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SÃO PAULO – Os analistas do Bank of America Merrill Lynch Mauricio Fernandes, Rodrigo Villanueva e Lars Konrad avaliaram os principais temas pertinentes ao setor de telefonia da América Latina que ficarão em foco neste ano. Dos 10 temas-chave, seis são relacionados ao Brasil.
Nesse sentido, a equipe destaca como primeiro ponto o efeito benéfico da aceleração da substituição da telefonia fixa pela móvel para as empresas que atuam no mercado doméstico, especialmente a TIM (TCSL4), dada sua grande exposição no segmento sem fio do País. Por outro lado, o forte posicionamento no segmento fixo é visto como negativo, o que coloca a Telemar (TNLP4) como uma das empresas com o maior impacto.
Segundo os analistas, no Brasil, as tarifas de telefonia móvel estão registrando queda, sendo que nos últimos trimestres os preços de ligações para operadoras diferentes caíram de 40% a 50%, enquanto as tarifas para números da mesma rede recuaram ainda mais, entre 50% e 60%. Essa redução, de acordo com o banco, pode contribuir para acelerar ainda mais o movimento de substituição da telefonia fixa pela móvel.
Mercado pode ser surpreendido
Outro ponto que chama a atenção dos analistas é a dinâmica de crescimento das receitas das empresas de telefonia. A projeção do Bank of America Merrill Lynch – e do mercado em geral – é de crescimento insignificante na ARPU (receita por usuário) das companhias brasileiras, dada a alta taxa de penetração do serviço no País, entre 90% e 100%.
Entretanto, a equipe de análise indica que essas perspectivas conservadoras podem ser ultrapassadas. “Nós vemos um maior risco de alta do que de baixa para essa projeção [de estabilidade na ARPU] diante dos crescentes dados de renda e telefonia móvel”, ressaltam os analistas, acrescentando que, como as previsões são baixas, qualquer número levemente positivo pode impactar as ações.
Fazendo uma conta geral, o Bank of America Merrill Lynch afirma que qualquer aumento de 1% na curva de expectativa de receita por usuário elevaria o valor de mercado das empresas entre 3% e 4%. Neste quesito, as brasileiras citadas como maiores beneficiadas são a TIM e a Vivo (VIVO4).
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Corte das tarifas de interconexão
Com as perspectivas de que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) cortará as tarifas de interconexão ou VU-M (remunera uma prestadora de Serviço Móvel Pessoal pelo uso de sua rede) apenas gradualmente, os analistas indicam que não haverá impacto nas ações do setor no curto prazo. Já no longo prazo, a resposta poderá ser positiva considerando também que a queda na tarifa sem fio induzirá à migração da linha fixa para a móvel. Vale lembrar que a agência reguladora já propôs cortes de 10% nessas tarifas em 2011 e 2012.
Dentre as empresas brasileiras, o Bank of America Merrill Lynch lista a TIM como uma das menos impactadas, já que as receitas com tarifa de interconexão representam menos de 25% do Ebitda (geração operacional de caixa). Para a Vivo, essa participação é de 50% a 60% do Ebitda, porém os analistas acreditam que a futura fusão com a Telesp reduzirá essa exposição pela metade.
Por fim, a equipe de análise não vê benefícios para a Telemar (70% fixo e 30% móvel) no médio prazo, mas prevê impactos negativos no longo prazo, com a aceleração da substituição das linhas fixas por móveis.
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Plano brasileiro de banda larga
Fernandes, Villanueva e Konrad observam um quarto ponto: o PNBL (Plano Nacional de Banda Larga). Segundo eles, ainda é cedo para dizer se o programa do governo brasileiro em oferecer banda larga no País será positivo ou negativo para a Vivo e TIM. Enquanto parece que o plano é reavivar a estatal Telebrás (TELB4), não está claro se o governo se tornará parceiro de companhias privadas como a Telesp e Embratel, ou mesmo com as companhias do segmento sem fio, apesar de ser um passo lógico nesse processo, dada a forte rede que possuem, avaliam os analistas.
Em suma, a parceria com tais empresas poderia ser positivo, dependendo dos termos, dada a oportunidade de acelerar a penetração da banda larga. Por outro lado, uma atuação sozinha do governo limitaria o espaço para a penetração do serviço oferecido pelas companhias privadas, trazendo impactos negativos.
Fusão entre Vivo e Telesp é positiva
O quinto tema-chave tratado é a fusão da Vivo com a Telesp (TLPP4), que reduzirá a exposição da empresa ao segmento sem fio. O resultado é visto como potencialmente negativo, principalmente por conta dos efeitos do aumento da substituição da telefonia fixa para a móvel.
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“Entretanto, tal integração deverá trazer sinergias que equivalerão de 10% a 15% da capitalização de mercado combinada de Telesp e Vivo, o que não parece ter sido precificado. Além disso, as receitas de linha fixa da Telesp reduzirão quase pela metade a exposição da Vivo aos cortes das taxas de interconexão”, explicam os analistas.
Dessa forma, no geral, eles veem upside para a Vivo a partir da fusão com a Telesp.
Telemar: alta à frente?
Por fim, os analistas do Bank of America Merrill Lynch deixam uma pergunta no ar: as ações da Telemar vão ser reavaliadas pelo mercado? “A chegada da Portugal Telecom e o futuro anúncio da política de dividendos poderia potencialmente levar os múltiplos em que são negociadas as ações para longe da média histórica de 3 a 3,5 vezes o Ebitda”, comentam. A resposta para a pergunta, segundo a equipe do banco, poderá chegar no primeiro semestre deste ano.
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Recomendações
Diante desse cenário, Vivo e TIM fazem parte das top picks do Bank of America Merrill Lynch na America Latina, com a recomendação para seus ADRs sendo de compra. Vale ressaltar, contudo, que a sugestão para as ações ordinárias da TIM é neutra.
Por outro lado, os ADRs da Telemar têm recomendação neutra, enquanto as ações ordinárias têm recomendação de underperform (performance abaixo da média do mercado). Encerrando a lista, os papéis da Telesp negociados na Nyse (New York Stock Exchange) também têm sugestão underperform.