BofA Merrill Lynch compara setores e mostra bancos sobrecomprados

Consumo tem o melhor retorno no acumulado do ano, enquanto petrolíferas e empresas do setor de telecom ficaram para trás

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SÃO PAULO – O Bank of America Merrill Lynch realizou levantamento comparando diversos setores mundiais, mostrando os vencedores e perdedores no acumulado desse ano, além da participação de cada setor nos índices de ações regionais e perspectiva de relação entre preço e lucro para 12 meses. 

Entre os destaques encontrados pela equipe de análise, composta por Michael Hartnett, Kate Moore, Michael Penn e Brian Leung, responsáveis pelo relatório, está o aumento da participação dos mercados emergentes no MSCI All Country World Index (índice balanceado que mede a performance de mercados emergentes e desenvolvidos). 

Na liderança, continuam os Estados Unidos, com US$ 10,8 trilhões, ou 41,8% do total. Vale notar que o índice leva em conta apenas as ações oferecidas aos investidores estrangeiros, e por isso a capitalização aqui contabilizada é bem inferior ao real tamanho dos mercados. Com 13,8% de participação no índice, a capitalização de US$ 3,6 trilhões dos emergentes supera a dos países asiáticos desenvolvidos e da região do Euro combinada com a Suíça. O Japão, que chegou a ter peso de 45% em 1990, representa agora apenas 8,5% do MSCI ACWI. Já o Brasil representa 2,3% do índice, com capitalização de US$ 588 bilhões. 

Brasil
O BofA Merrill Lynch também avaliou a participação de cada setor nos índices de cada país, mostrando avanço da participação do segmento de materiais (que contempla papel e celulose, mineração, materiais de construção e produtos químicos) e de energia (petróleo e gás) na composição do índice global. 

Por aqui, os materiais têm peso de 25,1%, perdendo em importância apenas para o setor financeiro, que contempla bancos, seguradoras e outras instituições financeiras. O peso de saúde é inexpressivo, enquanto o setor de tecnologia tem participação de apenas 1,8% no índice brasileiro – em Taiwan essa proporção sobe para 58,2%. 

Retorno
Em relação ao retorno acumulado nos mercados, as ações subiram apenas 1,9%, com performance superior dos mercados emergentes (+8,7%) em relação aos desenvolvidos (+0,9%). Entre os setores globais de destaque, ficam os papéis expostos ao consumo nos mercados emergentes, o setor industrial norte-americano e de telecomunicações no Japão.

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Já os perdedores abundam em 2010, mostra o BofA: o setor de saúde nos EUA, as companhias de energia elétrica na Europa, bancos europeus e japoneses e o setor de petróleo no Brasil, que mostra desvalorização acumulada de 17,6% no ano. No negativo por aqui também ficou o setor de telecomunicações (-16,7%).

O campo positivo é dominado pelos ações do setor financeiro (+11,2%) e de bens de consumo (16%), além do setor industrial, que registrou valorização até setembro de 13,7%. 

Considerando só o rali do terceiro trimestre, o Brasil aparece como um dos países emergentes mais bem posicionados, com avanço de 21% no período, impulsionado nesse caso também pelo consumo direcionado (representado por fabricantes de autopeças, hotéis, produtos domésticos duráveis e vestuário etc.), com notável avanço de 31,2% no período. 

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Sobrecomprados
Esse é também um dos setores mais sobrecomprados no Brasil, segundo o BofA, levando em consideração o desvio da média móvel de 200 dias, perdendo apenas para a indústria, seguida do setor financeiro.  No lado dos sobrevendidos, fica mais uma vez desponta o setor de petróleo e gás, além de telecomunicações. 

Por causa da valorização recente e do movimento explicitado acima, a relação entre preço e lucro mostra o setor industrial brasileiro como bastante caro, ao ser negociado com estimativa de P/L para 12 meses de 26,7 vezes, umas das mais altas entre todos os setores e mercados analisados.  

Onde estão os dividendos?
Por último, a equipe de análise do BofA pergunta onde estão os dividendos. No caso brasileiro, a resposta é bastante clara, já que o setor de telecomunicações apresenta dividend yield de 6,8%, enquanto as companhias de energia elétrica têm retorno com proventos sobre o preço da ação de 8%. Quem menos paga dividendos dentro da análise do banco norte-americano por aqui são as companhias de consumo direcionado: apenas 1,3% de dividend yield, o que é uma tendência global.