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SÃO PAULO – Analisando o comportamento dos preços estimados paras as commodities nos próximos anos, a LCA Consultores não acredita que ocorrerá uma crise financeira impulsionada por uma bolha em tal mercado. A avaliação da consultoria contrapõe-se a um sentimento crescente de que a valorização dos produtos é mais baseada em especulação do que em fundamentos.
A LCA lembra que, durante o Fórum Econômico Mundial deste ano, a Oliver Wyman apresentou um estudo sobre a possibilidade de uma crise financeira em 2015. Segundo a instituição, uma bolha no mercado de commodities está sendo inflada pelo excesso de liquidez. Para piorar o cenário, a análise indica que a demanda esperada pelos produtos irá sofrer uma redução, resultado da adoção de medidas contracionistas impostas pelos emergentes, que são hoje as que mais consomem.
“A decepção desencadeará grandes perdas para os bancos, acompanhadas de desmonte de posições especulativas e baixo retorno de investimentos em infraestrutura nas maiores economias emergentes”, termina de explicar a LCA, resumindo o estudo da Oliver Wyman.
Oscilação dos preços das commodities
Para responder à pergunta sobre se o comportamento dos preços das commodities está realmente em desacordo com a demanda, a LCA estimou um modelo para explicar as oscilações do índice de commodities CRB (Commodity Research Bureau). A conclusão é de que os preços se mostram sensíveis a certas variáveis que usualmente são identificadas como fatores explicativos, de forma que “não parece haver um desvio grande de fundamentos”.
Para estimar o modelo, a LCA utilizou índices de produção industrial e importanções mundiais da agência holandesa de análise de política econômica, o Índice Bloomberg de Condições Financeiras dos EUA e a taxa básica de juro real dos Estados Unidos. Além disso, como variáveis adicionais de controle, foram utilizados o Baltic Dry Index, o VIX e o índice DXY, que mede o valor do dólar contra uma cesta de moedas”, conta a consultoria.
Contudo, mesmo diante da conclusão de que os preços parecem seguir fundamentos do mercado, a LCA não descarta oscilações expressivas nas cotações, especialmente diante de políticas de contenção adotadas pelos países emergentes.
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“Mas estes fatores estão no radar dos agentes e, a nosso ver, o cenário de nova crise gerada pela correção do preço das commodities não parece ser a alternativa mais provável”, ponderam os analistas.
Commodities
As commodities voltaram ao centro das atenções nas análises econômicas atualmente. As altas cotações estão sendo explicadas por fatores como farta liquidez, sinais consistentes de que a economia global está de fato se recuperando, capacidade de produção bem aproveitada nos países emergentes, problemas de ofertas, entre outros.
A questão também encontra repercussão no Brasil. A presidente Dilma Rousseff disse que as commodities não são responsáveis pelo desequilíbrio da economia mundial, apesar da alta dos preços dos alimentos global. A declaração foi feita na segunda-feira (7), durante encontro com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner.