BofA Merrill Lynch elege BR Foods como top pick do setor e eleva preço-alvo

Menor base de custos deve impulsionar margens, e momentum de ganhos deve continuar "sólido" nos próximos dois anos

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SÃO PAULO – Em resposta à divulgação do resultado da BR Foods (BRFS3) na última sexta-feira (26), quando a empresa anunciou reversão do prejuízo visto no ano anterior, o Bank of America Merrill Lynch revisou suas projeções e elegeu a empresa como nova top pick no setor.

De acordo com o banco norte-americano, a principal mudança no modelo de estimativas foi uma base de custos menor, que deve impulsionar as margens nos próximos anos. “Estimamos uma expansão de 280 pontos-base na margem em 2010, em especial devido à menor base de gastos resultante da queda no custo dos grãos no ano – decorrente da desvalorização do real – e a recuperação das margens de exportação”, afirma a equipe.

Além disso, a margem Ebitda (relação percentual entre geração operacional de caixa e receita líquida) deve se normalizar no segundo semestre, atingindo algo entre 9% e 11%. Por fim, o banco destaca que a aprovação da fusão pelo Cade até a metade de 2010 pode trazer ganhos de sinergia “significativos” até 2011.

Bull e bear
Sob uma visão otimista – que tem, entretanto, estimativas de ganhos de sinergia e câmbio classificadas pelos analistas como “conservadoras” – o banco norte-americano espera que a empresa tenha margens entre 12% e 14% em 2011. “Ainda com desconto em relação aos seus pares, o preço-justo das ações seria de R$ 70”, afirmam os analistas.

Em um cenário mais pessimista – com ganhos menores de sinergia e maior volatilidade no preço das commodities e taxa cambial – o valor cairia para R$ 50, ainda acima dos atuais patamares. “Acreditamos que a BR Foods tem um cenário positivo de risco-retorno”, afirma o BofA Merrill Lynch.

“Esperamos que o momentum de ganhos continue sólido nos próximos 2 anos, e nosso top pick se dá mais devido à melhora dos fundamentos em médio prazo do que a uma recuperação em curto prazo do setor”, conclui a equipe, que elevou o preço alvo dos papéis para R$ 62, um upside de 39,6% sobre o fechamento da última sessão.