econômica do governo. Se de um lado, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, parecem alinhados no objetivo do ajuste fiscal, o presidente do BC não traz sinais claros de onde o governo quer que o dólar esteja. “Ele disse que não tem pressa para se desfazer do volume de Swap, o que não deixa claro se vai acabar, se vai manter ou se o volume será reduzido”, diz.
Além das falas de Tombini, outro driver que contribuía para reverter o otimismo da abertura dos mercados trazido pela manutenção do rating brasileiro em BBB- pela S&P era um possível recuo da presidente Dilma Rousseff (PT) no ajuste fiscal. De acordo com o gestor da H.H. Picchioni, Paulo Henrique Amantea, essa possibilidade da Dilma de mexer no ajuste é o que mais impacta na cautela e na perda da força compradora hoje. “O mercado não está pressionado, mas o especulador vê que o comprador retraiu e abre uma frente para bater”, explica.
Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) sobem depois de também ter sua nota de risco mantida pela S&P. Em compensação, a agência cortou a perspectiva das notas de crédito da estatal de estável para negativa. A mudança na perspectiva da nota reflete a dificuldade da Petrobras de financiar seu plano de negócios e de acelerar o crescimento da produção, que ajudaria a reduzir o endividamento.
Enquanto isso, as ações da Gol (GOLL4) viraram para queda após subirem forte na véspera depois que acionistas aprovaram a mudança no estatuto da empresa. Os acionistas aprovaram a mudança na estrutura de capital e aprimoramento na governança corporativa da empresa. Um total de 81,7% dos acionistas participou da votação, e destes 99,7% aprovaram a proposta do conselho de administração da companhia. Somente entre os minoritários, a aprovação foi de 99%. A proposta apresentada pela Gol é criar uma “super preferencial” com dividendos 35 vezes maiores do que as ordinárias. As ações ONs serão elevadas na mesma proporção.
Continua depois da publicidade
As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
|
As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
|
|
Cenário externo
Os mercados asiáticos fecharam nesta terça-feira sem direção comum, após uma sessão volátil em que uma pesquisa sobre a atividade industrial da China afetou a confiança ao cair inesperadamente para a mínima em 11 meses.
Enquanto isso, na Europa, o mercado olha para os dados da zona do euro e opera quase estável, ao mesmo tempo que repercute a queda do avião da empresa de baixo custo Germanwings, da Lufthansa, no sul da França.
Segundo o jornal local La Provence, o Airbus A320 levava 142 passageiros, dois pilotos e quatro comissários de bordo. Com isso, as ações da Airbus caíram 2%, enquanto os papéis da Lufthansa registravam baixa superiores a 4%. Germanwings e Lufthansa não estavam disponíveis de imediato para comentar, enquanto a Airbus não tinha nenhum comentário imediato.
No noticiário econômico, destaque ainda para os dados da zona do euro, que surpreenderam positivamente ao atingir a máxima em 46 meses, aumentando as expectativas de uma recuperação na região. Enquanto isso, o PMI da Alemanha bateu a projeção do mercado.
O PMI preliminar de indústria do HSBC/Markit caiu para 49,2 em março, abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração. Economistas consultados pela Reuters esperavam leitura de 50,6, contra os 50,7 registrados em fevereiro.
A pesquisa deve aumentar os pedidos de mais afrouxamento da política monetária, mesmo após dois cortes da taxa de juros desde novembro, redução da quantia de dinheiro que os bancos precisam manter como reserva e repetidas tentativas do banco central de reduzir os custos de financiamento.
O índice de Xangai fechou com leve alta de 0,1%, terminando com ganhos pelo 10º dia seguido. Já o índice japonês Nikkei perdeu 0,2%, afastando-se da máxima de 15 anos atingida na sessão anterior.
(Com Reuters)