BofA Merrill Lynch dá seis razões para foco em ações da América Latina

Entre os motivos, desempenho baixo nos últimos meses e a perspectiva das empresas; Brasil é destaque

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SÃO PAULO – Os analistas do Bank of America Merril Lynch voltaram a apresentar uma avaliação positiva para os mercados de ações na América Latina, fornecendo seis razões pelas quais os investidores devem voltar o foco para estes ativos.

Especificamente sobre o mercado brasileiro, o destaque fica por conta dos setores de telecomunicações, matérias-primas, serviços públicos e concessões, bens de consumo duráveis e financeiro. Ademais, a expectativa dos analistas é de que, considerando um desconto de 16% em relação aos mercados globais, o mercado acionário brasileiro seja reavaliado para cima pelos investidores.

Os analistas citam algumas empresas, baseados nos fundamentos de crescimento dos lucros e projeção para 2011 do P/E (preço sobre lucro) e em indicadores técnicos, como desempenho nos últimos 30 e 90 dias, IFR e desvio da média móvel de 200 dias, além do volume de negociação. Desta forma, entre os destaques positivos, estão os ativos da Vale (VALE3, VALE5), CSN (CSNA3) e Vale Fertilizantes (FFTL4); do lado negativo, são citadas as ações da Multiplan (MULT3), Souza Cruz (CRUZ3), CPFL (CPFE3) e Redecard (RDCD3).

Desempenho baixo e visão positiva das ações
A primeira razão citada pelos analistas Pedro Martins Jr., Renato Onishi e Marina Valle para esse foco do investidor nas ações latinoamericanas é o desempenho fraco destas frente ao S&P 500 nos últimos meses, trajetória que “provavelmente não deve se manter” e que também contraria os movimentos históricos.

Outro fator seria a visão positiva global dos mercados ações, que deve continuar, uma vez que “os investidores provavelmente não vão encontrar melhor ponto de entrada no mercado”. A expectativa é de que os impactos advindos do desastre no Japão sejam mínimos.

Menor superlotação e riscos dos mercados emergentes
Os analistas citam também uma pesquisa feita junto a gestores de fundos que revela “mais cortes de posições em mercados emergentes e uma queda no apetite por risco após o recorde de otimismo em fevereiro”. Assim, com os investidores deixando o mercado mais esvaziado ao reduzirem suas alocações em mercados emergentes, isso é citado como uma outra razão para o foco na América Latina.

Por sua vez, o balanço de risco entre os mercados desenvolvidos e os mercados emergentes dentro do atual cenário de incertezas crescentes nos primeiros, inclusive com um risco de mini-estagflação nos EUA, é mais uma das razões citadas. Os analistas lembram que embora continuem existindo os riscos cambiais e inflacionários nos mercados emergentes globais, eles já existiam nos últimos seis meses, “período de desempenho baixo da China e do Brasil no mercado de ações global”.

Ainda na questão da inflação nos mercados emergentes, os analistas afirmam que mesmo em meio ao cenário de pressão dos preços, as projeções para margens recentemente cresceram em todas as regiões, “a despeito dos investidores questionarem as margens em nível recorde de alta com o aumento da inflação”. Desta forma, a avaliação é de que o fator positivo da demanda supera o fator negativo do crescimento dos preços.

Empresas revelam visão positiva
Por fim, os analistas também listam como razão também a perspectiva positiva das próprias empresas para este ano, como registrado numa conferência realizada pelo BofAML no Brasil. Tal perspectiva positiva seria demonstrada pelo “guidance com forte volume de vendas e a vontade de colocar dinheiro para trabalhar em investimentos e fusões e aquisições”.

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Além disso, as empresas teriam se mostrado confiantes quanto a preservar suas margens operacionais em meio ao ambiente de inflação elevada, em função do poder de preços e diluição de custos na alavancagem operacional.