BofA Merrill Lynch eleva projeção do PIB brasileiro em 2010 para 5,3%

Com uma previsão menor que a do mercado para a inflação, analistas esperam que a taxa Selic permaneça a 8,75% ao ano

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SÃO PAULO – Apoiado em premissas mais otimistas para a economia global e numa recuperação mais rápida que o previsto no mercado de trabalho, o Bank of America Merrill Lynch elevou suas estimativas de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2010, passando de 4,5% para 5,3%. Mantendo-se tranquilo com o cenário inflacionário do País, o banco também espera que a taxa Selic permaneça no patamar de 8,75% ao ano.

A instituição norte-americana destaca que os dados mais recentes divulgados no Brasil contribuíram para fortalecer suas perspectivas, “que sempre se mostraram mais otimistas do que o consenso do mercado”. Indicadores ligados à produção industrial, vendas no varejo, criação de empregos e evolução do crédito reforçaram o momento atual de retomada, afirmam os analistas.

Tais eventos foram determinantes para o crescimento de 1,9% da atividade econômica no segundo trimestre. Acreditando que esse momentum permaneça, a equipe do BofA Merrill Lynch prevê que, no terceiro quarto, o produto atinja seu pico de expansão (+2,2%), o que contribuirá para que o avanço permaneça na trilha para alcançar ao final de 2009 o patamar previsto pelo banco, de 0,5%.

A partir de então, o ritmo de crescimento deverá dar sinais de arrefecimento, em virtude da menor participação dos estímulos governamentais na economia. Essa parcimônia deverá ficar mais evidente a partir de 2010, quando se espera taxas de expansão numa média de 1% em passagem trimestral.

“O verdadeiro teste para o crescimento doméstico virá quando os níveis de produção se normalizarem e os estímulos monetários e fiscais começarem a diminuir”, conclui a equipe de análise sobre o futuro do PIB da principal economia latino-americana.

Com inflação controlada, Selic será mantida

Contrariando grande parte dos analistas, que demonstram forte apreensão quanto aos níveis de inflação no longo prazo, os especialistas do BofA mantêm suas premissas confortáveis acerca do avanço dos preços. “Nosso modelo sugere que a inflação caia para menos de 4% no segundo trimestre, para depois avançar fortemente e chegar a 4,2% ao final de 2010”.

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Acreditando que a inflação ficará abaixo das previsões do mercado e que a atividade econômica brasileira registre um crescimento saudável ao longo do ano, o banco aposta que o juro básico brasileiro não se modifique, permanecendo no patamar atual de 8,75% ao ano.

Desaceleração em 2011

Mesmo coberto de incertezas, devido ao horizonte distante e à forte volatilidade que a economia tem apresentado durante curtos espaços de tempo, o modelo de análise do banco sugere que o produto brasileiro desacelere para um crescimento de 4,5% durante 2011, ao passo que a inflação feche próxima à meta estipulada para o ano.

Em meio a esse cenário incerto, os analistas afirmam que, caso se confirme um equilíbrio entre a variação positiva de preço e o crescimento econômico do País, a taxa Selic poderá permanecer inalterada em 2011.


Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers